Carta de Tarot de cada signo: qual arcano corresponde ao seu?
Por Personare
Publicado em 15/08/2026 07:13:57Uma das perguntas que mais recebo nas redes sociais é qual carta do Tarot corresponde a cada signo.
A resposta existe, é mais antiga do que a maioria imagina, e tem um detalhe que quase nunca aparece nas listas que circulam por aí: não existe uma lista oficial de signos associados a determinadas cartas, porque não há consenso. Há várias possibilidades de associação.
Abaixo você encontra a carta frequentemente associada ao seu signo, o motivo da correspondência e o que ela costuma indicar quando aparece em uma leitura.
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Resumo: a carta de Tarot de cada signo
- Áries: O Imperador (IV)
- Touro: O Papa (V)
- Gêmeos: Os Enamorados (VI)
- Câncer: O Carro (VII)
- Leão: A Força (XI)
- Virgem: O Eremita (IX)
- Libra: A Justiça (VIII)
- Escorpião: A Morte (XIII)
- Sagitário: A Temperança (XIV)
- Capricórnio: O Diabo (XV)
- Aquário: A Estrela (XVII)
- Peixes: A Lua (XVIII)
A numeração acima segue o Tarot de Marselha, tradição adotada nos conteúdos e produtos do Personare.
De onde vem a correspondência entre Tarot e Astrologia?
Essa relação não nasceu com o Tarot. Os primeiros baralhos surgiram no século XV e circularam durante séculos como jogos de cartas, sem um sistema estabelecido que ligasse cada arcano à Astrologia.
A ponte moderna foi construída pelo Ocultismo europeu. No século XIX, Éliphas Lévi tornou-se uma figura decisiva ao relacionar sistematicamente os 22 Arcanos Maiores às 22 letras do alfabeto hebraico.
A chave estava numa estrutura muito mais antiga. O Sefer Yetzirah divide as 22 letras hebraicas em 3 letras-mãe, 7 letras duplas e 12 letras simples. As três estão ligadas aos elementos Ar, Água e Fogo; as sete, aos planetas da astrologia tradicional; e as doze, aos signos do Zodíaco.
Assim, a correspondência tornou-se possível: 22 letras para 22 Arcanos. Ao associar cada carta a uma letra, suas correspondências elementais, planetárias ou zodiacais também podiam ser associadas ao Tarot.
No final do século XIX, a Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn) reorganizou e sistematizou essas relações, criando o esquema que se tornou dominante no Tarot esotérico moderno e influenciou profundamente autores como Waite e Crowley, que idealizaram seus próprios baralhos como depositários de seus saberes, ambos criados por duas mulheres importantes: Pamela Colman Smith e Frieda Harris.
É importante conhecer essa história porque não existe apenas uma tabela universal de correspondências, mesmo em relação a cartas e signos. Não há um consenso.
Lévi e a Golden Dawn, por exemplo, não atribuíam as letras hebraicas aos arcanos exatamente da mesma maneira, e diferentes escolas preservaram sistemas diferentes.
A carta de Tarot de cada signo é…
Áries: O Imperador (IV)
Áries abre o zodíaco. O Imperador é a carta que funda a ordem, estabelece limites e assume responsabilidade pelo que construiu.
A correspondência se apoia menos na agressividade e mais na iniciativa. O Imperador não pergunta se pode, ele decide. Quando essa carta aparece em uma leitura, tende a indicar que a situação pede comando direto, estrutura e clareza sobre até onde vai a autoridade de cada um.
Para quem tem Sol em Áries, a carta costuma funcionar como lembrete de que autoridade sem sustentação vira apenas ruído.
Touro: O Papa (V)
O Papa trata de moral, confiança, compromisso e transmissão de conhecimento. É a carta dos valores compartilhados e daquilo que se preserva de uma geração para outra.
Touro é o signo da permanência, e essa é exatamente a chave da correspondência. Onde O Imperador constrói a estrutura, O Papa garante que ela se mantenha e faça sentido para mais de uma pessoa.
Em leitura, costuma apontar para conselho, orientação e a necessidade de recorrer a alguém com mais experiência.
Gêmeos: Os Enamorados (VI)
Existe um mal-entendido persistente sobre esta carta. Os Enamorados tratam menos de romance e mais de escolha, de dúvida e das contradições diante do desejo.
É por isso que a carta de Tarot corresponde ao signo de Gêmeos, e não a Libra ou a Touro. A imagem tradicional apresenta uma figura entre dois caminhos, e a dualidade é o território geminiano por definição.
Quando sai em uma leitura, costuma indicar que existe uma decisão pendente e que adiar também é uma escolha.
Câncer: O Carro (VII)
O Carro fala de vitória, obstinação e avanço em linha reta rumo a um objetivo.
