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Famílias vão às urnas no Rio: 'Votar junto é indescritível'
Eleitores compareceram a diferentes locais do estado neste domingo (25); escolhas políticas também geraram debates dentro dos lares
Por Mylena Moura, Ana Fernanda Freire, Alexia Gomes
Publicado em 25/10/2026 12:56:10O segundo turno para a presidência da República - com os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), levaram eleitores às urnas no Rio, neste domingo (25), acompanhados de familiares. O voto, inclusive, gerou debate dentro das casas dos cariocas.
O DIA esteve na Rede de Ensino EEEPV, Rua Irapuá, 243, Penha Circular, na Zona Norte, que substituiu o local de votação que ficava na Rua Muaná, 105, em Brás de Pina, devido problemas estruturais. Junto com a mãe, Michele Gonçalves, de 44 anos, Kaylane Gonçalves, de 23, criticou o candidato do Partido Liberal, ao falar sobre a diferença do voto das duas em relação ao seu pai:
"Eu não admito pessoas votarem no Bolsonaro sendo que precisam de vários benefícios que o governo Lula ajudou, entre outras coisas. Sendo que vão votar em um candidato que não tem nenhuma proposta direito, que ficou anos no senado e não fez nada. [Não tem] nenhum projeto aprovado e nada de bom", disse a estudante, que complementou:
"Eu acho ridículo, porque infelizmente a minha mãe foi diagnosticada com câncer de mama. E, para quem não sabe, o pai do Flávio Bolsonaro, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cortou as verbas para o tratamento de câncer."
Michele, no entanto, afirmou que "não entra em debate político". "Sou assistente social e trabalho com políticas sociais. E vejo o que um candidato faz e o outro nunca fez. Mas quem sou eu para tentar mudar a cabeça de alguém?", refletiu ela.
Vinicius Nascimento Correa, de 45 anos, contou que também prefere aceitar as diferenças, que faz parte da democracia. "O clima [entre a família] é esperando o melhor. E, que quem vencer, faça o melhor pelo nosso país. Porque independente de qualquer coisa, somos brasileiros e esperamos sempre um representante que possa fazer o melhor para o povo. É democracia, temos que aceitar as escolhas de todo mundo."
Ao lado do filho, Teo Correa, que ainda não tem idade para votar, o assistente social falou sobre a importância de transmitir a importância das eleições para o pequeno. "Sempre tive essa orientação dos meus avós e pai, então, acho importante passar isso para ele."
Na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel, na mesma região, Sandra, de 73, foi votar acompanhada do filho, Luiz Galhardi, de 41. Eles revelaram divergências políticas que tiveram no passado com outro membro da família. "Há muitos anos meu pai petista já tinha entendido que não tinha muito como defender aquela posição, então ele aceitou ficar com o voto dele para ele, neutro. Mas no resto, a gente gente tem um pouco mais de cérebro na família e todo mundo pensa bem", disparou o analista de sistemas.
Sandra, que não votou no primeiro turno devido uma hospitalização, complementou: "Família organizada e estruturada não pode votar na esquerda, né? [Meu marido] faleceu esse ano. Mas é menos um voto para o 13", afirmou ela, aos risos, mencionando o número de Lula.
A reportagem também esteve no Instituto Cultural Amendoeira, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Patricia Lopes, de 51 anos, levou o pai, Adalberto Oliveira, de 92, que fez questão de votar. A empreendedora ressaltou que a consciência política foi um dos princípios que apreendeu com ele:
"Estar em família e votar junto é indescritível. Na verdade, ele sempre conversou comigo, desde os meus 10 anos, desde a Diretas Já, a redemocratização. Então, ele me ensinou a ter uma consciência crítica para poder escolher o que fosse melhor para mim e para a sociedade", disse ela.
Mudança no local de votação
A mudança no local de votação em Brás de Pina não foi a única. No Jardim Sulacap, a Escola Municipal Visconde de Porto Seguro, localizada na Rua Teófilo Guimarães, 604, sofreu com uma infestação de pulgas e precisou transferir dez seções para o Colégio Marques Rodrigues, na Rua Pacífico Pereira, 289, no mesmo bairro. A alteração afetou as seções 145, 146, 147, 148, 149, 150, 151, 152, 153 e 154.