Rio - "Isso nunca tinha passado pela minha cabeça." Asssim mestre Ciça, veterano do Carnaval e tema do enredo da Viradouro, resume a emoção de entrar na Avenida como grande homenageado, nesta segunda-feira (16). A agremiação de Niteroi será a terceira a passar pelo Sambódromo.
"Um sambista em vida, mestre de bateria, nunca tinha visto [ser enredo]. É a primeira vez e a Viradouro abre esse caminho. Homenagear pessoas que já se foram é diferente, o sentimento é diferente. Eu estou ali atuando e vou ser julgado. Isso é inédito no Carnaval, a Viradouro fez um gol. Pensando em um sambista, não só mestre de bateria, que ainda esteja vivo, contar sua história no maior Carnaval do mundo. Estou vivendo um momento único da minha vida", conta o mestre.
Em maio do ano passado, quando a Viradouro anunciou o enredo, ele foi pego de surpresa. Como mestre de bateria - e apaixonado pelo samba - ele estava na quadra para assistir ao anúncio como qualquer outro integrante. No entanto, suas fotos apareceram no telão e as lágrimas tomaram conta do rosto do "Caveira", apelido que recebeu na bateria Furacão Vermelho e Branco.
"Foi uma surpresa, eu não sabia de nada. Me pegou de jeito naquele dia, todo mundo chorando, eu chorando. Minha ficha só foi cair muito tempo depois. Meu telefone não para, eu saio em qualquer lugar e tiro foto, as pessoas falando comigo na quadra da Viradouro, querem tirar foto. Não tem preço. Quem é sambista, vai se sentir homenageado. Pode se sentir homenageado. Eu estou aqui, sou a mesma pessoa, sou uma cara simples, vou em qualquer lugar. Na Viradouro, sou esse cara que chega cedo na quadra, que é o último a sair do ensaio. Faço 38 anos ininterruptos como mestre de bateria, mais de 55 anos de Carnaval. Participei de tudo: passista, mestre-sala, lá atrás na década de 70. Eu sou um cara realizado na minha vida, com certeza", detalha, emocionado.
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Sem dar muitos spoilers, Ciça diz que haverá uma "coisa inédita" no desfile, que promete, ainda, "muitas emoções", como um momento de união entre torcedores de Vasco e Flamengo. Cruz-maltino, o sambista atuou como mestre de bateria tanto no desfile da Estácio de Sá em homenagem ao centenário do Rubro-Negro, em 1995, como na apresentação da Unidos da Tijuca sobre os 100 anos do seu time de coração, em 1998.
"São os dois maiores clubes de torcida no Rio, essa rivalidade, e a escola escolheu colocar no enredo essa história com a Estácio. Eu sou vascaíno, estive nos 100 anos do Flamengo e também nos 100 anos do Vasco, na Unidos da Tijuca. Isso é muito legal. Não tem briga, vão desfilar todos juntos. Muita paz. No samba, as pessoas podem desfilar tranquilamente", reforça.
Muito empolgado, o veterano manda um recado especial aos torcedores. "A Viradouro vem muito forte, podem ter certeza. Vai ter muita performance na vida, é uma escola de peso", conclui.


