Geral
Operação mira PMs ligados ao Comando Vermelho
Agentes repassavam informações privilegiadas para a facção e participam das negociações clandestinas de armas, munições e drogas
Por Ana Fernanda Freire
Publicado em 13/10/2026 09:30:00 Atualizado em 13/10/2026 10:16:57A Polícia Civil, em conjunto com a Corregedoria da Polícia Militar e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), realiza, nesta terça-feira (13), uma operação contra um esquema de tráfico de drogas e armas ligada à facção Comando Vermelho, que contava com a participação de policiais militares. A ação tem como objetivo cumprir mandados de prisão em endereços em Del Castilho e na Penha, na Zona Norte; em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense; e em Maricá, na Região Metropolitana.
Segundo as investigações, os agentes utilizavam a própria função para favorecer as atividades do grupo, inclusive por meio do repasse de informações privilegiadas e do envolvimento em negociações clandestinas de armamentos e munições.
Até o momento, três pessoas foram presas. Entre elas, Kauan Soares Omero, conhecido como "Serrão", e Leonardo Aguiar, conhecido como "da Nike", detidos em cumprimento de mandados de prisão. Já Kawan Cruzeiro da Cunha acabou preso em flagrante com uma pistola, um rádio comunicador e uma motocicleta roubada. Segundo as investigações, ele costumava exibir armas de fogo nas redes sociais.
"Os presos exerciam função de soldado, faziam a vigilância do território, mas também atuavam nesses transportes de aquisão de drogas para abastecer aquelas comunidades", explicou a delegada assistente da DRE, Iasminy Vergetti.
Outro alvo, o policial militar Eric da Silva Lobato, apontado como participante do esquema, é considerado foragido da Justiça. Os agentes chegaram a ir à residência do PM, mas não o encontraram.
A operação conta com a participação do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado do MPRJ.
Investigação começou em 2023
A investigação teve início em outubro de 2023, quando agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP), prenderam o então policial militar da ativa Yuri Luiz Desiderati Ribeiro, juntamente com Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como Kiko, durante o transporte de uma carga de mais de 100 quilos de cocaína na Avenida Brasil.
"Yuri era o cabeça dessa pirâmide, negociava o transporte dessas drogas, armas e munições para essa facção. Ele tinha uma ligação muito próxima, não só de uma subordinação de hierárquica, mas econôminca (...) Ele foi morto em meados desse ano, ele era muito íntimo das lideranças, não só um braço nessa logística, mas um braço financeira. Ele recebia uma espécie de comissão, a cada arma que ele conseguia, ele recebia ", acrescentou a delegada.
Ao longo das apurações, os agentes identificaram indícios de que o episódio não era um caso isolado. Segundo a DRE-CAP, os envolvidos integravam uma estrutura criminosa responsável pela aquisição, pelo transporte e pela distribuição de grandes quantidades de drogas e armamentos destinados ao Comando Vermelho (CV). O grupo atuava com divisão de tarefas e funções coordenadas entre seus integrantes.
De acordo com as investigações, Marcos Leandro desempenhava um papel importante na logística do tráfico, mantendo contato direto com lideranças do CV para viabilizar o transporte e o abastecimento de drogas em áreas dominadas pela facção.
A análise de dados telemáticos e as interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça apontaram que ele mantinha contato com Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista, atuando como elo entre diferentes integrantes da estrutura responsável pela distribuição de drogas.
Manoel foi identificado como uma das lideranças do CV no Complexo da Penha, que participava da articulação de atividades relacionadas à aquisição e à distribuição de drogas e armamentos, além de coordenar integrantes responsáveis pelo abastecimento da facção.
De acordo com as investigações, Marcos Leandro desempenhava um papel importante na logística do tráfico, mantendo contato direto com lideranças do CV para viabilizar o transporte e o abastecimento de drogas em áreas dominadas pela facção.
A análise de dados telemáticos e as interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça apontaram que ele mantinha contato com Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista, atuando como elo entre diferentes integrantes da estrutura responsável pela distribuição de drogas.
Manoel foi identificado como uma das lideranças do CV no Complexo da Penha, que participava da articulação de atividades relacionadas à aquisição e à distribuição de drogas e armamentos, além de coordenar integrantes responsáveis pelo abastecimento da facção.
Saiba quem são os denunciados
Entre os denunciados está o policial militar Eric da Silva Lobato, apontado como participante de um esquema de comércio ilegal de armas de fogo, munições e acessórios. Ele é considerado foragido da Justiça.
As investigações também identificaram Luciano Santos de Oliveira, conhecido como “Hot Wheels”, apontado como liderança do tráfico de drogas em diversas comunidades de São João de Meriti. Ele mantinha vínculos com integrantes da organização criminosa e recebia informações privilegiadas sobre operações policiais, repassadas pelo PM Yuri Luiz Desiderati Ribeiro.
Outros três denunciados, Paulo Victor Soares de Melo, Leonardo Aguiar da Silva e Kauan Soares Omero, conhecido como “Do Serrão”, foram identificados como integrantes do braço armado da facção. De acordo com as investigações, eles exerciam funções relacionadas à segurança de lideranças do tráfico e à vigilância territorial.
As investigações também identificaram Luciano Santos de Oliveira, conhecido como “Hot Wheels”, apontado como liderança do tráfico de drogas em diversas comunidades de São João de Meriti. Ele mantinha vínculos com integrantes da organização criminosa e recebia informações privilegiadas sobre operações policiais, repassadas pelo PM Yuri Luiz Desiderati Ribeiro.
Outros três denunciados, Paulo Victor Soares de Melo, Leonardo Aguiar da Silva e Kauan Soares Omero, conhecido como “Do Serrão”, foram identificados como integrantes do braço armado da facção. De acordo com as investigações, eles exerciam funções relacionadas à segurança de lideranças do tráfico e à vigilância territorial.
Morte de policial
Yuri Luiz Desiderati Ribeiro foi assassinado em 12 de julho de 2026, no Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. O policial militar foi atingido por diversos disparos quando chegava ao condomínio onde morava. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
Embora Yuri tenha sido um dos principais alvos da investigação que deu origem à operação, o assassinato não interrompeu as apurações. A partir das diligências, os investigadores conseguiram identificar outros envolvidos.
Segundo a Polícia Civil, o objetivo é responsabilizar não apenas os envolvidos diretamente no transporte e na comercialização de drogas e armas, mas também identificar e desarticular as redes que garantem o funcionamento e o abastecimento das organizações criminosas.
Embora Yuri tenha sido um dos principais alvos da investigação que deu origem à operação, o assassinato não interrompeu as apurações. A partir das diligências, os investigadores conseguiram identificar outros envolvidos.
Segundo a Polícia Civil, o objetivo é responsabilizar não apenas os envolvidos diretamente no transporte e na comercialização de drogas e armas, mas também identificar e desarticular as redes que garantem o funcionamento e o abastecimento das organizações criminosas.
"Isso não define a força de segurança pública. Então, toda vez que um agente agir contra os princípios da instituição, estaremos aqui para investigar e punir. É claro que vamos continuar investigando e, se houver outros indícios, seguiremos cumprindo nosso dever funcional. Essa investigação é muito importante porque reforça o compromisso da Polícia Civil não apenas de atuar, prender e investigar quem está diretamente envolvido no comércio, na venda e na aquisição de drogas, mas também de prender e tirar de circulação os fornecedores que abastecem as facções criminosas", destacou a delegada.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos citados. O espaço está aberto para eventuais manifestações.