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PMs são condenados por delitos cometidos por novo Escritório do Crime

Grupo atuava sob ordens de lideranças da contravenção penal e mantinha estrutura voltada à prática de crimes violentos, como homicídios

Por Romulo Cunha

Publicado em 28/10/2026 10:18:58
Execução de Fábio Romualdo, ocorrida em 2021, foi atribuída ao novo Escritório do Crime
A Justiça do Rio condenou três policiais militares apontados como integrantes do novo "Escritório do Crime", um grupo que atuava sob ordens de lideranças da contravenção e mantinha uma estrutura voltada para a prática de crimes violentos, como homicídios e sequestros, além da venda clandestina de munições e de armas.
O segundo sargento Bruno Marques da Silva, o Bruno Estilo, foi condenado a 63 anos de prisão, em regime inicial fechado, bem como pelo pagamento de 168 dias-multa, por integrar a organização criminosa. Ele - preso em dezembro de 2022 - estaria envolvido em, ao menos, dois homicídios.
O capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa - conhecido como Tenente Alessander - e o cabo Diogo Briggs Climaco das Chagas - o Briggs - cumprirão penas de 27 anos de prisão, também em regime fechado, e pagarão 44 dias-multa, por crimes relacionados ao comércio ilegal de armas.
A sentença, do último dia 21, determinou a exclusão de Bruno e de Diogo dos quadros da Polícia Militar após o trânsito em julgado. A eventual perda do posto e da patente de Alessander ainda seria analisada, mas ele já estava afastado.

Novo "Escritório do Crime"

As investigações identificaram conversas, áudios, imagens e registros de negociações envolvendo armas de fogo de grosso calibre, carregadores e de munições, inclusive de equipamentos apreendidos em operações da Polícia Militar. As mensagens extraídas de contas vinculadas aos investigados revelaram uma estrutura criminosa com divisão de tarefas e vínculos com integrantes ligados à milícia.
A denúncia apontou que o ex-policial militar Thiago Soares Andrade Silva, conhecido como "Ganso", "Batata" ou "Soares", como o responsável por encomendar assassinatos. Outros integrantes seriam encarregados do planejamento, do monitoramento das vítimas e da execução dos homicídios.

Entre os assassinatos descritos na denúncia estão os de Fábio Romualdo Mendes, ocorrido no bairro Vargem Pequena, na Zona Sudoeste do Rio, em setembro de 2021, e de Neri Peres Júnior, executado em Realengo, na Zona Oeste, no mês seguinte. De acordo com o Ministério Público do Rio (MPRJ), os dois crimes foram cometidos em plena luz do dia, com diversos tiros, e teriam sido planejados pelo monitoramento e por tentativas de emboscada.
Neri foi morto a tiros de fuzil e de pistola em 4 de outubro de 2021, por volta das 12h50, em uma área de grande circulação de pessoas. A denúncia relata que o grupo monitorou a vítima e realizou diligências para assassiná-la em pelo menos quatro ocasiões, frustradas por diferentes motivos.
Bruno Estilo, Rodrigo Oliveira Andrade de Souza e Anderson Oliveira Reis Viana, conhecido como “Papa” ou “2P”, são apontados como participantes da execução. André Costa Bastos, o “Boto”, teria auxiliado os três comparsas e fornecido armamentos. Mesmo preso, o homem supostamente coordenava a logística de armazenamento e disponibilização de armas e munições.
Fábio foi executado em 29 de setembro de 2021, por volta das 9h, na Estrada dos Bandeirantes, em Vargem Pequena. Ele dirigia seu carro quando criminosos o surpreenderam, atingindo o veículo com diversos tiros, sem possibilidade de defesa.
Segundo a denúncia, Thiago também teria encomendado esse assassinato, mobilizando Bruno, Anderson e Rodrigo para planejar o crime, monitorar a vítima e executá-la. O planejamento teria começado um mês antes, com diferentes tentativas de emboscada, incluindo uma em uma barbearia, que só não ocorreu porque Fábio não compareceu ao local.

Comércio ilegal de armas

A denúncia também detalhou a participação de Bruno, Alessander e Diogo em negociações clandestinas de armamentos. O primeiro é apontado tanto como participante do planejamento e da execução de homicídios quanto como negociador de armas, carregadores e munições. Os outros dois são acusados de fornecer material bélico ao grupo, inclusive armas que teriam sido desviados de apreensões policiais.
As conversas analisadas pelos investigadores indicaram negociações realizadas em diferentes ocasiões entre os policiais e integrantes da quadrilha.

Em relação a Alessander, o MPRJ sustentou que sua atuação não se limitava a transações pontuais: ele teria mantido vínculo estável com a organização, fornecendo armas e munições, além de receber pagamentos periódicos de R$ 500.
A denúncia também descreveu negociações atribuídas a Diogo em outubro e novembro de 2021. As provas reunidas incluem registros digitais, mensagens e outros conteúdos que demonstram a articulação entre os envolvidos.
A reportagem pediu um posicionamento para a Polícia Militar, em e-mail enviado às 7h33, mas ainda não recebeu retorno. O espaço está aberto para manifestação.
O O DIA não localizou a defesa dos condenados. O espaço também está aberto para manifestação.