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Temporada 2027 da Osesp tem conceito inspirado em Nietzsche e será dividida em 9 festivais

Por Agência Estado

Publicado em 29/10/2026 11:50:02

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) terá a filosofia como fio condutor de sua temporada de 2027 e convidará público e músicos a refletir a partir de nove festivais inspirados por Assim falou Zaratustra, obra clássica do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900).

A programação divulgada nesta quinta, 29, conta com 47 programas e 102 concertos na Sala São Paulo e na Estação Motiva Cultural, no centro da cidade. Eles estão distribuídos em nove festivais de três semanas de duração, cada uma inspirada por uma ideia presente no livro de Nietzsche.

Em coletiva de imprensa na terça, 27, Thierry Fischer, Diretor Musical e Regente Titular da Orquestra, afirmou que a proposta é que a temporada de 2027 seja mais do que apenas uma sucessão de concertos, mas sim uma espécie de viagem que desafie tanto os espectadores quanto os artistas.

"Concordamos que a ideia seria de ter um grande conceito, algo que não fosse um fato, mas sim uma grande questão", explicou o maestro suíço, à frente da Osesp desde 2020. Por conta disso, ele afirma que os discursos de Nietzsche foram escolhidos por ele antes de qualquer convite para compor a programação.

A temporada vai apresentar obras de 110 compositores, incluindo seis novas peças encomendadas pela Osesp. Serão mais de 60 artistas convidados, incluindo os regentes Vasily Petrenko e Oksana Lyniv e os pianistas Kirill Gerstein, Nikolai Lugansk e Bertrand Chamayou.

O pianista canadense Jan Lisiecki, cuja relação próxima com a Osesp data desde 2012, é o Artista em Residência da Temporada. Aos 31 anos, ele é considerado um dos maiores pianistas de sua geração e apresentará, em dois momentos da Temporada, os Concertos para piano nº 9 e nº22 de Mozart ao lado da Osesp na Sala São Paulo. Ele também fará um recital solo na Estação Motiva Cultural.

A abertura da temporada será com A Criação, de Haydn, parte do festival Nascido do Caos, que ocorre de 4 a 20 de março. A programação conta ainda com A Sinfonia nº 7, de Mahler, e a estreia mundial de Mithra, encomenda da Osesp para a compositora Juliana Ripke. Março também marca o centenário de Tom Jobim (1927-1994), celebrado com Brasília: Sinfonia da Alvorada, de Vinicius de Moraes.

Outras duas efemérides serão celebradas durante a temporada, os 200 anos da morte de Beethoven (1770-1827) e os 140 anos de Heitor Villa-Lobos (1887-1959). O compositor alemão, em específico, será homenageado por Kirill Gerstein, que apresenta a integral dos concertos para piano do compositor, em abril, no festival Ressurreições. Outro destaque do mês é a estreia mundial de Alma, encomenda da Osesp a Michelle Agnes.

Já o coração da Temporada, para Fischer, é o festival Torna-te quem és, de 1º a 17 de julho, cuja inspiração é na ideia do retorno à própria essência. O programa terá Uma vida de herói, de Richard Strauss, a Sinfonia nº 3 "Eroica", de Beethoven, e Carmina Burana, de Carl Orff, além da estreia de obra inédita de Marcos Balter, também encomenda da Osesp.

A preocupação com o humano e a experiência coletiva parece ter sido um guia na construção da Temporada. "Estar em uma sala de concerto é mais do que ouvir música, é estar com outras pessoas e desacelerar. É exercer a nossa humanidade", disse Marcelo Lopes, Presidente e CEO da Fundação Osesp.

A expectativa é de que a conexão com a filosofia também possa atrair um novo público à Sala São Paulo. Segundo Lopes, 70% das vendas dos concertos vem do programa de assinaturas da Osesp, cuja renovação das Séries Fixas tem início nesta quinta, 29, às 14h.

O festival de encerramento da Temporada será com O eterno retorno, de 28 de outubro a 18 de dezembro (não haverá concertos em novembro), quando o conceito encontra sua inspiração musical direta em Assim falou Zaratustra, de Strauss. A volta ao início também será marcada por Haydn, desta vez com a Sinfonia nº 47 (Palíndromo). Haverá, ainda, a Sinfonia nº 8 (Sinfonia dos mil), de Mahler, e o Messias, de Händel.

Os nove festivais da Temporada Osesp 2027

As descrições são da Fundação Osesp.

Nascido do caos | 4 a 20 de março

Tudo começa do nada: do silêncio e da desordem. A Criação, de Haydn, que abre a temporada, começa justamente com uma célebre representação musical do caos antes do surgimento da luz. A Sinfonia nº 7, de Mahler, faz o percurso da noite ao amanhecer, e Mithra, de Juliana Ripke, encomenda da Osesp, tem sua estreia mundial. No centenário de Tom Jobim, Brasília: Sinfonia da Alvorada, escrita com Vinicius de Moraes para a inauguração da nova capital, celebra o nascimento de uma cidade.