À primeira vista, a correspondência com Câncer surpreende. Ela se explica pela estrutura da imagem: o carro é uma carapaça, uma proteção que se move. Câncer é o signo que avança sem abrir mão do abrigo, e essa é a lógica do arcano.
Em leitura, tende a indicar movimento com direção definida e a necessidade de conduzir forças que puxam para lados opostos.
Leão: A Força (XI)
A correspondência mais visual de todas. A imagem tradicional da carta de Tarot A Força mostra uma figura ao lado de um leão, e o arcano trata do domínio das paixões e da busca por autocontrole.
O ponto que costuma passar despercebido é o modo como essa força se exerce. Não há brutalidade na cena. A carta descreve uma força aplicada com delicadeza, o que dialoga diretamente com a tarefa leonina de governar a própria vitalidade sem sufocá-la.
Virgem: O Eremita (IX)
O Eremita fala de recolhimento, concentração no essencial e maturidade. É a carta do Tarot de quem se afasta para enxergar melhor. E Virgem é o signo do discernimento, da seleção e do que se descarta para que o essencial apareça.
A correspondência funciona bem porque as duas linguagens tratam do mesmo gesto: reduzir para compreender.
Em leitura, costuma sugerir um tempo de introspecção antes do próximo passo, e não isolamento por desistência.
Libra: A Justiça (VIII)
A balança está nas duas linguagens, o que torna a correspondência entre a carta de Tarot e o signo quase autoexplicativa.
A Justiça trata de equilíbrio interior, distanciamento e autocontrole, e indica que cada ação tem consequência proporcional. Não é uma carta de julgamento moral, e sim de medida.
Quando aparece, tende a pedir avaliação honesta antes de decidir, e costuma indicar que a situação será resolvida pelo que é justo, não pelo que é desejado.
Escorpião: A Morte (XIII)
A carta mais temida do baralho corresponde ao signo mais mal compreendido do zodíaco, e por razões parecidas.
A Morte trata de términos e dissoluções necessárias para que haja renovação. No baralho de Marselha, é a única carta sem nome escrito, o que reforça seu caráter de mistério e conversa diretamente com o território escorpiano do que não se diz.
Em leitura, costuma apontar para o encerramento de um ciclo que já perdeu função.
Sagitário: A Temperança (XIV)
Esta é a correspondência menos intuitiva da lista, e vale explicar por quê.
A Temperança fala de moderação, paciência e da lentidão que às vezes incomoda. Sugere combinar elementos opostos até encontrar a medida certa. A associação com Sagitário se dá pela ideia de síntese: o signo que busca sentido é o que precisa reunir experiências distintas em um significado só.
Existe ainda a leitura clássica pela imagem, em que o gesto de verter líquido de um recipiente para outro remete à mira e ao ajuste contínuo de direção.
Capricórnio: O Diabo (XV)
A figura central do arcano tem traços de bode, o animal associado a Capricórnio, e essa é a pista mais direta da correspondência.
O Diabo trata de impulsos profundos, instinto e dependências. Aponta para aquilo que prende, seja um vício, um vínculo ou um padrão repetido. A relação com Capricórnio se dá pelo tema do compromisso material e das estruturas que a pessoa constrói e depois não consegue abandonar.
A carta não condena. Ela devolve a pergunta sobre quem colocou as correntes.
Aquário: A Estrela (XVII)
A imagem mostra uma figura vertendo água sob um céu estrelado. Aquário é o aguadeiro do zodíaco, e a correspondência visual é imediata.
A Estrela traz iluminação em meio às trevas, esperança, entrega e reconexão com aquilo que orienta. É a carta que aparece depois de A Torre na sequência dos arcanos, o que reforça sua função de recomeço após uma ruptura.
Em leitura, costuma indicar alívio e perspectiva de futuro.
Peixes: A Lua (XVIII)
A Lua fala de medos, ilusões, fantasias e do que ainda não está sendo visto com clareza. A imagem tradicional traz água e uma criatura emergindo dela.
A correspondência com Peixes se apoia na permeabilidade. É o signo que capta o que está no ambiente antes de conseguir nomear, e a carta descreve exatamente esse estado.
Não é um arcano negativo. É um arcano que pede tempo, porque o que está confuso ainda não terminou de tomar forma.
Quer entender como esses arquétipos aparecem na sua configuração? Monte seu Mapa Astral no Personare e veja em quais signos estão seu Sol, sua Lua e seu ascendente.
