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Conheça Márcio Canella e Marcus Amin, presos pela PF em operação

Deputado estadual eleito como o segundo mais votado no Rio e ex-secretário de Polícia Civil foram detidos na manhã desta quinta-feira (15)

Por Romulo Cunha

Publicado em 15/10/2026 12:48:46
Márcio Canella (esquerda) e Marcus Amim (direita) foram presos nesta quinta
O deputado estadual eleito como o segundo mais votado no Estado do Rio e um ex-secretário de Polícia Civil estão entre os presos da oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal, na manhã desta quinta-feira (15). A ação é resultado de uma investigação contra um grupo suspeito de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavagem de dinheiro.
Márcio Correia de Oliveira, conhecido como Márcio Canella (União Brasil), foi escolhido por 197.178 eleitores, no pleito desse ano, para retornar à Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj). Ele ficou atrás apenas da candidata reeleita Índia Armelau (PL).
A trajetória política de Canella, que é presidente estadual do União Brasil, começou em 2012, quando se elegeu vereador de Belford Roxo, cidade da Baixada Fluminense. No município, também foi prefeito, vice-prefeito e secretário de Serviços Públicos.
Em 2024, deixou a prefeitura para tentar disputar uma vaga no Senado nas eleições desse ano. No entanto, a estratégia eleitoral mudou e Canella desistiu da candidatura para tentar voltar à Alerj, conseguindo o que queria na votação do último dia 4.
Márcio ocupou o cargo de deputado estadual pela primeira vez em 2014. Entre anos na Prefeitura de Belford Roxo, retornou à Alerj em algumas oportunidades, onde cumpriu três mandatos consecutivos.
Preso nesta quinta-feira (15), Canella já havia sido detido em flagrante na sexta fase da Operação Unha e Carne por posse ilegal de arma de calibre restrito. Ele ficou três dias custodiado até ganhar liberdade para cumprir medidas cautelares. Contudo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou a decisão e o político deixou de usar tornozeleira eletrônica, não precisando cumprir recolhimento domiciliar noturno, bem como nos fins de semana.
A reportagem entrou em contato, por WhatsApp, com a assessoria de Canella, que informou que ainda não tem um posicionamento sobre a prisão desta quinta.

Ex-secretário de Polícia Civil

 
O delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil, também foi detido nesta quinta. Natural de Niterói, cidade Região Metropolitana do Rio, e formado em Direito, em 2003, pela Universidade Federal Fluminense (UFF), ele tem mais de 20 anos na Polícia Civil. Como delegado titular, comandou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), a Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) e a 27ª DP (Vicente Carvalho).
Em junho de 2023, assumiu a presidência do Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ). Quatro meses depois deixou o cargo para assumir o posto de secretário de Polícia Civil. Isso apenas foi possível após a Alerj aprovar um Projeto de Lei que modificou a Lei Orgânica da corporação.
A alteração permitiu que a corporação seja comandada por delegados que estejam há 15 anos na instituição, independentemente do cargo. Anteriormente, a legislação previa que o comando fosse exercido somente por quem ocupa o cargo de delegado há 15 anos. Na época, apesar de já estar há 21 anos na corporação, Amim era delegado há 12 anos, e não poderia assumir a pasta com a legislação anterior.
Marcus foi exonerado em setembro de 2024. No mesmo mês, assumiu o Departamento de Segurança da Alerj. Ele ficou pouco mais de um ano na Casa até ser exonerado, em dezembro de 2025.
O delegado já recebeu, em 2018, a Medalha Tiradentes, concedida pela Alerj, e a Medalha José Clemente Pereira, em 2021, pela da Câmara dos Vereadores de Niterói. Na Polícia Civil, Amim também ganhou como reconhecimento pelos bons serviços prestados a Medalha de Fidelidade, em 2020, a Medalha de Honra, em 2019, e a Medalha de Devotamento, em 2018.
Antes de ser detido nesta quinta-feira (15), Amim também havia sido alvo da sexta fase da Operação Unha e Carne, assim como Canella, em julho desse ano.
A reportagem ainda não localizou quem faz a defesa do delegado. O espaço está aberto para manifestação.

Operação

 
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (15), a oitava fase da Operação Unha e Carne, contra um grupo suspeito de utilizar uma rede de postos de combustíveis, na Região Metropolitana do Rio, para lavagem de dinheiro.
De acordo com a PF, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que a organização investigada movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
Além de Canella e Amim - que foram detidos, respectivamente, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, e em Niterói, na Região Metropolitana - policiais federais prenderam outras quatro pessoas, incluindo policiais civis. Todos os seis alvos estavam com mandados de prisão preventiva em aberto.
As equipes também foram às ruas para cumprir 16 mandados de busca e apreensão na cidade do Rio; em Niterói e São Gonçalo, na Região Metropolitana; Angra dos Reis, na Costa Verde; Petrópolis, na Região Serrana; Armação dos Búzios, na Região dos Lagos; e em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
As investigações descobriram que a organização investigada conta com a participação de agentes públicos e tem uma articulação política-institucional. A Justiça determinou o sequestro de bens e valores de suspeitos, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede de lavagem de dinheiro. Do total, 96 são postos de combustíveis.
Além do crime de organização criminosa armada, os investigados ainda podem responder, na medida de suas responsabilidades, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações.
Em nota, a Polícia Civil informou que a Corregedoria-Geral da corporação participou da operação, em apoio à Polícia Federal. A instituição destacou que não compactua com desvios de conduta de seus funcionários.

"A Polícia Civil não compactua com qualquer desvio de conduta e adota, de forma rigorosa, as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de indícios de irregularidades. A instituição mantém atuação integrada com outras forças de segurança e órgãos de controle, respeitando as atribuições de cada instituição, para garantir a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, quando cabível", disse.