Moradores de periferias urbanas e rurais de diferentes regiões do Brasil já podem participar do Desafio Nacional Atlas das Baixadas, iniciativa lançada hoje pelo Observatório das Baixadas. A proposta é reunir informações sobre problemas, vulnerabilidades e soluções construídas nos próprios territórios, ampliando o registro de situações que nem sempre aparecem de forma detalhada nas estatísticas oficiais.
O desafio integra o Atlas das Baixadas, plataforma que reúne dados georreferenciados produzidos a partir das experiências e conhecimentos das próprias comunidades. Entre as informações que podem ser registradas estão denúncias socioambientais, situações de vulnerabilidade, problemas de infraestrutura, impactos de eventos climáticos, memórias dos territórios, iniciativas comunitárias e casos em que os dados oficiais não correspondam à realidade local.
Após o envio, as informações passarão por análise e validação da equipe do Observatório das Baixadas antes de serem incorporadas à base de dados. A iniciativa considera que os moradores possuem conhecimento direto sobre as transformações, desafios e formas de organização presentes nos territórios onde vivem.
Além de identificar situações de vulnerabilidade, o mapeamento pretende evidenciar iniciativas comunitárias de organização, cuidado, adaptação e enfrentamento de problemas sociais e ambientais. A proposta é ampliar a produção de dados sobre as periferias a partir das experiências de quem vive nesses territórios.
"Quem vive nas periferias conhece como ninguém os desafios e as potências de seus territórios. O Desafio Nacional Atlas das Baixadas nasce para transformar esse conhecimento em dados, fortalecer a autonomia das comunidades e mostrar que produzir ciência também é uma forma de disputar direitos e construir soluções", afirma Waleska Queiroz, cofundadora e coordenadora do Observatório das Baixadas.
Com a iniciativa, o Observatório busca fortalecer a participação das comunidades na produção de informações sobre seus próprios territórios e contribuir para uma base de dados que considere as diferentes realidades das periferias brasileiras.
As contribuições poderão ser enviadas até 13 de fevereiro do ano que vem. A participação é aberta a pessoas, coletivos e organizações de todo o país. Os cinco primeiros colocados serão premiados em dinheiro. O primeiro lugar receberá R$ 5 mil, enquanto o segundo e o terceiro colocados receberão R$ 2,5 mil e R$ 1,2 mil, respectivamente.

