William Bonner fala sobre término do casamento com Fátima Bernardes

Apresentador do 'Globo Repórter' também diz que reação das pessoas em relação a ele mudou após a saída do 'Jornal Nacional'

William Bonner durante entrevista ao 'Cá Entre Nós'
William Bonner durante entrevista ao 'Cá Entre Nós' -
Rio - William Bonner refletiu sobre o fim do casamento com Fátima Bernardes durante uma entrevista ao videocast "Cá Entre Nós", apresentado pela jornalista e a filha deles, Beatriz, no Youtube. Ele comentou a reação das pessoas com o anúncio da separação do ex-casal em 2016, depois de 26 anos juntos, e defendeu que o sucesso de uma união deve ser medido pela harmonia e pelo respeito, e não pela duração. 
"Eu ouvi uma coisa que tenho certeza de que você ouviu, William, que era o seguinte, quando nós nos separamos, as pessoas chegavam para mim e diziam: 'que pena que o casamento de vocês não deu certo!'. Como você explicaria o sucesso que foi?", perguntou Fátima a Bonner.
O jornalista refletiu: "O casamento acabou, dizer que não deu certo é você que está falando! Vamos conversar, se nós passamos 26 anos juntos, tivemos três filhos, que são pessoas maravilhosas, tivemos harmonia e respeito a vida inteira até o fim do casamento, a forma que nos separamos foi respeitosa como foi. O que é que não deu certo?", questionou. 
"Dar certo significa o seguinte, no seu entender, se você se casa com alguém, você vai até que a morte os separe, mesmo que em algum momento os projetos de vocês não sejam mais os mesmos? É assim que funciona? Então cada um vai ficar afundado em frustrações porque não tem mais os mesmos projetos, porque aquilo não pode acabar nunca? Olha, isso hoje ninguém ousaria dizer mais, faz 10 anos isso...", continuou. 
Fátima observou: "Hoje não, claro, mas eu ouvi muito e você também". "São dez anos das pessoas vendo o que aconteceu nas nossas vidas, nas vidas dos nossos filhos e a maneira como a gente se relaciona até hoje. Então, se alguém que naquela época tivesse pensado assim, hoje talvez esteja pensando de forma diferente, eu espero que sim, mas faz parte do aprendizado também", respondeu Bonner.
Por fim, Fátima comentou: "Eu acho que é muito isso [sobre] o olhar do outro para você, sobre o que eles consideram que seria sucesso, independentemente de avaliar a própria vida."
Saída do 'Jornal Nacional'
Bonner falou sobre as quatro décadas que fez jornalismo diário e os 26 anos que foi editor-chefe do "Jornal Nacional", da TV Globo. "Eu acabei me transformando, exatamente por ficar 40 anos fazendo telejornalismo diário, em um avatar. Eu virei um avatar, eu não era mais uma pessoa. O William, ou o Júnior, como minhas irmãs me chamam e como a família me trata, essa pessoa meio que não existe fora do ambiente familiar."
Segundo ele, sua imagem ficou associada à da emissora. "Qualquer problema que haja de imagem em relação ao jornalismo profissional brasileiro, qualquer ataque que seja feito à imprensa e ele é feito hoje mundialmente, não é só no Brasil, eu era o alvo mais fácil. Esse perrengue que eu tive que enfrentar e os cinco anos que eu esperei para conseguir que formássemos sucessores para eu deixar o 'Jornal Nacional' foram um período extremamente difícil. Mas eu só aguentei porque, no fundo, eu gosto de fazer o que eu faço", afirmou.
'Popstar'
William também mencionou a mudança de comportamento do público após sua saída do "Jornal Nacional", da TV Globo, no ano passado. O apresentador do "Globo Repórter" contou que começou a receber mais carinho nas ruas e menos críticas. "Eu tenho me sentido meio popstar", declarou. 
"Durante um período longo e recente, eu diria que nos últimos dez ou 12 anos, o público que gostava de mim e o público para quem eu era ‘ok’ estavam meio quietos por aí. Só se manifestava o público que me detesta. Então, esses eram os que chegavam para mim na rua, abordavam, me xingavam das coisas mais incríveis, às vezes opostas, porque esses eram os que tinham o motivo para ir até mim falar alguma coisa", afirmou. 
A partir do momento em que anunciou que deixaria o jornalístico, a reação das pessoas mudou. "Pessoas que gostam de mim e pessoas para quem eu sou ‘ok’ resolveram se manifestar: ‘Ah, que pena que você vai sair’; ‘Ah, puxa vida, eu gosto tanto de você'... Se eu estou na rua e sou cercado por pessoas que trazem carinho para mim, isso vira uma vacina. As pessoas que me odeiam continuam me odiando, talvez até mais ainda, mas elas não se aproximam mais, porque fica muito estranho... pararam de me abordar."