As sete cartas que correspondem a planetas
No sistema organizado pela Golden Dawn, as dez cartas restantes recebem outras correspondências. Sete delas são associadas a planetas:
- O Mago (I): Mercúrio
- A Sacerdotisa (II): Lua
- A Imperatriz (III): Vênus
- A Roda da Fortuna (X): Júpiter
- A Torre (XVI): Marte
- O Sol (XIX): Sol
- O Mundo (XXI): Saturno
Repare que a lista segue os sete astros conhecidos na Antiguidade. Urano, Netuno e Plutão não entram, porque ainda não haviam sido descobertos quando o sistema foi organizado.
As três cartas que correspondem a elementos
As três restantes correspondem aos elementos, seguindo a divisão das letras-mãe:
- O Louco (0): ar
- O Enforcado (XII): água
- O Julgamento (XX): fogo
Uma observação necessária sobre a numeração
Quem consultar outras fontes vai encontrar A Força como número VIII e A Justiça como XI. Isso não é erro.
No Tarot de Marselha, tradição adotada nos conteúdos e produtos do Personare, A Justiça ocupa a posição VIII e A Força a XI. No baralho Waite-Smith, publicado em 1909, as duas trocam de lugar.
A associação com os signos, porém, não depende disso. Dentro de um mesmo sistema de correspondências, Leão segue ligado a A Força e Libra a A Justiça, independentemente do número que a carta carrega no seu baralho.
Como usar a carta do seu signo na prática
Um esclarecimento importante antes de qualquer coisa: a carta associada ao seu signo não é a carta que vai sair mais nas suas leituras. Não existe essa relação.
E mesmo a associação entre cartas e signos não é única e nunca é fixa, podendo mudar de profissional para profissional, dependendo das suas próprias considerações e correspondências.
Essa correspondência funciona como porta de entrada para o estudo. Se você já entende a lógica do seu signo, você tem um ponto de apoio para entender o arcano correspondente, e vice-versa.
Três formas de aproveitar isso:
- Como carta de estudo. Comece a estudar Tarot pelo arcano associado ao seu signo. A familiaridade com o arquétipo acelera a leitura da imagem, que é a base da linguagem do Tarot.
- Como espelho. Quando a carta associada ao seu signo sai em uma tiragem, costuma valer atenção redobrada ao tema. Não porque a carta seja mais forte, mas porque ela tende a tratar de algo que você já conhece bem e talvez esteja evitando.
- Como leitura ampliada. Seu Sol é apenas uma parte do quadro. Vale observar também a carta correspondente ao seu ascendente, que descreve o modo como você se apresenta, e a de Vênus, que trata do que você valoriza nos vínculos.
Conclusão
A correspondência entre Tarot e Astrologia faz parte da história do oráculo, mas nunca é fixa ou “oficial”. Essa associação permite usar as cartas com mais precisão, sem transformar a carta do signo em rótulo.
Nenhum arcano descreve uma pessoa inteira, assim como nenhum signo. O que essas doze correspondências oferecem é um vocabulário compartilhado entre duas linguagens simbólicas que passaram a conversar há pouco mais de 150 anos.
Se você está começando, comece pelo mais simples: observe a carta associada ao seu signo, sem pressa e sem cobrança.
FAQ
Qual é a carta de Tarot do meu signo?
Um dos grupos de associações mais comum é este: Áries corresponde a O Imperador, Touro a O Papa, Gêmeos a Os Enamorados, Câncer a O Carro, Leão a A Força, Virgem a O Eremita, Libra a A Justiça, Escorpião a A Morte, Sagitário a A Temperança, Capricórnio a O Diabo, Aquário a A Estrela e Peixes a A Lua.
Quem criou a relação entre as cartas de Tarot e os signos?
Uma das associações mais célebres foi popularizada no século XIX, a partir do trabalho de Éliphas Lévi, que ligou os 22 Arcanos Maiores às 22 letras do alfabeto hebraico. A Ordem Hermética da Aurora Dourada sistematizou o esquema no fim do mesmo século. Sendo assim, esses dois pontos na História são importantes para o estudo das associações entre Tarot e Astrologia.
A carta associada ao meu signo aparece mais nas minhas leituras?
Não. Uma tiragem é sempre única, e a associação com determinado signo não interfere na carta que sai. A relação serve como chave de estudo e de interpretação, não como previsão.
A correspondência muda se meu baralho for Waite-Smith?
A numeração de duas cartas muda entre os baralhos, mas isso não altera a associação com o signo dentro de um mesmo sistema de correspondências: no Marselha, A Justiça é VIII e A Força é XI, e no Waite-Smith as posições se invertem.
Leo Chioda
Leo Chioda é escritor e um dos principais tarólogos em atividade no Brasil. É doutor em Literatura pela Universidade de São Paulo e sua tese é sobre poesia e alquimia. No Personare é autor do Tarot Mensal e Tarot Direto. Professor do Curso Básico de Tarot faz também atendimentos online pelo Personare.
leochioda@gmail.com
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