IESS: Número de contratantes de planos de saúde empresariais cresce 60,7% de 2020 a 2025
Por Agencia Estado
Publicado em 27/10/2026 16:15:48O número de contratantes de planos coletivos empresariais médico-hospitalares cresceu 60,7% entre 2020 e 2025, enquanto a quantidade de beneficiários avançou 20,2% no período. Com isso, a média de beneficiários por contratante caiu de 20,5 para 15,3, segundo estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). O levantamento aponta uma pulverização da estrutura de contratação dos planos de saúde no Brasil, em paralelo à diversificação das formas de inserção no mercado de trabalho.
Em 2025, os contratantes com um a quatro vínculos de trabalhadores representavam 88,7% dos contratantes classificados por porte, ante 84% em 2020. O grupo reunia 18,2% dos beneficiários, proporção superior aos 14,3% registrados cinco anos antes. Na outra ponta, os contratantes com mil vínculos ou mais correspondiam a pouco mais de 0,1% do total, mas concentravam 40,4% dos beneficiários em 2025.
A participação de beneficiários em contratos empresariais com menos de 30 vidas também aumentou, passando de 15,7% em 2014 para 28,5% até maio de 2026. Apesar do avanço dos contratos menores, aqueles com 2 mil vidas ou mais ainda concentravam 31,5% dos beneficiários no período.
O estudo destaca também que os planos coletivos empresariais continuam sendo a principal modalidade de acesso à saúde suplementar. Em junho de 2026, 38,8 milhões dos 53,1 milhões de vínculos médico-hospitalares estavam nessa categoria, equivalente a 73,1% do total. Em março de 2012, a participação era de 63,2%, aumento de 9,9 pontos porcentuais em pouco mais de 14 anos.
Essas mudanças ocorrem em um mercado de trabalho que combina expansão do emprego formal e crescimento de outras formas de ocupação. Entre o segundo trimestre de 2019 e o mesmo período de 2026, o número de empregados do setor privado com carteira assinada aumentou 16,8%, para 39,4 milhões. A população ocupada cresceu 11,2%, para 103,1 milhões, enquanto o contingente de trabalhadores por conta própria avançou 10,8%, para 26,1 milhões.
Os dados do estudo não sustentam a hipótese de substituição generalizada do emprego formal por modalidades independentes de trabalho. O estudo ressalta, porém, que a expansão do trabalho por conta própria, dos microempreendedores individuais (MEIs) e da atuação por pessoa jurídica ocorre simultaneamente ao aumento dos pequenos contratantes de planos de saúde. As bases utilizadas não permitem estabelecer uma relação causal direta entre esses fenômenos.
O levantamento aponta também mudanças no perfil etário dos beneficiários. Entre dezembro de 2000 e junho de 2026, o número de vínculos de pessoas com 60 anos ou mais passou de aproximadamente 3,3 milhões para 8,3 milhões, enquanto sua participação no total aumentou de 10,7% para 15,6%. Já a parcela de beneficiários de 15 a 29 anos recuou de 24,4% para 19,1%, embora o número absoluto tenha crescido de 7,5 milhões para 10,2 milhões.
Segundo o estudo, a maior presença de contratos de menor porte, a diversificação das trajetórias profissionais e o envelhecimento da população reforçam a importância de acompanhar a composição das carteiras, os reajustes, a permanência dos beneficiários nos planos e os padrões de utilização dos serviços. O IESS ressalta que os dados disponíveis não permitem concluir que as mudanças no mercado de trabalho estejam alterando diretamente o perfil etário ou a sustentabilidade das carteiras de saúde suplementar.
Para o Superintendente executivo do IESS, Denizar Vianna, o mercado de planos de saúde vem crescendo pouco nos últimos anos, mas pode destravar um avanço maior com mudanças regulatórias que permitam a chegada de novos modelos, a exemplo dos cartões de desconto, que têm particularidades em relação aos convênios tradicionais. "A percepção é que em termos de quem tem acesso à saúde suplementar, bateu no teto. Precisa mudar o modelo regulatório para trazer uma nova camada", disse ele à Broadcast.
A modalidade dos cartões de desconto deve ter uma regulação específica formatada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O órgão abriu consultas públicas sobre o tema e pretende esboçar um modelo a ser aplicado ao segmento, após determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que atribuiu à agência a função de criar regras para esse mercado.