Uma formação voltada à educação antirracista reúne, ao longo de agosto, crianças, jovens e educadores no Sesc Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A programação combina literatura, música, artes visuais e conhecimentos sobre culturas africanas e afro-brasileiras em atividades gratuitas. A última atividade acontece na próxima quarta-feira (26).
A iniciativa busca aproximar o público de referências africanas por meio de experiências práticas, brincadeiras, produção artística e debates sobre educação. Entre as atividades estão oficinas de musicalização, jogos tradicionais africanos, confecção de bonecos de cabaça, construção de instrumentos e produção de colagens inspiradas em máscaras africanas.
A programação também inclui rodas de conversa sobre a presença negra no território e os caminhos para uma educação comprometida com o enfrentamento ao racismo. Uma das atividades é dedicada à cartografia da diáspora africana em Niterói. Conduzida pela geógrafa e pesquisadora Simone Antunes Ferreira, a proposta parte das heranças negras presentes na cidade para construir coletivamente um mapa afetivo de territórios negros do município.
A ação também apresenta o Jongo Folha de Amendoeira, conduzido pelo fundador do grupo, Rodrigo Rios. A atividade aproxima o público de uma manifestação cultural de matriz africana que mantém vínculos com comunidades quilombolas e jongueiras.
Para além das atividades culturais, a formação parte da compreensão de que o contato com diferentes referências históricas e culturais desde a infância também é uma dimensão da educação antirracista.
A iniciativa marca os dez anos de lançamento do livro infantil 'Olelê - Uma Antiga Cantiga da África', escrito por Fábio Simões, conhecido como Mukanya. Publicada em 2015, a obra apresenta uma cantiga de ninar do povo Kassai, da região central da África, e passou a ser utilizada em atividades pedagógicas, projetos de teatro escolar e ações de musicalização em diferentes regiões do país.
"O Olelê nasceu de uma pesquisa sobre cantigas infantis em línguas africanas e da vontade de trazer para a infância brasileira um conteúdo que não existia nas prateleiras", afirma Simões.

