Idoso pecuarista suspeito de assassinar a ex de 24 anos é encontrado morto com dinheiro e carta
Por Agencia Estado
Publicado em 04/11/2026 16:56:56O texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
O pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, suspeito de matar a ex-companheira Priscila Lacerda Custodio, de 24, em Rifaina, no interior de São Paulo, foi encontrado morto com uma carta escrita à mão e uma quantia de dinheiro.
Segundo o boletim de ocorrência, o corpo do homem foi localizado pelo neto, em uma área de mata fechada, próximo à residência do pecuarista na última segunda-feira, 2. Além dos objetos pessoais, foi apreendido um revólver calibre 38.
O conteúdo da carta e a causa da morte não foram divulgados.
Priscila foi morta com um tiro no dia 27 de outubro, às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), depois de encontrar João Roberto para lhe devolver uma caminhonete. Segundo a polícia, após efetuar o disparo, ele fugiu.
Confronto de versões
Em entrevista à EPTV, filiada à TV Globo, a advogada da família do pecuarista, Lauriani Baldini França, afirmou que, segundo parentes, o laudo prévio apontou que a causa da morte de João é desconhecida. Ainda de acordo com ela, uma quantia de R$ 100 mil em espécie desapareceu, e ela contestou relatos de testemunhas sobre o crime.
"Ela não frequentava a casa, mas, ao olhar as redes sociais, tem várias fotos de viagens com ele, filmagens dela aqui e na caminhonete", disse.
O valor mencionado pela advogada, porém, não é o dinheiro encontrado com o corpo, mas o que ele havia levado a um leilão para buscar a caminhonete. Segundo ela, é o mesmo veículo que Priscila teria ido devolver no dia em que foi morta.
"Em momento algum estamos falando que esse dinheiro foi gasto com a Priscila", afirmou à EPTV.
O Estadão tenta contato com a defesa do pecuarista, e aguarda retorno.
Já o advogado da família de Priscila, Diogo Máximo, informou que esteve em Rifaina e Franca e teve acesso ao inquérito nesta terça-feira, 3. "No relatório, há informações sobre a carta e o dinheiro, mas o conteúdo do documento e o valor não aparecem", disse ao Estadão.
Máximo afirmou ainda que os parentes desconheciam o relacionamento dela com o pecuarista. "Só sabiam da relação dela com Samuel Ramos", relatou.
O delegado de plantão, Telismar Júnior, havia informado, na semana passada, que João Roberto e Priscila mantinham um relacionamento esporádico e ela já tinha sido ameaçada por ele.
"Por razões de ciúmes e da condição de sexo feminino da vítima, ele acabou matando ela", disse.
"A família do pecuarista tenta desqualificar Priscila, dizendo que ela fazia extorsão. João tinha uma ficha criminal extensa, com casos de violência, inquéritos e processos", relatou.
O advogado alegou ainda que a quebra de sigilo dos telefones de ambos vai "trazer luz ao caso". "Assim poderemos ver até que ponto ela foi coagida. A gente discute muito a violência doméstica no Brasil, mas ela não para", disse.
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) afirmou que o corpo do homem foi recolhido e encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO) de Franca. "O caso foi registrado como morte suspeita no plantão da Delegacia Seccional de Franca", disse.
Relembre o caso
A SSP afirmou que a vítima e o suspeito mantinham um relacionamento. O crime ocorreu por volta das 21h, no km 463 da rodovia, próximo a uma propriedade rural.
Testemunhas relataram que Priscila, natural de Perdizes, no interior de Minas Gerais, foi ao local acompanhada do irmão e de uma amiga para devolver uma caminhonete ao homem. Durante uma discussão, João Roberto teria sacado uma arma e efetuado o disparo.
Priscila foi socorrida e encaminhada ao hospital do município, mas morreu na unidade de saúde.
Segundo o delegado de plantão, o suspeito já havia sido condenado por descumprir uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira.
Procurado pelo Estadão, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) informou que "processos envolvendo violência doméstica e pedidos de medida protetiva tramitam sob segredo de justiça".
Policiais militares foram acionados e realizaram diligências na propriedade. O celular da vítima foi apreendido para análise e as testemunhas prestaram depoimento. O caso foi registrado pela Polícia Civil como feminicídio no plantão da Delegacia Seccional de Franca.