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Humorista é processado por escola após denúncia sobre funcionário

Vinícius Antunes, conhecido como 'Cacofonias', afirma que procurou a instituição após comentários sobre a morte do filho

Por Leonardo Brito

Publicado em 04/11/2026 19:52:53 Atualizado em 04/11/2026 19:52:53
Vinícius Antunes é humorista e conhecido como Cacofonias
O humorista e roteirista Vinícius Antunes, conhecido como Cacofonias, é processado nas esferas cível e criminal pela Escola Suíço-Brasileira por difamação. A O DIA, o comunicador contou que o embate judicial começou depois de procurar a instituição para denunciar um funcionário, identificado como Rodrigo Frota, sobre mensagens com ameaças contra ele e sobre a morte do filho Francisco, 9 anos. Em março deste ano, o menino e a mãe dele, Emanoelle Martins Guedes de Farias, 40, foram atingidos por um ônibus enquanto estavam em uma bicicleta elétrica, na Tijuca, Zona Norte. 

Nas redes sociais, o funcionário comentou "seu filho vai bem, babaca?" e "petista bão é petista lacrado no caixão". Vinícius contou que identificou o perfil pessoal do homem e, ao descobrir que ele trabalhava na escola, decidiu entrar em contato com a instituição.

O humorista relatou que tentou falar com a direção por diferentes canais, como Instagram, WhatsApp, telefone e e-mail. Segundo ele, a intenção era comunicar o conteúdo das publicações e pedir que a escola avaliasse a conduta do funcionário, e não iniciar uma campanha contra a instituição.

"Eu só queria comunicar à escola de uma pessoa para eles averiguarem se era perigosa ou não. E como eu descobri que era em um colégio que trabalha com crianças, eu fiquei alarmado, fiquei de fato preocupado. Avisei à escola pelo Instagram e ela me bloqueou. Eu liguei e pararam de me atender. Aí a escola me mandou um e-mail falando nenhuma criança corre perigo. Baseado em quê?", questionou Vinicius.

O roteirista ressaltou que o episódio se tornou ainda mais difícil de enfrentar por ter acontecido poucos meses após a morte do filho e da mãe da criança, em um acidente de trânsito na Tijuca. "Uma hora eu recebo pela internet a notícia que o meu filho foi atropelado e morre; um tempo depois, eu estou sendo processado porque denunciei alguém que debochou disso", afirmou.

Ele reforçou que não procurou inicialmente expor o homem publicamente, mas comunicar à instituição o que considerava uma possível situação de risco. "Só pensei em avisar à escola mesmo sobre um risco que ela poderia estar correndo", ressaltou. Vinícius disse que pretende se defender das ações e que, posteriormente, poderá avaliar medidas judiciais contra o funcionário.

Nas redes sociais, o influenciador também explicou que uma decisão judicial o impede de mencionar publicamente a escola e o funcionário. De acordo com o relato, a medida prevê multa de R$ 10 mil por dia em caso de descumprimento. Ele informou que conta com advogados nas áreas cível e criminal e que pretende acompanhar o andamento dos processos. Também considera adotar medidas judiciais contra o funcionário.

Advogados veem decisão como exagerada

Os advogados Matheus Emídio e Daniele Emídio, que representam Vinícius, afirmaram que vão acompanhar o andamento do processo e adotar as medidas cabíveis. Sem antecipar a estratégia jurídica, os representantes classificam a decisão judicial como "manifestamente exagerada" diante dos fatos apresentados.

"É claramente uma decisão que é manifestamente exagerada frente ao que está acontecendo", opinou o advogado. Ele também avaliou que a determinação impõe restrições que, em sua visão, não foram justificadas por uma demonstração concreta de risco.

Segundo a defesa, a decisão limita manifestações públicas de Vinícius como se ele representasse algum perigo a crianças ou alunos. O advogado contestou essa interpretação e disse que o humorista procurou a instituição para denunciar uma situação, não para ameaçar a comunidade escolar.

Escola diz que comentário foi feito em perfil pessoal

Em nota, a Escola Suíço-Brasileira afirmou que o comentário atribuído ao funcionário foi publicado em uma conta pessoal, durante uma discussão política, sem participação, autorização ou apoio da instituição. A escola disse que repudia manifestações desrespeitosas, especialmente aquelas dirigidas a uma família enlutada, e disse que o conteúdo não representa seus valores.

A instituição declarou que entrou em contato com Vinícius, adotou medidas internas e chamou o funcionário para prestar esclarecimentos. Também informou que o homem é neurodivergente e que a inclusão profissional é um compromisso institucional, mas não representa justificativa para manifestações ofensivas.  A escola afirmou ainda que a comunidade escolar vem sofrendo ataques e assédio desde que o caso ganhou repercussão.
O caso ocorre meses depois da morte de Francisco e de sua mãe, Emanoelle Martins Guedes de Farias, de 40 anos, em um acidente de trânsito na Tijuca, Zona Norte. Mãe e filho estavam em uma bicicleta elétrica quando foram atingidos por um ônibus na Rua Conde de Bonfim, na altura da Rua Pinto de Figueiredo, em 30 de março.

