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Operação mira ex-secretária de Educação por desvios de verbas

Ação do MPRJ cumpre 19 mandados e apura direcionamento de contratos, superfaturamento e lavagem de dinheiro

Por Manuella Viégas

Publicado em 01/10/2026 09:27:00 Atualizado em 01/10/2026 10:33:26
Agentes cumprem mandados em endereços na capital, na Baixada Fluminense e na Região dos Lagos
Agentes do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Civil cumprem 19 mandados de busca e apreensão, na manhã desta quinta-feira (1º), para aprofundar as investigações sobre possíveis desvios de recursos em contratações para reformas de escolas da rede estadual de ensino. A ação faz parte da Operação Escola de Papel. Os mandados são cumpridos em endereços ligados a pessoas físicas e jurídicas na capital, na Baixada Fluminense e na Região dos Lagos.
Entre os investigados estão a ex-secretária de Estado de Educação Roberta Barreto de Oliveira; seu genro, Yurie Lopes Fonseca Ormonde André; o ex-subsecretário de Gestão Administrativa David de Andrade Marinho Filho; e o empresário Fabio Martins Pereira.
Roberta Barreto de Oliveira foi secretária de Educação de 10 de março de 2023 até 24 de fevereiro deste ano, durante o governo de Cláudio Castro.
De acordo com o MPRJ, a apuração aponta indícios de direcionamento de contratações, superfaturamento e lavagem de dinheiro. São investigados os crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A pedido do MPRJ, a Justiça também determinou o bloqueio de bens dos investigados no valor de aproximadamente R$ 19 milhões. As contratações investigadas foram realizadas entre 2024 e 2025.

As investigações são conduzidas pela Atribuição Originária Criminal do Procurador-Geral de Justiça Antonio José Campos Moreira. O levantamento aponta que os recursos saíam da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), eram repassados às Associações de Apoio às Escolas (AAEs) – entidades sem fins lucrativos ligadas às unidades escolares que recebem e administram diretamente recursos públicos destinados à manutenção e a melhorias nas escolas – e chegavam às contas das empresas contratadas para as reformas.

Os contratos analisados apresentavam indícios de direcionamento e valores superiores ao custo efetivo dos serviços. Após os pagamentos, a diferença era retirada em dinheiro ou transferida para outra empresa vinculada ao grupo, que também realizava saques em espécie, dificultando o rastreamento dos recursos e a identificação de seus destinatários finais.

Segundo os investigadores, a dinâmica do esquema foi revelada após a apreensão de R$ 500 mil em espécie, em 16 de janeiro de 2026, na saída de uma agência bancária em Duque de Caxias. A partir de informações de inteligência financeira, policiais acompanharam o saque realizado pelo administrador de uma empresa contratada para executar obras em escolas estaduais.

De acordo com o MPRJ, o dinheiro estava em uma sacola plástica, dentro de uma caminhonete conduzida por um policial militar armado, apontado como responsável pela segurança do transporte dos valores.

Em depoimento, o administrador da empresa abordado com o dinheiro afirmou que, dos aproximadamente R$ 6 milhões recebidos para cerca de 15 obras, apenas R$ 2 milhões foram destinados à execução dos serviços. Segundo ele, os outros R$ 4 milhões ficaram com o intermediário que organizava as contratações e controlava a movimentação bancária.

Somente em 2025, uma das empresas recebeu aproximadamente R$ 19,8 milhões em recursos públicos, conforme revelou a análise dos processos de contratação e das informações financeiras. Também foram identificados R$ 8,93 milhões em saques em espécie.

As investigações continuam para identificar os beneficiários dos possíveis desvios e reunir provas sobre a atuação dos integrantes do esquema.
O Meia Hora tenta contato com a defesa dos citados na matéria. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.