Retrospectiva 2026: o que o Tarot previu e o que realmente se confirmou
Por Personare
Publicado em 05/11/2026 08:30:07No fim de 2025, lemos na carta do ano o que 2026 traria.
O arcano era A Roda da Fortuna, o X do Tarot, e a leitura falava de um ano de giros rápidos, viradas de última hora e máquinas cada vez mais presentes nas nossas escolhas.
A dois meses de o ano fechar, voltamos a cada previsão. Previsão que nunca é conferida vira simples especulação.
Por isso fizemos o nosso próprio fact-checking: o que lemos na carta, o que de fato aconteceu e o que esse giro diz sobre o momento que vivemos.
Antes de começar, vale lembrar o que a Roda representa. Ela é a primeira grande invenção humana, a base de todas as máquinas, e também a imagem da impermanência: o que está embaixo sobe, o que está no topo desce.
E dentro do seu número 10 mora o 1, O Mago, arcano da vontade e do improviso.
E um spoiler antes de olhar para trás: no fim de dezembro, a Roda para de girar e quem assume é A Força, o arcano XI, a carta da coragem com calma e da inteligência emocional.
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O que o Tarot previu para 2026 e o que se confirmou
1. Tecnologia no centro do palco
O que a carta dizia: a Roda é engrenagem. Lemos nela a ascensão da inteligência artificial e da automação, sistemas que encantam e assustam ao mesmo tempo, e a pressão de correr contra o tempo para não perder espaço.
O que aconteceu: a inteligência artificial deixou de ser assunto de especialistas e virou camada do cotidiano, no celular, no trabalho e no atendimento.
E veio com o lado que assusta: em 2026, a IA foi citada como motivo em mais de 49 mil cortes de vagas nos Estados Unidos.
As grandes empresas de tecnologia puxaram o movimento.
A Amazon dispensou mais de 16 mil pessoas em janeiro e a Meta anunciou cerca de 8 mil desligamentos em maio, as duas com o discurso de reorganizar o trabalho em torno da IA, como mostrou a CNN Brasil.
A leitura: a Roda não fala só de avanço, fala do giro que eleva uns e derruba outros.
Os especialistas lembram que a IA ainda automatiza partes das funções, e não cargos inteiros, segundo outra análise da CNN Brasil. É o fascínio e a pressão que a carta anunciava.
2. Tecnologia aplicada à saúde
O que a carta dizia: a Roda apontava a presença crescente da tecnologia na saúde, com monitoramento digital, telemedicina e novas ferramentas médicas. E fazia um alerta: aliar o cuidado tecnológico ao cuidado humano.
O que aconteceu: em fevereiro, o Conselho Federal de Medicina aprovou a Resolução 2.454/2026, a primeira norma brasileira dedicada só ao uso de inteligência artificial na medicina. Os médicos tiveram até agosto para se adaptar.
A resolução classifica os sistemas por nível de risco, obriga o registro em prontuário quando a IA é usada e garante que a decisão final sobre diagnóstico e tratamento continue sempre com o médico, como explicou a Agência Brasil.
E a tecnologia já está dentro das clínicas: a IA chegou a 18% dos estabelecimentos de saúde do país, 25% na rede privada e 11% na pública, segundo a pesquisa TIC Saúde, divulgada em maio.
A leitura: quando um conselho profissional escreve regra para uma ferramenta, é porque ela já chegou ao consultório. E a regra escolheu justamente o ponto que a carta pedia: a máquina como apoio, a decisão nas mãos humanas.
3. Reinvenção no trabalho
O que a carta dizia: para quem já tinha carreira estabelecida, a Roda pedia reinvenção: rever papéis, assumir funções novas e integrar tecnologias que transformam processos. E chamava ao improviso, ao famoso se virar nos 30.
O que aconteceu: em março, a Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara aprovou o projeto que muda a CLT para regular o uso de IA no ambiente de trabalho, segundo a Agência Câmara.
