Agô bate palma de macumba
Pra saudar dono da rua
Vira o corpo no terreiro
Ventre que moldou o fundamento
E o véu rodeia o tempo esse velho feiticeiro
Quando Ananse bordou os fios de prata
Colocou na cabaça o dom do saber
O tom da palavra, a força e o poder
Do igbá que se quebrou
Pelo mundo espalhou
Na voz dos mandingas se fez poesia
Lindas melodias e cantos de amor
Eu fui griô a luz de um (num) baobá
Contando histórias de emocionar
Em volta dele mais de mil crianças
A cantar lembranças ao som do korá
Lágrimas
Caem pelo mar do esquecimento
Ritual opressor
África
Tradução de todo ensinamento
Carrego na minha cor
Verbo eternizado
É alvo acertado contra a maldade
Sagrado é guardar os segredos
Pro mundo saber
Dança de jongo embala meu ponto
Tambor de congo faz acender
Outros enredos que um dia terão de nascer
Samba escola viva entidade
Arquivo da memória preta
Grito à ancestralidade
káale! káale! Ô
Ziri ziri namu, Kouyaté
káale! káale! Ô
A Viradouro é sangue de griô

