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Casal suspeito de envolvimento na morte de jovem em MG tem prisão preventiva decretada

Por Agencia Estado

Publicado em 23/10/2026 14:49:16

A Justiça de Minas Gerais converteu em preventiva a prisão de Samuel Castro Melo, de 18 anos, e de Carla Luiza da Silva, de 23, suspeitos de envolvimento na morte de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos. O corpo da vítima foi encontrado na quinta-feira, 22, na zona rural de Jaboticatubas, na região metropolitana de Belo Horizonte.

A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada na tarde de quinta-feira, 22, na comarca de Jaboticatubas. Na ocasião, o juiz homologou o auto de prisão em flagrante lavrado pela Delegacia Especializada de Localização de Pessoa Desaparecida da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e converteu as prisões em preventivas.

Segundo o magistrado, a medida foi adotada para garantir a ordem pública, assegurar a aplicação da lei penal e atender à conveniência da instrução criminal.

O advogado Dracon Cavalcante, representante legal de Melo, afirmou que irá aguardar o avanço das investigações.

A advogada Tatiany Barbosa, responsável pela defesa de Carla, afirmou que a cliente é inocente e considerou "desproporcional" a decretação da prisão preventiva.

Segundo a defesa, Carla é primária e poderia responder ao processo em liberdade, eventualmente sob medidas cautelares, uma vez que não haveria justificativa concreta para a manutenção da prisão.

Vítima estava desaparecida há 12 dias

Em entrevista coletiva na quinta-feira, 22, a delegada Anala Lelis, da Delegacia de Jaboticatubas, afirmou que, na noite do dia 9 de outubro, quando desapareceu, Beatriz estava em um bar na cidade com alguns amigos.

Segundo o delegado Alexandre Fonseca, da Divisão Especializada de Referência à Pessoa Desaparecida, uma câmera de monitoramento registrou o momento em que um carro parou a alguns metros do bar.

O delegado afirmou que três pessoas estavam no carro: Melo, ex-namorado de Beatriz; Carla, atual namorada dele; e uma adolescente que não foi identificada.

As testemunhas relataram aos policiais que Beatriz recebeu uma ligação de um número desconhecido, mas que, pelo teor da conversa, identificaram que o ex-namorado dela estava do outro lado da linha.

Segundo Anala, após receber a ligação, a vítima foi em direção a uma rua de terra e, depois, retornou ao bar. As testemunhas disseram aos policiais que Beatriz voltou para a rua de terra, mas, antes de deixar a mesa, avisou que, caso não voltasse em cinco ou dez minutos, eles deveriam procurar por ela.

Quando a jovem não retornou, os amigos tentaram localizá-la, mas não tiveram sucesso. No mesmo dia, eles comunicaram o desaparecimento à família e à Polícia Civil.

A investigação

Fonseca afirmou que os três ocupantes do carro foram ouvidos, mas que havia contradições nos depoimentos. Na quarta-feira, 21, os policiais decidiram procurar o pai da adolescente, que conversou com a menina e a convenceu a colaborar com a investigação.

"Ela demonstrou muito medo dos demais autores, mas colaborou e indicou para nós a região onde o corpo estava desovado", disse Fonseca. Segundo ele, o corpo estava em uma região conhecida como "loteamento dos portugueses", onde está sendo construído um condomínio de alto padrão.

Um dos investigadores identificou uma área com terra remexida e muitas moscas. Os policiais já haviam levado equipamentos para escavação e localizaram o corpo, com as mãos e os pés amarrados, em uma cova de profundidade baixa a média.

O Corpo de Bombeiros chegou a ser acionado pela Polícia Civil para auxiliar na retirada do corpo, mas não precisou intervir.

Os agentes também localizaram um chinelo e uma capa de celular que pertenciam a Beatriz. O irmão da vítima confirmou a identidade dela após ver uma foto de uma tatuagem extensa na perna, identificada por uma perita.

Melo e Carla foram presos em flagrante na noite de quarta-feira, 21, e os celulares deles foram apreendidos. Segundo Fonseca, Melo afirmou em depoimento que a adolescente era responsável pela "mentoria, dinâmica e execução" do crime. Ele também disse que Carla não teria participado da ação.

O delegado afirmou que a adolescente disse ter ficado dentro do carro e não ter participado da dinâmica do crime. Ela teria percebido algo de errado quando Beatriz não retornou para o veículo.

O caso é investigado como feminicídio. Segundo o delegado, a motivação identificada até o momento seria uma desavença entre Carla e Beatriz.

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