Mapa da Desigualdade do Rio

Nas eleições de hoje, o voto de pessoas periféricas pode ajudar a mudar a realidade da Região Metropolitana
Nas eleições de hoje, o voto de pessoas periféricas pode ajudar a mudar a realidade da Região Metropolitana -

Moradores da Baixada Fluminense, Leste, periferias e favelas do Rio são o foco da nova pesquisa que colocou uma lupa nos principais problemas da Região Metropolitana do Rio. O Mapa da Desigualdade mostrou que estamos com 58% da população inadimplente, gastando 10% da renda com passagem, mais de 400 mil lares sem acesso à rede de esgoto e uma sobrecarga de 300% no atendimento do Cras.

Em um dia decisivo para mudar essa realidade, a Casa Fluminense lança a pesquisa com objetivo de contribuir na escolha consciente dos votos baseada em dados. O Mapa da Desigualdade apresenta 40 indicadores sobre a metrópole fluminense divididos nos temas: raça, gênero, clima e economia, discussões centrais para o Rio. A vida por aqui não tem sido fácil, o custo de vida e a sensação de que a conta não fecha no final do mês pode ser explicada pela renda dos moradores, que varia muito de cidade a cidade. Vivemos extremos de realidades. Enquanto em Niterói a média de rendimento mensal de um morador é de R$ 5.922,64, em Cachoeiras de Macacu, Itaboraí, Japeri, Rio Bonito e Tanguá, os ganhos mensais são abaixo do piso nacional fixado em R$ 1.621,00.

Essa desigualdade no bolso dos moradores de diferentes cidades é também fruto de uma falta de equidade nos salários de homens e mulheres, pessoas negras e brancas. Na Região Metropolitana, 59% da população é negra e 53% feminina, apesar disso, em 19 dos 22 municípios, mulheres ganham menos do que homens. Além disso, a diferença salarial entre negros e brancos aumentou 62,5% em toda região nos últimos cinco anos. A disparidade de renda reflete nas condições de habitação das famílias. Na RMRJ, mais de 1 milhão dos lares estão expostos ao risco contínuo de deslizamentos e inundações. A capital lidera esse ranking com 472 mil moradias vulneráveis, mas a crise climática se estende pela metrópole. Em Duque de Caxias são 161 mil casas em risco e em São Gonçalo, 84 mil. Entre 2024 e 2025, da Baixada ao Leste foram 29 mil habitações danificadas ou destruídas por estes eventos climáticos, afetando 1,49 milhão de pessoas.

Em meio a tantos desafios, essa é uma eleição diferente no Rio. Depois de anos, a pessoa que ocupa a cadeira de governador não é candidato, depois de uma série de escândalos, chegamos à disputa eleitoral com um governo interino. Isso significa que o dia de hoje vai trazer uma renovação na cadeira que comanda o futuro do nosso estado. Por isso, além de levar a colinha, é importante que esses dados sobre o Rio também estejam na mão. O acesso à informação baseada em pesquisas é um dos caminhos para garantir a nossa democracia e o Mapa da Desigualdade mostra o caminho que precisa ser trilhado para construir uma metrópole onde a vida seja mais justa.

Para acessar o Mapa da Desigualdade, entre no site casafluminense.org.br/atuacao/mapa-da-desigualdade ou acompanhe mais informações pelas redes sociais da Casa Fluminense (@casafluminense no Instagram).

Mapa da desigualdade
Mapa da desigualdade Gabriel Mothé / Divulgação

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