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"Os problemas nos tornando mais fortes"

Participante do "BBB 19", Danrley Ferreira usa sua visibilidade para tentar acabar com preconceitos que atinge o povo periférico

Danrley Ferreira
Danrley Ferreira -

Danrley Ferreira se tornou uma espécie de porta-voz da juventude periférica ao debater, com inteligência e propriedade, o cotidiano das comunidades em suas rede sociais. Cria da Rocinha, favela da Zona Sul do Rio, o jovem conquistou o país em sua passagem pelo "Big Brother Brasil 19", da Globo, e usa, hoje, sua visibilidade para, quem sabe, reduzir preconceitos.

"As pessoas ainda estão acostumadas com o favelado caricato, representado nas novelas e programas de 'humor', que, pra mim, já não tem mais graça", decreta o rapaz, de 22 anos. O desabafo surge após Danrley ter sua capacidade intelectual para prestar o ENEM questionada por um seguidor, no último domingo. Tudo isso por ser morador de favela.

Na ocasião, Danrley compartilhou um vídeo mostrando sua playlist de funk antes de realizar a prova e foi afrontado. "Exista muito preconceito nesse aspecto contra moradores de favela. Parece que assusta quando um favelado sabe conversar sobre diversos assuntos, quando ocupa uma posição acadêmica, quando dá palestras. Isso assusta a quem sempre esteve em posição de privilégio", diz ele, medalhista na Olimpíada Internacional de Matemática Sem Fronteiras e em outras competições educacionais.

O interesse pelos estudos vem de berço. Apesar disso, o ex-BBB acredita que está não é a realidade de todos. Para ele, a pandemia do novo coronavírus, inclusive, deixou ainda mais evidente a diferencia de oportunidades entre o morro e o asfalto. "A pandemia agravou o quadro da desigualdade educacional no Brasil e chega a ser violento negar este fato. Pessoas que moram em favelas tiveram que lidar com a falta de água em meio a um momento como esse, além da falta de luz, com operações policiais violentas e trocas de tiros. Como comparar a situação de alunos que além de não ter aula e acesso à internet, que passam por todos esses problemas, com estudantes que pertencem a famílias estáveis de classe média alta?", questiona.

Após sua participação no "BBB 19", Danrley viu sua vida mudar. De vendedor de picolé e atleta amador à celebridade instantânea, as oportunidades vieram mudando sua realidade. Morando na Rocinha até hoje, o estudante faz um paralelo de sua vivência na comunidade. "Eu estaria mentindo se dissesse que foi um mar de rosas. Hoje em dia falo em minha redes sociais que não quero sair daqui,mas crescer em favela é falar em crescer em meio a situações peculiares que infelizmente acabamos nos acostumando: falta de saneamento, falta de uma infraestrutura básica e o preconceito de parte da população", aponta.

Entretanto, em meio às dificuldades, também houve uma infância feliz. "Os problemas acabam nos tornando mais fortes. Crescer aqui também foi crescer com alegria, aprendendo desde cedo como chegar e sair dos lugares, aprendendo a manter a humildade, a ser feliz com o pouco e celebrar com o simples", reflete.

 

'Muita coisa mudou'

A pluralidade de participantes do Big Brother Brasil 21, que estreia amanhã, na Globo, foi comemorada pelo rapaz, que conhece de perto os altos e baixos de viver na casa mais vigiada do país. "Fiquei feliz com a diversidade do elenco este ano, parece ter um enorme potencial para trazer mais uma edição histórica do programa", ressalta Danrley, que viu sua vida se transformar completamente de 2019 para cá. "Muita coisa mudou na minha vida. Sair do anonimato e ir para o estrelato em dois meses com certeza não é uma coisa que seja fácil de lidar e se acostumar. Depois do programa, tive a oportunidade de trabalhar com as redes sociais produzindo conteúdo, no teatro e até fazendo participação em novelas e filmes. Ter que lidar com ódio gratuito é a parte chata, mas eu posso dizer com certeza que o saldo é positivo", afirma. 

Danrley Ferreira Arquivo Pessoal
Danrley Ferreira Arquivo Pessoal
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