Geral

Amigo de instrutor de asa-delta rejeita hipótese de falha humana

Família de Luiz Eduardo Rodrigues diz que ele sempre foi muito prudente e correto na profissão

Por Thalita Queiroz, Manuella Viegas

Publicado em 04/11/2026 19:54:48
Marcondes Ximenes, um dos melhores amigos do instrutor Luiz Eduardo
O sepultamento do instrutor de asa-delta Luiz Eduardo Rodrigues dos Santos, de 45 anos, foi marcado por grande comoção e pedidos de investigação sobre as circunstâncias do acidente em São Conrado, na Zona Sul do Rio. O corpo do profissional foi enterrado no início da tarde desta quarta-feira (4), no Cemitério São João Batista, em Botafogo.
Em entrevista, Marcondes Ximenes, um dos melhores amigos de Luiz Eduardo e vice-presidente da Associação de Moradores da Rocinha, afirmou que a vítima tinha mais de dez anos de experiência em voos e era um instrutor "hiper correto e hiper prudente". O amigo e a família também contestam as declarações do presidente do Clube São Conrado de Voo Livre (CSCVL), José Bruno Batalha Menescal Filho, que apontou uma grande possibilidade de falha humana em razão da curva realizada por Luiz Eduardo durante a manobra.

Na asa-delta estavam o instrutor e o turista argentino Adrian Guillermo Arismendi, de 26 anos. Os dois morreram na queda. O corpo do turista foi liberado pela família no Instituto Médico Legal (IML) do Centro do Rio e está sendo trasladado para a Argentina, onde será sepultado.

"Ele era muito querido pela família e pelos amigos. Da parte profissional, se dedicou muito para viver esse sonho. Para o Dudu, ser instrutor de voo nunca foi uma profissão. A gente está falando de sonhos. Ele se qualificou para isso, tinha mais de dez anos de experiência. Era um garoto hiper correto, hiper prudente. A gente não vai aceitar essa fala do Clube de Voo Livre, que, no calor da hora, sem perícia e antes mesmo de ter acesso às imagens, jogou toda a culpa no instrutor, sem conhecimento de causa e sem o Eduardo estar aqui para poder se defender", criticou Marcondes Ximenes.

Após a divulgação das imagens da câmera acoplada à asa-delta, foi possível ver o momento da queda. Antes de colidir com a rampa, o instrutor e o turista aparecem aparentemente tranquilos. Por isso, o amigo acredita que o acidente tenha sido uma fatalidade, e não resultado de falha humana. Ele também voltou a criticar a falta de apoio do CSCVL à família do instrutor.

"As imagens dizem por si só o que foi essa fatalidade. A gente não entende os planos de Deus. Só tem que aceitar e acolher a família. Acolhimento esse que, em nenhum momento, foi feito pela Associação de Voo Livre de São Conrado. Eles preferiram simplesmente se livrar do problema, porque ele é meramente comercial, né? Tem que liberar a rampa. Ali depende de várias famílias para o sustento, a gente entende isso também, mas não dá para jogar a culpa em alguém que não está mais aqui para se defender", desabafou Marcondes.
Veja o vídeo:

Outras motivações para o acidente

Ainda de acordo com o amigo, que tem acompanhado de perto as investigações, instrutores mais experientes chegaram a apontar outra possível causa para o acidente: o chamado "vento rotor".

"Os instrutores mais experientes analisaram as imagens e chamam de vento rotor. Parece que a biruta já sinalizava. Naquele momento do pouso, que é um movimento natural, ele faz aquela curva e vai em direção à areia, normalmente. Você vê pelas imagens que ele está hiper tranquilo, tanto ele quanto o aluno. Nesse movimento, a vela vai direto e acaba atingindo o calçadão. Essa vela estava no terceiro voo, era nova, e ele estava muito feliz com essa conquista", contou.

Marcondes também demonstrou confiança no trabalho da Polícia Civil e afirmou acreditar que as investigações vão esclarecer o que provocou a queda. "A gente confia muito na Polícia Civil, no poder de investigação, e tenho certeza de que esses fatos vão ser esclarecidos e a imagem do Eduardo vai ser preservada, porque ele, em nenhum momento, foi imprudente", afirmou.

Instrutor estava vivendo uma fase feliz

Morador da Rocinha, Luiz Eduardo deixou três filhas. Segundo o amigo, o profissional havia acabado de fazer um grande investimento em equipamentos, pois pretendia deixar a comunidade e conquistar mais estabilidade financeira.
"Um equipamento caro, não é barato. Hoje em dia, para você ser instrutor de voo, não basta querer. Tem que ter investimento e muita dedicação. São anos de treinamento até conseguir a licença para voar. E ele tinha essa experiência. Pelas imagens, você vê que ele está hiper tranquilo ao fazer a manobra e entrar. Porém, o equipamento não obedeceu, por algum desses motivos: ou o vento rotor ou a própria falta de ajuste do equipamento, que o levou diretamente ao calçadão e provocou essa fatalidade. De quem era a responsabilidade por esse equipamento? Isso tem que ser investigado e precisa passar pela perícia. A perícia tem que ser imparcial", concluiu.

As causas do acidente são investigadas pela 15ª DP (Gávea). Testemunhas são ouvidas e a perícia foi realizada no equipamento. Outras diligências estão em andamento. Devido ao acidente, as operações da Rampa da Pedra Bonita permanecerão suspensas por tempo indeterminado.