Violência interrompe aulas

Velório de Marcos Vinicius da Silva, de 14 anos, que foi morto em 2018, na Maré
Velório de Marcos Vinicius da Silva, de 14 anos, que foi morto em 2018, na Maré -

Em 2023, 13,4% das escolas fluminenses que responderam ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) relataram tiroteio ou bala perdida, o maior percentual entre as unidades da Federação. Em uma escola pública, um aluno precisou se abaixar na sala durante um tiroteio, segundo a avó. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 mostra que 325 escolas — 8,7% das unidades do Rio com respostas válidas — tiveram o calendário interrompido por vários dias devido à violência. Foi o segundo maior índice do país.

Medo que permanece

Uma mãe e avó de alunos da rede pública, não identificada para preservar a família, conta: "Ele já teve que ficar abaixado em sala de aula durante o tiroteio, e isso acabou causando medo e insegurança nele, ele até se abaixa quando escuta barulho de fogos de artifício".

Operações e tiroteios também provocam perda de conteúdo e desorganizam a rotina. "Nós contamos com o horário escolar das crianças e nos planejamos com base nisso, quando isso muda a rotina acaba virando uma bagunça e uma correria por ter que trabalhar e não ter quem cuide das crianças."

Desigualdade acumulada

No Grande Rio, o Instituto Fogo Cruzado registrou 730 tiroteios no entorno escolar em 2025 e informou que 1.102 escolas foram afetadas. Houve ocorrências em 198 dias letivos; em 172, os tiroteios estiveram relacionados a ações ou operações policiais. De janeiro a junho de 2026, foram 283 tiroteios e registros em 92 dias letivos, 79 durante ações ou operações policiais.

Para Carlos Nhanga, do Fogo Cruzado, "o convívio crônico com a violência armada funciona como uma desvantagem cumulativa", com impacto no desempenho e na permanência na escola. Estudo citado por ele aponta abandono médio superior a 10% em escolas de áreas com mais de três confrontos no ano, ante 7,7% onde não houve violência armada aguda.

A Secretaria estadual de Educação não informou quantas unidades ou aulas foram afetadas. Disse que as escolas são orientadas a repor conteúdos. A pasta afirmou adotar protocolos firmados com o Ministério Público e a metodologia Acesso Mais Seguro. A Secretaria de Segurança Pública também não apresentou os números solicitados. Afirmou que as pastas de Educação são avisadas antes de operações e que as forças policiais seguem protocolos para preservar vidas.

Para a entrevistada, as escolas devem manter apoio e diálogo com as famílias. "O poder público precisa garantir mais segurança para que as crianças possam estudar sem correr riscos e sem ter os estudos atrapalhados ou até interrompidos pela violência".

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