Em janeiro é celebrado o Mês Nacional da Visibilidade Trans, com destaque para o dia 29, data instituída em 2004 com o objetivo de reforçar a importância do respeito e da garantia de direitos à população transgênero. A mobilização ganha ainda mais relevância no Brasil, país que lidera o ranking mundial de assassinatos de pessoas trans.
De acordo com dossiê publicado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), cerca de 80 pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil em 2025. No ano anterior, o número foi ainda mais alarmante: 122 mortes.
Entre os nomes que se destacam pela força do ativismo está Zuri Moura. Natural de São Gonçalo, ela é comunicadora popular, graduanda em Serviço Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e fundadora da Rede Trans UFF. Zuri também foi precursora da política de cotas para pessoas trans no ensino superior público do estado do Rio de Janeiro.
Atualmente, atua na direção de Diversidade e Inclusão do projeto Carreiras Ballroom, integra a direção do Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros do Rio de Janeiro (FONATRANS-RJ) e participa da articulação política do Mulheres Negras Decidem. Sem apoio familiar e atravessada por violências estruturais comuns à realidade de pessoas trans e travestis, Zuri encontrou na educação uma ferramenta de sobrevivência e emancipação.
Formada em Políticas Públicas pela Casa Fluminense, ela foi idealizadora e coordenadora da Rede de Transvesti UFFiana e teve papel central na construção e aprovação da política de cotas para pessoas trans, travestis e não binárias na UFF, válida para todos os cursos de graduação e pós-graduação. Zuri também atua na Articulação de Políticas Indígenas e Quilombolas do Rio de Janeiro (APIQ-RJ) e é liderança da cultura ballroom, expressão de resistência criada por pessoas negras e trans.
Para a ativista, o principal desafio enfrentado hoje por mulheres trans e travestis é o acesso ao mercado de trabalho formal. Segundo ela, a visibilidade sem garantia de direitos humanos, como trabalho, renda e dignidade, é insuficiente. Pessoas trans existem o ano inteiro, e não há futuro possível sem justiça social e oportunidades reais.

