O Observatório de Favelas completa 25 anos de atuação reafirmando seu compromisso com a transformação das narrativas sobre favelas e periferias e com a construção de cidades mais justas e democráticas. Fundada em 2001, no Conjunto de Favelas da Maré, a organização tornou-se referência nacional e internacional em pesquisa, formação, comunicação, produção cultural e incidência política, alcançando cerca de 180 mil pessoas diretamente por ano.
Criado em um contexto em que as favelas eram frequentemente associadas à violência e à precariedade, o Observatório surgiu para disputar essa visão. A partir do chamado Paradigma da Potência, a organização reconhece esses territórios como espaços de criação, conhecimento, organização e produção de direitos. Ao longo de sua trajetória, contribuiu para ampliar debates sobre direito à cidade, segurança pública, educação, cultura, justiça racial, comunicação e participação democrática.
Entre as iniciativas desenvolvidas estão o Conexões de Saberes, que contribuiu para a permanência de jovens de origem popular nas universidades e foi incorporado pelo Ministério da Educação como política pública em 33 universidades federais, além de projetos culturais e formativos como Imagens do Povo, Galpão Bela Maré, ELÃ - Escola Livre de Artes e ESPOCC - Escola Popular de Comunicação Crítica.
Atualmente, a atuação está organizada em cinco eixos: Direito à Vida e Segurança Pública, Políticas Urbanas, Educação, Comunicação e Arte e Território. As frentes articulam pesquisa, formação, cultura e incidência política para fortalecer direitos e valorizar os saberes produzidos nas periferias.
Como parte das comemorações, o Observatório realiza o Festival DE FAVELAS no próximo sábado, no Galpão Bela Maré. Gratuito, o evento reunirá pesquisadores, artistas, lideranças comunitárias, movimentos sociais, gestores públicos e moradores em uma programação com debates, exposição, cinema, oficinas e música.
"Celebrar os 25 anos do Observatório de Favelas é reconhecer uma trajetória construída coletivamente. Nenhuma instituição chega a esse marco sozinha. Essa história foi tecida por muitas contribuições que, ao longo dessas duas décadas e meia, acreditaram que as favelas e periferias são territórios de potências e direitos", afirma Isabela Souza, que integra a diretoria do Observatório de Favelas

