Casas de apostas rompem contratos com emissoras de TV

Globo, Band e ESPN já retiram publicidades, enquanto emissoras buscam novos anunciantes para ocupar os espaços deixados pelas empresas

Após veto do governo, bets rompem contratos com emissoras de TV
Após veto do governo, bets rompem contratos com emissoras de TV -
As emissoras de televisão começaram a retirar publicidades de casas de apostas após o governo federal confirmar, nesta sexta-feira (25), a proibição da operação das bets no Brasil. Antes mesmo da oficialização da medida, empresas como Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte já haviam comunicado às emissoras a intenção de encerrar contratos comerciais. As informações foram divulgadas pela coluna Outro Canal, da Folha de São Paulo.
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A mudança atinge principalmente os espaços ligados ao futebol, que se tornaram uma das principais vitrines para as plataformas de apostas. Após a confirmação do veto, Globo, Band e ESPN começaram a suspender ou retirar anúncios previstos, enquanto o SBT ainda avalia quais providências serão necessárias diante da nova situação.

Na Globo, o setor de apostas tinha uma cota exclusiva para transmissões do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil. Com a saída das empresas, os espaços precisarão ser reorganizados pela área comercial da emissora.

A Band também possui contratos que associavam marcas de apostas a programas esportivos. Entre eles estão acordos de naming rights relacionados ao Jogo Aberto, apresentado por Renata Fan, e Os Donos da Bola, comandado pelo ex-jogador Neto. A emissora avalia como os contratos serão tratados diante da nova regra.

A movimentação para retirar as publicidades também chegou aos canais da Disney. Antes da confirmação oficial da medida, a empresa já havia colocado sua equipe técnica em alerta e preparado uma força-tarefa para retirar anúncios de bets de sua programação.



Emissoras procuram alternativas



Com a saída das casas de apostas, as áreas comerciais das emissoras passaram a buscar alternativas para os espaços que eram ocupados pelo setor. O objetivo é encontrar anunciantes de outros segmentos que possam assumir as cotas e reduzir o impacto da perda desses contratos.

A mudança representa um problema comercial para as empresas de comunicação, que passaram a depender fortemente dos investimentos das bets nos últimos anos. O setor de apostas se tornou um dos principais anunciantes do esporte brasileiro, especialmente em transmissões de futebol.

Apesar da ruptura dos contratos, Globo, Band e ESPN não pretendem cobrar multas das empresas, segundo as informações divulgadas sobre o mercado. A intenção seria construir uma saída negociada e preservar a relação comercial para uma eventual retomada futura do segmento.

A possibilidade de manutenção desse relacionamento também está ligada ao caráter da medida adotada pelo governo. A proibição foi estabelecida por meio de uma medida provisória, que ainda será analisada pelo Congresso Nacional e poderá sofrer alterações durante sua tramitação.

Nos bastidores, as emissoras demonstram preocupação com a perda de receita provocada pela saída das bets. O mercado também acompanha os possíveis efeitos sobre empregos caso os espaços publicitários não sejam preenchidos por novos anunciantes.

A dimensão da mudança pode ser percebida pelo volume de publicidade que as casas de apostas vinham contratando. Segundo dados da Tunad citados em reportagem sobre o mercado, as bets investiram R$ 153 milhões em intervalos comerciais e cotas de patrocínio apenas em agosto.



Veto muda mercado de apostas



A medida provisória anunciada pelo governo também estabeleceu prazos para a retirada dos recursos mantidos pelos usuários nas plataformas. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, os apostadores terão até as 23h59 de 5 de outubro para sacar os valores disponíveis.

A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão ser retirados do ar. O governo também informou que pretende encaminhar ao Congresso um projeto de lei com punições para quem operar, explorar ou divulgar apostas online de maneira irregular.