Ressurreições | 1º a 17 de abril

Não se trata de ressurreição no sentido religioso, mas da capacidade humana de se reerguer depois de perdas, traumas e certezas que se desfazem. O Concerto para violino de Schumann passou mais de oito décadas esquecido antes de sua estreia, em 1937. Nos 200 anos da morte de Beethoven, o pianista Kirill Gerstein rege do piano a integral dos concertos para piano do compositor, ao lado da estreia mundial de Alma, de Michelle Agnes, também uma encomenda da Osesp. O festival se completa com Morte e transfiguração, de Richard Strauss, e Totenfeier, de Mahler, poema sinfônico que renasceria como o primeiro movimento da Sinfonia nº 2 "Ressurreição".

Dançar com o mundo | 6 a 22 de maio

Contraponto mais leve da Temporada, o festival trata a dança como celebração, mas também como uma forma de se mover, com consciência, em um mundo cheio de dificuldades. Maracatu de Chico Rei, de Francisco Mignone, Jeux, de Debussy, Bolero, de Ravel, The Chairman Dances, de John Adams, e as Danças eslavas, de Dvorák, mostram como diferentes épocas e culturas transformaram o movimento em música.

Triunfo | 3 a 19 de junho

Aqui, triunfo é conquista depois de uma luta real, não vitória fácil. Em Tasso, lamento e triunfo, Liszt retrata o poeta Torquato Tasso, que sofreu em vida e foi reconhecido depois da morte. A Sinfonia nº 7 "Leningrado", de Shostakovich, escrita durante o cerco à cidade na Segunda Guerra, tornou-se símbolo de resistência. Completa o festival a rara Ode triomphale, da compositora francesa Augusta Holmès, criada para a Exposição Universal de Paris de 1889.

Torna-te quem és | 1º a 17 de julho

No centro da Temporada, e considerado por Thierry Fischer seu coração conceitual, o festival parte da ideia de que a vida é um caminho de volta ao que somos em essência, apesar de tudo o que se acumula pelo caminho. Em Uma vida de herói, Richard Strauss se retrata como protagonista de sua própria história. Com a Sinfonia nº 3 "Eroica", Beethoven rompe com as convenções de seu tempo. Carmina Burana, de Carl Orff, gira em torno da roda da fortuna e do que fazemos com aquilo que o acaso nos impõe. O festival traz ainda uma nova obra de Marcos Balter, encomenda da Osesp.

Paz | 5 a 21 de agosto

Pensado como um oásis no meio da Temporada, o festival propõe uma pausa para contemplação. In terra pax, de Frank Martin, foi escrita para ser transmitida pelo rádio no fim da Segunda Guerra Mundial. Le tombeau de Couperin, de Ravel, homenageia amigos do compositor mortos na Primeira Guerra. Completam o percurso Paz na Terra e Noite transfigurada, de Schoenberg, e a Sinfonia nº 3, de Brahms.

Sim à vida | 2 a 18 de setembro

O festival fala de afirmar a vida, inclusive diante dos pequenos e grandes conflitos de todos os dias. O balé completo Daphnis et Chloé, de Ravel, celebra o amor e a natureza. O Idílio de Siegfried foi o presente de aniversário de Wagner para sua mulher, Cosima, tocado pela primeira vez na escada da casa da família. O Concerto para violoncelo, de Elgar, escrito logo após a Primeira Guerra, e a Paixão segundo São Mateus, de Bach, atravessam a dor em direção ao consolo.

Memória | 30 de setembro a 16 de outubro

Sobre a relação entre lembrança e identidade, e a ideia de que nunca nos desligamos totalmente de nossa origem. Toru Takemitsu dedicou seu Requiem para orquestra de cordas à memória de seu colega, o compositor de trilhas sonoras Fumio Hoyasaka. Die Seejungfrau [A Sereia] foi escrita por Zemlinsky como forma de expurgar o trauma pela perda de seu grande amor, Alma Schindler, que viria a se tornar Alma Mahler. A Sinfonia alpina, de Richard Strauss, nasce da lembrança de uma escalada da juventude do compositor, e as Variações Enigma, de Elgar, são retratos musicais de seus amigos. O festival traz também a estreia latino-americana de Fantaisie variée, de Nadia Boulanger, compositora francesa falecida em 1979 e uma das maiores educadoras musicais de todos os tempos.

O eterno retorno | 28 de outubro a 18 de dezembro (sem concertos em novembro)

O encerramento parte da ideia de que a humanidade volta sempre às mesmas perguntas essenciais, e de que todo fim contém um novo começo. É aqui que se ouve Assim falou Zaratustra, de Richard Strauss, inspiração musical direta de toda a Temporada. Haydn, que abriu o ano com A Criação, retorna com a Sinfonia nº 47, conhecida como 'Palíndromo", cujo minueto é tocado de frente para trás e depois de trás para a frente. O festival inclui ainda a Sinfonia nº 8, de Mahler, conhecida como "Sinfonia dos mil", e o Messias, de Händel.

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