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Polícia apura procedimentos irregulares em clínica de Nova Iguaçu

Segundo as investigações, profissionais sem registro necessário fizeram intervenções estéticas; pacientes relataram dores

Por Romulo Cunha

Publicado em 22/10/2026 09:27:00 Atualizado em 22/10/2026 10:01:00
Supostas irregularidades são apuradas pela 52ª DP (Nova Iguaçu)
Policiais civis realizaram, na manhã desta quinta-feira (22), uma operação contra uma clínica de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, suspeita de realizar procedimentos estéticos invasivos de forma irregular. Segundo as investigações, o espaço usa profissionais sem o registro necessário.
As apurações da 52ª DP (Nova Iguaçu) começaram no dia 5 de outubro quando os agentes receberam uma denúncia de irregularidade no estabelecimento. Na ocasião, as equipes fizeram uma busca e apreenderam 16 ampolas de um medicamento controlado utilizado para sedação.
Uma das pacientes relatou ter sido submetida a um procedimento anunciado como hidrolifting. No caso, ela teve a gordura retirada do abdômen e aplicada nos glúteos. A mulher contou que a intervenção foi feita por um profissional que ainda não havia se formado. A vítima também afirmou que recebeu sedativos, tendo desmaiado três vezes durante o atendimento.
"Diante da denúncia, a gente verificou que o que elas estavam fazendo poderia ser uma lipoaspiração e não o procedimento não invasivo que eles divulgavam. Com base nisso, a gente pediu a busca e apreensão para evitar novas ocorrências com novos pacientes. A lipoaspiração só pode ser feita por médicos. A vítima que veio aqui relata que fez esse procedimento com uma profissional, que já foi ouvida e que é estudante de biomedicina. Ela não é formada ainda", explicou a delegada Kely Goularte, titular da 52ª DP.
De acordo com a Polícia Civil, a mesma paciente relatou complicações de um outro procedimento estético, incluindo dores e nódulos na região dos glúteos. Um exame de corpo de delito confirmou a existência de lesões corporais.
Nas investigações, os policiais identificaram publicações de um perfil, que tem mais de 13 mil seguidores no Instagram, que divulga a clínica. A página compartilha imagens de diferentes procedimentos e diz que tem parcerias com cirurgiões e especialistas da área de estética. No catálogo de vendas do WhatsApp, há mais de 15 exemplos de procedimentos.
Os agentes também conseguiram mensagens de um grupo de clientes, que relataram sentir dores intensas durante os procedimentos.
A 52ª DP investiga o possível uso indevido dos dados de um profissional, apresentado como responsável técnico do estabelecimento. Em depoimento, ele negou ter autorizado a utilização de seu nome e de seu carimbo.
Nesta quinta-feira (22), as equipes da distrital estiveram na casa de uma fisioterapeuta apontada como responsável pela clínica. No local, apreenderam medicamentos e ampolas.
Os policiais também fizeram buscas no próprio estabelecimento, localizado em um prédio comercial no Centro de Nova Iguaçu. No endereço, encontraram materiais para lipoaspiração, intervenção que exige ambiente e estrutura adequada para realização.
"Conseguimos pegar inúmeros medicamentos controlados e também cânulas que, supostamente, são usadas na lipoaspiração. Vamos enviar essas cânulas para o Conselho Regional de Medicina para saber realmente se são realizadas em procedimentos estéticos", disse Goularte.
Conforme o apurado pelos investigadores, os procedimentos eram feitos por uma estudante de biomedicina e por uma fisioterapeuta, qualificações não aceitas para as intervenções analisadas. A delegada solicitou à população uma procura melhor sobre os profissionais escolhidos para os procedimentos.
"Busquem profissionais qualificados para isso e verifiquem os métodos não invasivos. Todo mundo sabe como é uma lipoaspiração, ainda que mude o nome. Esses procedimentos estéticos não deixam lesões em seu corpo. Se você fez algum tipo de procedimento que deixou seu corpo com marcas ou cicatrizes, aí tem algo errado. Busque o seu direito", completou.
A Polícia Civil apura possíveis crimes de exercício ilegal da medicina, lesão corporal, exposição da vida ou saúde de terceiros a perigo, falsidade documental e crimes contra as relações de consumo.
As investigações seguem para identificar outras possíveis vítimas e esclarecer a responsabilidade dos envolvidos.
A reportagem tenta localizar a defesa da clínica. O espaço está aberto para manifestação.