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Presidente do PL diz que Flávio dará anistia a Bolsonaro se eleito

Questionado sobre uma nova tentativa de golpe, Valdemar Costa Neto disse não saber se isso poderia acontecer

Por Thalita Queiroz

Publicado em 07/10/2026 20:02:36 Atualizado em 07/10/2026 20:02:36
Valdemar da Costa Neto, presidente do PL
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou, em entrevista nesta quarta-feira (7), que, caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente da República, Jair Bolsonaro receberá anistia imediatamente após o filho assumir o cargo. Atualmente, o ex-presidente está em prisão domiciliar, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e à abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, Valdemar Costa Neto defendeu a anistia para 180 pessoas envolvidas nos eventos de 8 de Janeiro. Questionado sobre o posicionamento, ele argumentou que o planejamento de um golpe não deveria ser considerado crime.

"Flávio vai fazer isso [anistia a Bolsonaro] no primeiro dia. Bolsonaro não era nem para estar preso. Essa é uma das coisas que Flávio vai fazer. E todos os militares presos injustamente terão anistia, porque a lei diz o seguinte: você pode planejar um assassinato, mas, se você não assassinou o camarada e não tentou, não é crime", disse à rádio.

O jornalista Paulo Germano, apresentador do Timeline, questionou ainda Valdemar sobre a possibilidade de uma nova tentativa de golpe. Irritado, o presidente do PL respondeu que não sabia se Flávio poderia tentar tomar uma medida semelhante.

"Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento, não existe isso. Isso deu certo? Olha o Bolsonaro o que está pagando. Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais", respondeu.

Segundo turno 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai disputar o segundo turno das Eleições 2026 contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). O resultado acirrado do primeiro turno, que aconteceu neste domingo (4), confirmou a polarização entre os candidatos e levou a decisão para uma nova votação, marcada para o dia 25 de outubro.
Apesar das pesquisas eleitorais, Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da disputa na liderança, com 55.822.785 milhões de votos, o equivalente a 47,43%, com 99,17% das urnas apuradas, mas não conseguiu alcançar a maioria absoluta necessária para vencer já neste domingo. Lula recebeu 53.213.206 milhões de votos, 44,98%.
A ida ao segundo turno coloca novamente Lula diretamente contra um representante da família Bolsonaro. Em 2022, o petista também seguiu para a disputa com Jair Bolsonaro (PL), que acabou derrotado e se tornou o único presidente do Brasil a não se reeleger.

A definição acontece depois de uma campanha marcada pela proximidade entre os dois principais candidatos nas pesquisas de intenção de voto. Na véspera da eleição, o Datafolha apontava Lula com 45% dos votos válidos no primeiro turno, contra 42% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado (PSD) aparecia em terceiro, com 4%, seguido por Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), ambos com 3%.

O cenário projetado para a segunda etapa também indicava uma disputa apertada. Na pesquisa Datafolha divulgada no sábado (3), Lula aparecia com 47% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 46%. Como a margem de erro era de dois pontos percentuais, os dois estavam tecnicamente empatados. O levantamento ouviu 4.006 pessoas.

No primeiro turno, Lula chegou à votação com vantagem nas pesquisas, enquanto Flávio cresceu na reta final.

Com o resultado deste domingo, a campanha eleitoral entra em uma nova fase. Lula e Flávio terão agora pouco mais de três semanas para tentar ampliar seus respectivos eleitorados e conquistar os votos dos candidatos que ficaram para trás. A disputa tende a concentrar as atenções principalmente nestes eleitores.

Plano de governo de Lula (PT)

Em seu plano de governo, Lula combina continuidade de programas sociais e econômicos do atual governo com novas propostas em trabalho, segurança, indústria, tecnologia, saúde, educação e meio ambiente, tendo como eixos a redução das desigualdades, o fortalecimento do Estado e a soberania nacional.
Entre as propostas estão a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, o fim da escala 6x1 e a manutenção da política de valorização do salário mínimo. O programa também prevê ampliar o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, além de utilizar imóveis e terrenos da União para projetos habitacionais e mais.

Plano de governo Flávio Bolsonaro (PL)

Em seu plano de governo, Flávio Bolsonaro concentra as propostas em segurança pública, redução do Estado, corte de impostos, educação, saúde, proteção social, trabalho, liberdade de expressão, equilíbrio fiscal e combate à corrupção.
O documento defende uma atuação mais enxuta do governo federal, com redução de ministérios e cargos comissionados, além de medidas para diminuir a dívida pública, rever a reforma tributária e retomar privatizações. Entre as propostas, estão a classificação de facções criminosas como organizações narcoterroristas, redução de maioridade penal, reajuste da tabela do SUS, redução de impostos e mais.