No combate às fake news

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A desinformação segue como um dos principais desafios para a democracia brasileira às vésperas das eleições de 2026, com impactos ainda mais profundos nas favelas. Dados da pesquisa 'Fake News: a epidemia que invade as periferias', do Data Favela, mostram que 89% dos moradores de comunidades brasileiras já foram vítimas de notícias falsas, que afetam desde decisões sobre saúde até escolhas políticas.

Durante a pandemia de Covid-19, boatos sobre vacinas afastaram moradores de postos de saúde e reforçaram a vulnerabilidade informacional nesses territórios. O problema se agravou com a circulação acelerada de mensagens alarmistas em redes sociais e aplicativos de troca de mensagens, muitas vezes sem checagem ou origem confiável.

Para Letícia Pinheiro, mestra em Serviço Social e mobilizadora do coletivo Fala Akari, o impacto das fake news vai além da desinformação imediata. "A comunicação pública falha em chegar de forma clara e confiável às favelas. Em momentos críticos, como enchentes, operações policiais ou crises sanitárias, vídeos distorcidos se espalham rapidamente, gerando medo, pânico e decisões equivocadas", afirma.

No Lins de Vasconcelos, o assistente social Rafael Sousa, idealizador do coletivo A Voz do Lins, relata como uma informação falsa quase resultou em uma tragédia em 2020, quando um morador inocente foi acusado de um crime grave em grupos de WhatsApp. "Essas fake news generalistas têm um tom alarmista e criam um clima de medo no território. Elas colocam famílias inteiras em desespero e podem levar a retaliações injustas", alerta.

Diante desse cenário, os coletivos de comunicação comunitária assumem um papel estratégico no combate à desinformação. Além da checagem rigorosa de conteúdos, esses grupos promovem formação para novos comunicadores, fortalecendo a produção de informação local, responsável e baseada em fontes verificadas.

Segundo Letícia, construir uma narrativa própria é essencial para enfrentar estigmas históricos associados às favelas. "A comunicação comunitária tem uma tarefa crucial para a democracia. Quando falamos por nós mesmos, mostramos que a favela é um espaço plural, diverso e de resistência, onde moradores lutam por dignidade, direitos e cidadania", conclui.

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