Polícia
Ataque em ato pró-Lula é investigado pela Polícia Civil
Ao menos 10 pessoas, entre elas uma criança, ficaram feridas após serem atingidas por pedras e garrafas PET cheias de água na Carioca
Por Romulo Cunha
Publicado em 10/10/2026 11:32:34A 5ª DP (Mem de Sá) instaurou um inquérito para apurar o ataque contra participantes de um ato pró-Lula, ocorrido no Largo da Carioca, no Centro do Rio, na noite desta sexta-feira (9). Ao menos 10 pessoas, entre elas uma criança, ficaram feridas após serem atingidas por pedras e garrafas PET com água, arremessadas contra uma mobilização em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
Movimentos sociais e parlamentares se reuniram em frente ao Edifício Avenida Central, por volta das 17h. Cerca de duas horas depois, pessoas que estavam em um prédio próximo começaram a jogar balões com água do alto do edifício. Em seguida, despejaram baldes com água e garrafas sobre os manifestantes. De acordo com os relatos, pedras e outros objetos também foram arremessados. Com o impacto, algumas pessoas sofreram ferimentos leves.
Segundo a organização do ato, entre os feridos estão duas integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto do Rio de Janeiro (MTST). Após o ataque, as vítimas se dirigiram à 5ª DP (Mem de Sá) para registrar a ocorrência.
Na delegacia, Gabriel Siqueira, coordenador nacional do MTST, classificou o caso como atentado e tentativa de homicídio.
"Jogaram pedra de gelo e alguns líquidos que a gente nem sabe o que é. Nós fizemos o BO, enviamos todos os vídeos e já identificamos quem foi que fez. Essa semana, vamos pedir uma reunião com o condomínio e com a Polícia Militar porque o comitê do Lula e a nossa campanha não vão para, mesmo com o atentado terrorista, com o ataque fascista. Se acerta em cheio essas senhoras, que são trabalhadoras do MTST, a gente podia ter uma tragédia. Para nós, isso é uma tentativa de homicídio", contou.
A advogada Alana Alves, coordenadora nacional do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), afirmou que todas as medidas jurídicas serão tomadas.
"O que aconteceu é inadmissível, tendo em vista que era uma manifestação pacífica. Estávamos ali apenas em uma plenária organizativa e o que aconteceu não deveria acontecer com ninguém. A gente quer que as investigações sejam com o rigor que a lei pede. A gente vai estar aqui para que essas pessoas sejam punidas", destacou.
A Polícia Civil informou que as vítimas prestaram depoimento na delegacia e outras diligências são realizadas para esclarecer os fatos.
Repúdio
A ex-governadora do Rio e ex-deputada federal Benedita da Silva (PT), que disputou uma vaga no Senado nas eleições de 2026, também participava do ato. Enquanto discursava, os autores do ataque continuaram lançando água do alto do prédio.
"É assim que eles querem governar o Estado, sem nenhuma democracia, mas eles vão ter que me aturar. Podem nos ameaçar, porque nós não temos medo da luta. Eles não terão sossego, porque estão provocando conflito. Nós somos votos democráticos, temos base popular e, por isso, eles estão morrendo de medo da gente", disse.
Em nota, a assessoria de Renata Souza, reeleita deputada estadual, que também participou do ato, condenou o episódio e pediu a apuração dos fatos.
"A agressão contra duas mulheres negras com trajetórias de luta pela democracia expressa a violência e a intolerância fascistas que tentam intimidar a participação política. O episódio merece repúdio e apuração: nenhuma divergência política justifica ataques ou ameaças", declarou a assessoria.
Lula e Flávio Bolsonaro (PL) disputam o segundo turno no próximo dia 25.