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Milei 'nota' eleição do Brasil, mas descarta parabenizar Lula

Presidente da argentina apoiou Flávio Bolsonaro durante campanha e foi o único líder da América do Sul a não cumprimentar o petista

Por Estadão Conteúdo

Publicado em 27/10/2026 17:09:17 Atualizado em 27/10/2026 17:09:17
Milei disse que Lula não teria o cumprimentado após sua eleição em 2023
O presidente da Argentina, Javier Milei, não fará um pronunciamento oficial sobre a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições brasileiras, realizado no domingo, 25. A informação foi confirmada nesta terça-feira, 27, pelo porta-voz do governo argentino, Adrián Ravier, durante entrevista coletiva na Casa Rosada, segundo o jornal argentino Clarín.
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Questionado por jornalistas sobre a ausência de uma manifestação de Milei, Javier afirmou que o governo tomou conhecimento do resultado eleitoral brasileiro, mas descartou a divulgação de um comunicado oficial, inclusive por parte do Ministério das Relações Exteriores argentino.

Ao justificar a decisão, o porta-voz afirmou que Lula não teria cumprimentado Milei após sua eleição. "Quando Javier Milei foi eleito, em 2023, não houve nenhum gesto do presidente Lula para cumprimentá-lo pessoalmente ou algo do tipo. Por enquanto, não há nenhum comunicado que vamos divulgar", declarou Ravier.

A afirmação, porém, não é verdadeira. Lula fez uma postagem na rede social X em 19 de novembro de 2023, na qual defendeu que "a democracia é a voz do povo" e desejou "boa sorte e sucesso ao novo governo" argentino.

Milei apoiou publicamente Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha e intensificou as críticas a Lula nos últimos dias. Até esta terça-feira, o presidente argentino não havia se manifestado diretamente sobre o resultado, assim como o chanceler Pablo Quirno e outros integrantes do governo.
Javier Milei foi o único líder da América do Sul a não cumprimentar Lula. Mesmo presidentes de direita se manifestaram após resultado das eleições brasileiras. 
O presidente do Chile, José Antonio Kast, aliado de Flávio Bolsonaro, disse ter conversado com Lula. "Chile e Brasil têm um futuro em comum e seguiremos trabalhando por uma agenda que fortaleça as relações entre nossos países nas áreas de integração econômica e combate ao crime organizado na região."
Pertencentes a uma nova geração de líderes de direita que chegaram ao poder recentemente na América do Sul, a presidente do Peru, Keiko Fujimori, e o presidente do Equador, Daniel Noboa, deixaram as diferenças políticas de lado e congratularam Lula. "Reafirmo nossa vontade de fortalecer nossa aliança estratégica, a integração, a cooperação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia que compartilhamos, em benefício de ambos os povos", concluiu a presidente peruana, que chegou ao poder em julho.
Os mandatários da Bolívia, Rodrigo Paz, do Paraguai, Santiago Peña, e do Panamá, José Raúl Mulino, também direitistas, cumprimentaram Lula.
Lula recebeu 64,2 milhões de votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, que obteve cerca de 59,8 milhões de votos.

A disputa ocorreu após um primeiro turno apertado, em 4 de outubro, quando Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. Com o resultado, Lula garantiu seu quarto mandato presidencial e permanecerá no Palácio do Planalto até 2030.