O texto pede critérios de seleção e promoção auditáveis e sem discriminação, prevê medidas contra os impactos do controle automatizado na saúde mental e abre espaço para negociar com os sindicatos quando a IA mudar as funções, para preservar empregos ou reduzir jornadas.
A pressão apareceu com mais força em quem escreve, traduz, atende e cria imagem. Em junho, outra comissão da Câmara aprovou uma política de proteção para operadoras de telemarketing contra demissões causadas por automação e IA.
A leitura: a lei sempre corre atrás da vida. Quando ela começa a se mexer, é porque a transformação já aconteceu no chão da empresa, do jeito que a Roda anunciava.
4. Criatividade fértil
O que a carta dizia: 2026 seria fértil como poucos. A Roda, arcano X, se reduz a 1, O Mago: o improviso engenhoso, as ideias que brotam sem planejamento e surpreendem pela força que ganham.
O que aconteceu: em 11 de janeiro, O Agente Secreto levou dois Globos de Ouro: Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Drama. Wagner Moura se tornou o primeiro brasileiro a vencer nessa categoria.
Em março, o filme de Kleber Mendonça Filho, feito no Recife, chegou ao Oscar com quatro indicações, a maior campanha brasileira na Academia desde Cidade de Deus. Não levou a estatueta, mas mudou o patamar do cinema brasileiro lá fora, como registrou a Agência Brasil.
A leitura: é O Mago dentro da Roda. Uma produção feita longe dos grandes centros ganhando o mundo pela força da ideia. E a Roda também mostrou o seu lado: no topo em janeiro, sem prêmio em março. O giro faz parte.
5. A guerra de narrativas e dados
O que a carta dizia: além das frentes tradicionais, previmos um tabuleiro de drones, ciberataques, deepfakes e desinformação, e com ele a necessidade redobrada de verificação, sobretudo no Brasil, em ano de eleição.
O que aconteceu: às vésperas do primeiro turno, a Polícia Federal abriu uma apuração sobre possível interferência estrangeira nas eleições. No dia da votação, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que os relatórios não apontavam nenhum indício concreto, segundo a CNN Brasil.
A missão de observação da OEA também registrou preocupação com desinformação e com declarações de atores internacionais durante a campanha.
A leitura: o ponto não é o desfecho, é o processo. Em 2026, verificar virou etapa obrigatória da eleição, e a desinformação passou a ser tratada como risco real. Era isso que a carta apontava: a guerra também se faz de narrativas e dados.
6. Guerra mundial, mas não no grau mais temido
O que a carta dizia: reconhecemos o risco de escalada, mas não o de uma guerra mundial no grau mais temido. O padrão do ano abriria janelas para negociação e reconciliação em cima da hora.
O que aconteceu: em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã, e o mundo temeu uma escalada sem volta. Em abril veio o primeiro cessar-fogo, ainda temporário.
Em junho, com mediação do Paquistão e do Catar, Estados Unidos e Irã assinaram um memorando de 14 pontos para encerrar a guerra, retomar o tráfego no Estreito de Ormuz e negociar um acordo final.
A trégua segue frágil, com novas trocas de ataques, mas a mesa de negociação continua aberta.
A leitura: tensão não é sinônimo de desastre. A Roda mostrou o seu lado mais perigoso e, ao mesmo tempo, abriu as janelas de acordo de última hora que a carta anunciava.
7. Reviravoltas políticas e sociais
O que a carta dizia: previmos tensão sem desastre, viradas de última hora, negociações nos 45 do segundo tempo e resultados surpreendentes nas urnas.
O que aconteceu: em 29 de abril, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF por 42 votos a 34. Foi o primeiro indicado ao Supremo rejeitado desde 1894.
No mesmo mês, o TSE cassou o mandato do governador de Roraima e determinou novas eleições no estado.
E a eleição presidencial virou no segundo turno. Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno, em 4 de outubro. Em 25 de outubro, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, segundo o TSE.
A leitura: a Roda é a democracia da sorte. Quem está no topo pode descer, quem está embaixo pode subir, e a mesa vira rápido. Em 2026, a política brasileira viveu esse giro do começo ao fim do ano.