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Supremo mantém prisões de Márcio Canella e Marcus Amin

Outros quatro suspeitos também permanecerão detidos; grupo será encaminhado ao Complexo Penitenciário do Gericinó, em Bangu

Por Manuella Viégas

Publicado em 16/10/2026 19:06:57
Márcio Canella (esquerda) e Marcus Amim (direita) foram presos na oitava fase da Operação Unha e Carne
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter, nesta sexta-feira (16), as prisões do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), do delegado e ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim, Pablo Jukiá Felix Ferreira, José Carlos Alves de Souza Júnior, Giovanni Gaspar Fernandes e Christiano Gaspar Fernandes. Eles foram detidos na oitava fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, nesta quinta-feira (15). O grupo é suspeito de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavagem de dinheiro.

Agora, eles seguem para o Complexo Penitenciário do Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. O grupo deve ser alocado na Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, conhecida como Bangu 8.

Segundo a Polícia Federal, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que a organização movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. As investigações descobriram que o grupo contava com a participação de agentes públicos e tinha uma articulação político-institucional.

De acordo com a PF, Canella integra o núcleo político e institucional da quadrilha. Ele é apontado como o patrono político e articulador de alto escalão do grupo, exercendo papel de ligação entre os integrantes do núcleo econômico, agentes públicos e estruturas políticas.
Ao todo, durante a oitava fase da operação, foram apreendidos 20 veículos de luxo, ⁠14 celulares, ⁠49 joias e relógios de luxo, ⁠cerca de R$ 90 mil em espécie, ⁠33 armas e munições, ⁠mídias e eletrônicos; e ⁠documentos diversos.

Ligação com o Comando Vermelho e milícias

O político, que era prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, também é investigado pela PF sob suspeita de atuar como articulador entre integrantes do Comando Vermelho e de milícias no Rio de Janeiro. Canella é apontado como intermediário de acordos com criminosos para a retirada de barricadas em áreas dominadas pelo tráfico. Em troca, segundo as apurações, haveria um compromisso de reduzir as operações da Polícia Militar nessas regiões após a realização de obras públicas.

De acordo com a PF, áudios obtidos durante as investigações indicam que o capitão da Polícia Militar Alessander Ribeiro Estrella Rosa atuava como intermediário entre a gestão municipal comandada por Canella e lideranças do CV, entre elas Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, e José Severino da Silva Júnior, o Soró.

Segundo os investigadores, o acordo previa que traficantes retirassem barricadas para permitir a execução de obras de urbanização. A Prefeitura de Belford Roxo, por sua vez, teria a possibilidade de divulgar as intervenções como realizações da gestão. Em contrapartida, conforme a investigação, as forças de segurança reduziriam as incursões policiais durante as obras e, após a conclusão dos trabalhos, os criminosos retomariam o controle das áreas sem novos confrontos.

A PF também aponta suspeitas de aproximação política entre Canella e grupos de milicianos. Segundo a investigação, o deputado eleito teria nomeado para cargos na Prefeitura de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, ex-vereadores investigados por supostas ligações com milícias.

Imóveis de alto padrão

Durante as buscas pelos suspeitos, os agentes encontraram uma mansão na Região Serrana do Rio, uma cobertura de frente para o mar na Região Metropolitana e uma residência de alto luxo com píer para barcos na Costa Verde Fluminense.

Em Angra dos Reis, na Costa Verde Fluminense, agentes fizeram buscas na casa do inspetor Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. De acordo com as investigações, ele é integrante do núcleo financeiro e de lavagem de dinheiro do grupo, sendo o principal operador econômico da quadrilha, exercendo controle de uma extensa rede de postos de combustíveis, formalmente registrada em nome de terceiros, e usando essas empresas para ocultar o patrimônio, movimentar recursos ilícitos e lavar dinheiro.

Em Camboinhas, bairro de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, as equipes estiveram em uma cobertura avaliada em R$ 22 milhões. O apartamento fica de frente para o mar. No mesmo bairro, houve a apreensão de R$ 40 mil em espécie, que estavam escondidos em um armário.

Em Itaipava, distrito de Petrópolis, na Região Serrana, policiais localizaram um mansão pertencente a José Carlos Alves de Souza Júnior. As apurações identificaram como gestor operacional e financeiro do grupo, responsável pelo controle da arrecadação e distribuição de valores entre os integrantes. Documentos apreendidos durante as investigações mostraram que o inspetor passou dinheiro para membros da organização.

A residência tem academia própria, piscina e vista para a serra. O imóvel, localizado em um condomínio, possui um campo de futebol, uma quadra de areia, piscina e um píer para estacionamento de barcos.
Procurada, a defesa de Márcio Canella ainda não se pronunciou sobre as acusações e a prisão. O DIA ainda não localizou as defesas dos outros suspeitos citados no texto. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.