De responsa
Balanço Rock in Rio
Excesso de ativações e falta de originalidade das marcas
Por O Dia
Publicado em 20/09/2026 10:48:07Colunista: Luiz André Ferreira
Para muitos, as nuvens que castigaram o céu da Cidade do Rock são consequência da não renovação do contrato com a Fundação Cacique Cobra Coral. O histórico de clientes dessa entidade inclui a prestação de serviços para administrações públicas, empresas e organizadores de eventos do Brasil e do exterior, que confiam na capacidade espiritual de controle do tempo.
Na enxurrada de brindes repetitivos no Rock in Rio, faltou o guarda-chuva! Possivelmente seria um dos itens mais disputados e com maior aderência a esta edição, castigada pela instabilidade meteorológica, que nada lembra as nostálgicas poças e a lama que marcaram de forma emblemática a estreia do festival, em 1985.
Congestionamento de Brindes
Muita repetição e falta de originalidade e propósito marcam boa parte desses produtos distribuídos ao público pelas marcas presentes. Isso é inevitável diante da quantidade de ativações. Foram mais de 100 ações, gerando aproximadamente oito mil horas de experiências com os patrocinadores ao longo dos sete dias. São números estratosféricos chegando ao total de 1 milhão de lembranças. Isso sem contar as permissões para exploração de produtos no entorno da Cidade do Rock.
Eram inúmeras repetições: pulseiras de LED, fones, carregadores, bolsas, leques, copos, chaveiros, broches, botões, canetas... na disputa entre os patrocinadores em atrair o público para seus espaços onde buscavam atingir novos consumidores, reforçavam seus institucionais e as causas e valores defendidos. Eram tambpém usado como grande vitrine para testarem e lançarem novos produtos, assim como comercializarem os já tradicionais.
Congestionamento de Brindes
Muita repetição e falta de originalidade e propósito marcam boa parte desses produtos distribuídos ao público pelas marcas presentes. Isso é inevitável diante da quantidade de ativações. Foram mais de 100 ações, gerando aproximadamente oito mil horas de experiências com os patrocinadores ao longo dos sete dias. São números estratosféricos chegando ao total de 1 milhão de lembranças. Isso sem contar as permissões para exploração de produtos no entorno da Cidade do Rock.
Eram inúmeras repetições: pulseiras de LED, fones, carregadores, bolsas, leques, copos, chaveiros, broches, botões, canetas... na disputa entre os patrocinadores em atrair o público para seus espaços onde buscavam atingir novos consumidores, reforçavam seus institucionais e as causas e valores defendidos. Eram tambpém usado como grande vitrine para testarem e lançarem novos produtos, assim como comercializarem os já tradicionais.
Os principais objetivos: reforçar o caixa e gerar engajamento por meio da publicação de fotos, vídeos e testemunhais dos “contemplados” com os brindes em suas mídias sociais, gerando engajamento e volume de visuializações de forma orgânica.
Marcas não conversaram com o Evento
A falta de critério fez com que boa parte dos concessionários desses espaços comerciais não tenha conseguido traçar uma uma conexão com a linha adotada pelo evento. A cada edição, o Rock in Rio vem evoluindo nas questões socioambientais.
Marcas não conversaram com o Evento
A falta de critério fez com que boa parte dos concessionários desses espaços comerciais não tenha conseguido traçar uma uma conexão com a linha adotada pelo evento. A cada edição, o Rock in Rio vem evoluindo nas questões socioambientais.
Introduziu metas auditáveis e aumentou a dimensão do cálculo de sua pegada ambiental e também de seu público. O organizador traçou metas auditáveis que incluem neutralização de emissões de carbono, gestão eficiente de água, reciclagem de materiais e fomento à economia circular.
O festival ainda destina parte do valor dos ingressos para a restauração florestal e o apoio a comunidades locais. Essas diretrizes asseguram que os investimentos tenham rastreabilidade e impacto contínuo, mesmo após o encerramento do evento.
Segundo a administração do festival, as iniciativas já somam R$ 118 milhões em investimentos, com mais de 200 instituições apoiadas e mais de 1 milhão de pessoas beneficiadas diretamente.
Oportunidade desperdiçada
Já as marcas não conseguiram acompanhar a grande pegada socioambiental da organização. Boa parte perdeu a oportunidade de se diferenciar, oferecendo brindes, ativações e experiências focados na responsabilidade socioambiental.
Embora pudessem ter uma atuação bem mais ampla, as inserções nesse segmento se restringiram a materiais usados para erguer alguns estandes e a exposições temáticas elencadas de forma coadjuvante.
