Cerca de 2,1 milhões de moradores das 1.724 favelas do estado do Rio vão às urnas hoje, no segundo turno das eleições presidenciais. Em meio ao debate sobre os rumos do país para os próximos quatro anos, esses territórios ainda enfrentam problemas históricos, como a falta de infraestrutura urbana, as dificuldades de acesso a serviços públicos e o avanço do crime organizado.
Para Lia Manso, analista de Incidência Política da ONG Redes da Maré, as preocupações e expectativas dos moradores são diversas e refletem a realidade de cada território. Na capital fluminense, por exemplo, são 813 favelas, com 1,3 milhão de eleitores aptos a votar.
"Não dá para construir políticas públicas de cima para baixo, sem ouvir quem vive nesses territórios. A gente precisa de investimento em saneamento básico, moradia digna, saúde, educação, transporte, cultura, esporte e geração de emprego e renda. Também precisamos enfrentar a violência, garantir segurança pública com respeito à vida e combater a criminalização dos moradores", destaca a analista.
No Complexo da Maré, um dos maiores conjuntos de favelas do estado, na Zona Norte do Rio, as reivindicações foram reunidas em um documento. A Redes da Maré lançou a Carta de Compromissos para as Eleições de 2026, que reúne 32 propostas para garantir direitos e reduzir as desigualdades entre os cerca de 140 mil moradores das 16 favelas do território.
As prioridades incluem ampliar o acesso ao saneamento, à moradia, à saúde e à educação; combater o racismo e a violência policial; proteger os direitos das mulheres e da população LGBT ; e investir em cultura, lazer e mobilidade. A carta também defende políticas públicas que considerem a realidade da Maré e garantam a participação dos moradores nas decisões sobre o território.
Além das demandas mais urgentes, Lia Manso aponta o que considera fundamental para que os próximos governantes avancem na garantia de direitos e na melhoria das condições de vida dos moradores de favelas.
"Acreditamos que a favela precisa ser um espaço onde as políticas públicas se desenvolvam. O Executivo precisa ouvir e construir a agenda com as pessoas faveladas no território, no dia a dia. Essa escuta não pode ser apenas formal: precisa estar presente em todas as etapas de decisão, execução e controle das políticas", finaliza a representante da Redes da Maré.