De acordo com informações divulgadas na época, os dois teriam caído na pista após serem fechados por um carro. Emanoelle morreu no local. Francisco chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. A ocorrência foi investigada pela 19ª DP (Tijuca), que apurava as circunstâncias do acidente e buscava identificar o automóvel envolvido. A morte da criança e da mãe provocou manifestações de pesar. Francisco completaria 10 anos em maio. 

A reportagem de O DIA tenta localizar o funcionário. O espaço permanece aberto para manifestação.

Confira a nota da escola

Nota Oficial | Esclarecimentos à Sociedade

Diante da repercussão, nas redes sociais, de um episódio envolvendo um colaborador da Escola Suíço-Brasileira by SIS Swiss International School, e das alegações que passaram a circular sobre a instituição, a SIS Swiss International Schools do Brasil vem esclarecer os fatos com transparência e serenidade.

O que aconteceu

Um comentário feito por um colaborador a partir de seu perfil pessoal do Instagram, no contexto de uma discussão particular, de natureza política, sem participação, autorização ou endosso da instituição, gerou diversas manifestações de uma pessoa em situação de luto que se sentiu ofendida pelas palavras, iniciando diversas publicações envolvendo a instituição.

Repudiamos esta e qualquer manifestação desrespeitosa, especialmente envolvendo a dor de uma família enlutada. Tão logo tomou conhecimento do ocorrido, a instituição procurou, em primeiro lugar, a pessoa ofendida para manifestar seu respeito e sua solidariedade. Providências internas cabíveis também foram imediatamente adotadas e observados os procedimentos aplicáveis.

A discrição necessária à condução das apurações é parte fundamental da conduta em casos que envolvam nossos funcionários, o que não significa indiferença ou impunidade por parte da instituição. Tampouco justifica os casos de assédio de que nossa comunidade se tornou vítima desde o referido fato.

Reforçamos que os comentários feitos pelo colaborador através de seu perfil pessoal não representam o posicionamento institucional nem os valores que norteiam nosso trabalho.

Sobre o nosso colaborador

Informamos que assim que a Escola tomou conhecimento, o funcionário foi convocado a prestar esclarecimentos sobre o fato. Por se tratar de uma pessoa neurodivergente, sua família também foi acionada e vem, desde então, acompanhando o caso com seriedade e proximidade, tendo, inclusive, tornado pública a condição do funcionário.

Sua presença em nossa equipe reflete um compromisso do qual nos orgulhamos: como instituição de ensino, temos uma responsabilidade social e prezamos pela inclusão, oferecendo oportunidades reais de trabalho e desenvolvimento a pessoas com diferentes perfis.

Compartilhamos essas informações, com autorização da família, não como justificativa para suas palavras, que reconhecemos como inadequadas e dolorosas, mas porque compreender o contexto humano é parte essencial de uma conversa justa.

Pedimos que ele, como qualquer pessoa, seja tratado com dignidade e que a crítica legítima não se transforme em ataque pessoal, como vem ocorrendo.


Sobre o desligamento de uma professora

Circula ainda nas redes a alegação de que uma professora teria sido desligada por usar roupa vermelha durante o período eleitoral. Essa informação não é verdadeira.

A escola não adota orientação político-partidária e respeita a liberdade de convicção de todos os seus profissionais. Por respeito à profissional e em observância à legislação trabalhista e de proteção de dados, não comentaremos publicamente os motivos de decisões individuais de desligamento.

Responsabilidade digital

Este episódio reforça uma lição que trabalhamos diariamente com nossos alunos: o ambiente digital também é espaço de convivência, e nele as palavras têm consequências reais.

Opiniões publicadas em perfis pessoais alcançam pessoas, famílias e instituições. Informações não verificadas, quando replicadas, ferem reputações e geram insegurança.

Por isso, ao integrar a tecnologia ao aprendizado, buscamos formar alunos capazes de usá-la com ética, pensamento crítico e responsabilidade.

Convidamos toda a comunidade a fazer o mesmo: apurar informações com zelo, verificá-las antes de compartilhar, criticar sem desumanizar e dialogar com respeito.

Nossos valores

Nosso conceito educacional tem como centro a formação de cidadãos globais, com forte consciência de suas origens, que se relacionam com outras pessoas, línguas e culturas com abertura e respeito, e em que cada estudante é conhecido em sua individualidade.

Os valores que buscamos vivenciar e transmitir, tais quais, integridade, apreço, responsabilidade e comprometimento, orientam também a forma como conduzimos este momento: com firmeza na defesa da verdade e de nossa comunidade, e com empatia por todas as pessoas envolvidas.

Seguimos plenamente comprometidos com o cuidado e a segurança de nossos alunos e com a tranquilidade de nossas famílias.

Agradecemos a confiança de nossas famílias, de nossos colaboradores e de toda a comunidade escolar. Nossos canais institucionais permanecem à disposição para esclarecimentos e para um diálogo respeitoso.