O principal estande da Natura, foi assinado por Marko Brajovic. O espaço foi concebido de embalagens de produtos reciclados da prpria empresa. A Vale levou as riquezas da Amazônia e da Mata Atlântica por meio da arte e da tecnologia. Seu estande sensorial, de 100 m², foi inspirado na vitória-régia, sendo adornado por imagens, sons e aromas dos biomas.
O que mais se aproximava da responsabilidade socioambiental foram alguns serviços repassados aos patrocinadores. Coube à Iguá colocar em circulação 100 distribuidores de água para garantir a hidratação do público. À Natura, disponibilizar protetor solar no gramado do festival.
A Doritos novamente foi a patrocinadora da Central de Acessibilidade, emprestando cadeiras de rodas ao público PCD e às pessoas mais idosas. A Prevent Senior bancou os postos de atendimento médico.
Parceira energética do Rock in Rio, a Axia ficou responsável pela descarbonização de 100% da jornada do fã, em uma iniciativa que vai além da Cidade do Rock.
Falta de propósito
O contraste chama a atenção. De um lado, um festival que amplia suas metas, seus investimentos e seus compromissos socioambientais. Do outro, marcas que ainda parecem enxergar boa parte das ativações como simples oportunidade de exposição e distribuição de objetos promocionais. Em um evento desse porte, cada copo, bolsa, leque ou carregador distribuído representa também uma escolha sobre consumo, descarte e responsabilidade.
O desafio para as próximas edições é fazer com que a comercialização acompanhe a evolução socioambiental do próprio Rock in Rio. Mais do que disputar a atenção do público por alguns segundos ou estimular uma publicação nas redes sociais, os patrocinadores poderiam transformar seus brindes e ativações em experiências com propósito, capazes de deixar uma lembrança que ultrapasse os sete dias de festival.
Segundo a administração do festival, as iniciativas já somam R$ 118 milhões em investimentos, com mais de 200 instituições apoiadas e mais de 1 milhão de pessoas beneficiadas diretamente.
Oportunidade desperdiçada
Já as marcas não conseguiram acompanhar a grande pegada socioambiental da organização. Boa parte perdeu a oportunidade de se diferenciar, oferecendo brindes, ativações e experiências focados na responsabilidade socioambiental.
Embora pudessem ter uma atuação bem mais ampla, as inserções nesse segmento se restringiram a materiais usados para erguer alguns estandes e a exposições temáticas elencadas de forma coadjuvante.
O principal estande da Natura, foi assinado por Marko Brajovic. O espaço foi concebido de embalagens de produtos reciclados da prpria empresa. A Vale levou as riquezas da Amazônia e da Mata Atlântica por meio da arte e da tecnologia. Seu estande sensorial, de 100 m², foi inspirado na vitória-régia, sendo adornado por imagens, sons e aromas dos biomas.
O que mais se aproximava da responsabilidade socioambiental foram alguns serviços repassados aos patrocinadores. Coube à Iguá colocar em circulação 100 distribuidores de água para garantir a hidratação do público. À Natura, disponibilizar protetor solar no gramado do festival.
A Doritos novamente foi a patrocinadora da Central de Acessibilidade, emprestando cadeiras de rodas ao público PCD e às pessoas mais idosas. A Prevent Senior bancou os postos de atendimento médico.
Parceira energética do Rock in Rio, a Axia ficou responsável pela descarbonização de 100% da jornada do fã, em uma iniciativa que vai além da Cidade do Rock.
Falta de propósito
O contraste chama a atenção. De um lado, um festival que amplia suas metas, seus investimentos e seus compromissos socioambientais. Do outro, marcas que ainda parecem enxergar boa parte das ativações como simples oportunidade de exposição e distribuição de objetos promocionais. Em um evento desse porte, cada copo, bolsa, leque ou carregador distribuído representa também uma escolha sobre consumo, descarte e responsabilidade.
O desafio para as próximas edições é fazer com que a comercialização acompanhe a evolução socioambiental do próprio Rock in Rio. Mais do que disputar a atenção do público por alguns segundos ou estimular uma publicação nas redes sociais, os patrocinadores poderiam transformar seus brindes e ativações em experiências com propósito, capazes de deixar uma lembrança que ultrapasse os sete dias de festival.
Afinal, diante de uma pegada socioambiental cada vez maior, talvez o verdadeiro brinde seja aquele que não se transforma rapidamente em lixo.
* Luiz André Ferreira é podcaster, curador, jornalista, apresentador e professor universitário Mestre em Projetos Socioambientais, em Bens Culturais e Designer Educacional
Contatos:
e-mail: pautasresponsaveis@gmail.com
Twitter: https://twitter.com/ColunaLuiz
Instagram: https://www.instagram.com/luiz_andre_ferreira/
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