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Inquérito de acidente com 23 mortes diz que motorista usou celular e excedeu velocidade

Por Agencia Estado

Publicado em 07/10/2026 22:26:42

Uma série de situações, como velocidade acima da permitida, possível uso do WhatsApp e falhas na manutenção do veículo, teria provocado o acidente envolvendo um caminhão e um micro-ônibus que deixou 23 mortos na BR-373, em 19 de agosto. O inquérito da Polícia Civil do Paraná foi concluído nesta quarta-feira, 7.

As investigações sobre o acidente mostram que o caminhão de transporte de suínos da empresa Mega Trans invadiu a pista contrária e colidiu com um micro-ônibus da Secretaria de Saúde de Imbituva, entre as cidades de Imbituva e Ipiranga, a cerca de 180 quilômetros de Curitiba (PR). Cinco pessoas do coletivo sobreviveram com ferimentos.

O Estadão entrou em contato com a Mega Trans e aguarda retorno.

Exames toxicológicos de ambos os condutores deram negativos para álcool e drogas. A polícia sugere o arquivamento do inquérito, uma vez que os motoristas dos dois veículos morreram na ocasião.

Uso do WhatsApp 17 minutos antes do acidente

A investigação apurou que o motorista do caminhão conectou-se ao aplicativo WhatsApp cerca de 17 minutos antes da colisão. "Essa informação indica que é plausível que o condutor estivesse distraído com o uso do aparelho celular no momento em que invadiu a contramão", explica a delegada Ingrid Priotto.

De acordo com a polícia, a velocidade acima da permitida também contribuiu para a fatalidade. Dados de telemetria apontaram que o caminhão trafegava a 80 km/h instantes antes da batida, em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de 60 km/h.

O inquérito também concluiu que o caminhão apresentava desgaste, responsável por reduzir a eficiência da frenagem.

No caso do micro-ônibus, o veículo transitava a 101 km/h no momento do impacto, excedendo em 41 km/h o limite regulamentar da rodovia. O laudo foi extraído do cronotacógrafo digital - ferramenta que registra a velocidade, distância percorrida e o tempo de trabalho do motorista.

De acordo com Ingrid, a informação foi corroborada pelo depoimento de um dos sobreviventes do ônibus que transportava pacientes para exames e consultas médicas. A lotação havia saído de Imbituva com 20 minutos de atraso e o motorista dirigia de forma "apressada".

A polícia também cogitou a participação de um terceiro veículo na colisão, após imagens e registros oficiais comprovarem as avarias de um caminhão prata, presente no acidente. A hipótese foi descartada logo em seguida, após a confirmação de que os danos eram decorrentes de um acidente antigo e que seus ocupantes apenas pararam no acostamento para sinalizar a via e prestar os primeiros socorros às vítimas.

Relembre o caso

Por volta das 3h30 de 19 de agosto, um micro-ônibus e uma carreta se envolveram em um acidente na BR-373, na altura do quilômetro 209, que deixou 23 mortos e cinco feridos entre as cidades de Imbituva e Ipiranga.

Na época, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que houve uma colisão frontal entre uma carreta com placas de Erechim (RS), que seguia no sentido de Ponta Grossa (PR), e um micro-ônibus da Secretaria de Saúde de Imbituva, que levava os passageiros para atendimento médico em hospitais na região metropolitana de Curitiba.

A Via Araucária, concessionária responsável pelo trecho, informou que 13 mulheres, 8 homens e duas crianças morreram. O motorista da carreta está entre as vítimas fatais. Três homens, de 22, 49 e 50 anos, uma mulher, de 26 anos, e uma criança, de nove anos, foram encaminhados a hospitais de Ponta Grossa.

O acidente é o mais grave em número de mortos registrado pela PRF no Paraná desde 2021, quando 19 pessoas morreram em um tombamento de ônibus na BR-376, em Guaratuba (PR).

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