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Após extinção, casais de antas vão ser soltos em reservas fluminenses

Antas preparadas para serem soltas
Antas preparadas para serem soltas -
Colunista Luiz André Ferreira
São dois casais de antas que começam a ser soltos nesta quinta-feira. Eles se juntam a outros 17 animais da mesma espécie, que já vivem na região desde 2017, como parte de um projeto de reintrodução. Cachoeiras de Macacu ganha novos ilustres habitantes. Castanha, Antibes, Elvis e Maysa já estão em suas despedidas de solteiros durante a fase de adaptação. Eles vão morar no Parque Estadual dos Três Picos e na Reserva Ecológica de Guapiaçu.
As antas são os maiores mamíferos terrestres da América do Sul, podendo chegar a dois metros e meio de comprimento e 300 quilos de peso.
“Esses animais também são considerados como ‘jardineiros das florestas’, por desempenhar um importante papel na dispersão de sementes e na poda de ramos e herbáceas, contribuindo para um plantio natural em meio à natureza. Por isso projetos de restauração ecológica devem apoiar a reintrodução de fauna extinta.”, completa Gabriela Viana, dirigente do Ação Socioambiental - ASA.
Casamentos das Antas
A espécie foi extinta no estado do Rio de Janeiro há mais de um século, devido à perda e fragmentação de habitat, caça e atropelamentos. O último registro oficial foi em 1914, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Agora, as instituições envolvidas no projeto buscam recuperar essa perda, estabelecendo uma população com no mínimo 50 animais nas Unidades de Conservação adjacentes.
Os quatro novos habitantes vieram de zoológicos e criadouros conservacionistas de outros estados, que fornecem os animais para reintrodução na natureza. Castanha, que já estava na reserva desde janeiro, aguardava por um casamento com Antibes, que chegou em setembro, vindo do zoológico de Sorocaba-SP.
Já Elvis e Maysa, que têm seis e cinco anos de idade, respectivamente, vieram da Fazenda Trijunção, localizada na divisa entre Minas Gerais, Bahia e Goiás. Eles viajaram 1.350 quilômetros em dois dias e meio, e estão em fase de aclimatação desde o início do mês.
Big Brother na Floresta
Após a liberdade, esses mamíferos serão monitorados por meio de armadilhas fotográficas e colares de radiotelemetria, que permitem aos especialistas saber a localização, o estado de saúde, os hábitos e a reprodução dos animais. Das 18 antas soltas até agora, sete infelizmente não sobreviveram, mas em compensação, seis filhotes já nasceram na natureza, demonstrando o sucesso do projeto.

“A reintrodução das antas proporciona o retorno às matas fluminenses de uma espécie que tem um importante papel ecológico e está classificada como vulnerável à extinção, com declínio de 30% de suas populações nas últimas três décadas”, explica Joana Macedo, coordenadora de monitoramento e reintrodução de fauna do Projeto Guapiaçu.

As atividades são realizados pelo Ação Socioambiental - ASA, com o apoio da Petrobras, tem como objetivo contribuir para a melhoria socioambiental da região da Baía de Guanabara. A área de abrangência insere os municípios de Cachoeiras de Macacu, Magé, Itaboraí e Maricá, área que passa por grandes mudanças na última década. Esta região hidrográfica é responsável pelo abastecimento de água de quase três milhões de pessoas na porção Leste da Baía de Guanabara.
Antas voltam para matas fluminenses
Antas voltam para matas fluminenses foto de divulgação