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Tarcísio admite necessidade de 'rever procedimentos' após PM matar 3 pessoas em surto

Por Agencia Estado

Publicado em 16/10/2026 18:39:12

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu nesta sexta-feira, 16, a necessidade de rever os procedimentos da Polícia Militar três pessoas em situação de surto serem mortas durante abordagem policial.

Ele anunciou que se reunirá com o comando da PM na próxima semana para revisar protocolos e treinamentos, com o objetivo de evitar excessos.

"A gente tem conversado e esses casos nos fizeram refletir sobre os procedimentos. Então, a gente vai ter uma reunião com o comando da Polícia Militar já semana que vem para revisar procedimento e treinamento, para impedir que excessos aconteçam", afirmou o governador.

Segundo Tarcísio, as circunstâncias de cada morte estão sendo investigadas separadamente para esclarecer o que motivou a reação dos policiais envolvidos. O governador ressaltou que há situações em que os agentes enfrentam ameaças à própria vida, mas reconheceu a necessidade de avaliar a atuação da corporação.

"O policial está ali e tem que defender a sua própria vida também. [...] A polícia tem que proteger a sociedade. Então, a gente está atento a esta questão e a gente vê a necessidade, sim, de rever procedimento", acrescentou.

A declaração ocorre após a morte de uma mulher que apresentava comportamento alterado e estava com uma faca, na tarde de quinta-feira, 15, em Pirituba, na zona norte de São Paulo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ela foi baleada por um policial militar.

O protocolo para esse tipo de ocorrência estabelece que os policiais devem priorizar o diálogo e a preservação da vida. Sempre que possível, a orientação é acionar equipes especializadas e profissionais de saúde.

O procedimento também prevê que a resposta policial considere as circunstâncias de cada caso. Diante de uma ameaça iminente à vida dos agentes ou de terceiros, pode haver necessidade de intervenção imediata, inclusive com o uso de arma de fogo como último recurso, respeitados os critérios de necessidade e proporcionalidade.

Em nota, a SSP afirmou que não tolera desvios de conduta e informou que o policial responsável pelo disparo contra a mulher, no Parque São Domingos, foi preso em flagrante e encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela investigação.

"Um inquérito foi aberto e terá acompanhamento da Corregedoria da PM. O local foi preservado pelas equipes da Polícia Militar até a chegada de equipes do Instituto de Criminalística e Instituto Médico Legal. A arma do policial foi apreendida para ser periciada", informou a secretaria.

2 mortes, ao menos 51 disparos

Outros dois casos de morte durante abordagem ocorreram nas últimas semanas. Antônio Nunes Batista, de 40 anos, foi baleado e morto na Vila Dionísia, zona norte de São Paulo, após a PM atirar 24 vezes.

Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi morto com 27 tiros após policiais efetuarem 45 disparos no último sábado, em Moema, na zona sul.

No caso de Gustavo, um vídeo de câmera de segurança registrou a abordagem. As imagens mostram o jovem se movimentando até se esconder atrás de uma parede enquanto os policiais se aproximam. Em seguida, Gustavo pega o celular e o aponta na direção dos agentes antes de ser baleado. Pelo menos seis policiais aparecem nas imagens no momento dos disparos.

Em coletiva de imprensa na terça, 13, o secretário da Segurança Pública de SP, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que a abordagem a Gustavo foi uma ação legítima e não desrespeitou os protocolos da corporação.

Segundo o boletim de ocorrência, obtido pelo Estadão, quatro policiais efetuaram 45 disparos, dos quais 27 atingiram Gustavo. Todos os tiros foram feitos com pistolas calibre .40 da corporação. As quatro armas utilizadas pelos agentes e o celular da vítima foram apreendidos para perícia.

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