Poucos dias após o elenco do Palmeiras iniciar suas atividades, o técnico Abel Ferreira se juntou ao grupo para a pré-temporada. O português terá poucas atividades para definir o time que larga no Paulistão, sábado, diante da Portuguesa. Em contrapartida, está respaldado pela renovação de contrato até 2027 e espera por uma temporada vitoriosa, na qual pode bater diversos recordes pelo clube.
Dividindo o trono de treinador mais vitorioso da história palestrina, Abel Ferreira deixará o lendário Oswaldo Brandão para trás caso o Palmeiras erga ao menos uma taça. Ambos dividem o trono com 10 conquistas cada e a marca já poderia ter sido batida em 2025, mas a equipe amargou os vices do Paulistão, Brasileirão e Libertadores, em inusitada temporada sem troféus do português no clube.
A primeira marca importante virá justamente na estreia no ano. Quando pisar no gramado do Canindé, às 20h30 deste sábado, Abel se tornará o primeiro técnico dos últimos 30 anos a iniciar seis temporadas seguidas no comando de um mesmo time brasileiro - Telê Santana foi o último ao dirigiu o São Paulo entre 1991 a 1996.
"Quando dei minha primeira entrevista no Palmeiras, me perguntaram das referências que eu tinha entre os treinadores brasileiros. Eu lembro de falar do Telê Santana, do livro que tinha em casa antes de sonhar em ser treinador. É uma referência para os brasileiros, mas também para os treinadores europeus por tudo aquilo que ele representa. Recordes, tempo... Não é isso que me move, mas, no momento que você para e pensa, são cinco anos. Passou tão rápido... É um orgulho, uma honra poder representar um clube como o Palmeiras", destaca Abel Ferreira, frisando o quão difícil é sua façanha, sobretudo em solo brasileiro onde a paciência com técnicos costuma ser bem curta.
"Eu sei o quão difícil é. Às vezes, manter um casamento de cinco anos é difícil, quanto mais ser treinador de um clube grande. Gosto muito de estar aqui. A vontade de continuar a ganhar, de dar alegrias à torcida é que me faz continuar", frisa, sem esconder que a meta são outras.
"Sou um treinador de projeto, de relações, de trabalho e é isso que vejo dentro do clube. Por isso casou tão bem, além de também já dizer que gosto muito do verde. Esses recordes e referências são um orgulho, mas não são desses troféus que nós andamos à procura", adverte. "Andamos à procura de tornar o nosso trabalho, a nossa dedicação, o nosso esforço em títulos."
Bater na trave em três oportunidades em 2025 deixou o torcedor e o comandante frustrados. E Abel Ferreira espera dar a volta por cima. "Por isso é que tudo que fazemos aqui dentro, a comissão técnica, o staff, a diretoria, todas as pessoas que trabalham dentro do clube, é criar as melhores condições para os jogadores estarem focados em uma coisa: ter rendimento, desempenhar, dar o máximo dentro do campo nas competições que vamos disputar", afirma.
A confiança em se 'redimir' com a torcida é grande. "Vamos lutar para ganhar e que possamos partilhar essas alegrias com vocês, torcedores. Que as frustrações e as desilusões do ano passado se transformem em energia, em caráter, em orgulho e alguma raiva também, para que neste ano possamos dar essas alegrias que devemos não só a vocês, mas também a nós próprios. Sabemos o quanto nos dedicamos dentro do clube para chegar aos títulos que tanto queremos e trabalhamos para que aconteçam."
Abel Ferreira chegou ao Palmeiras em outubro de 2020 e, ao lado de sua comissão técnica, já é que mais soma partidas seguidas na história palmeirense, com 395 jogos disputados, sendo 229 vitórias, 93 empates e outras 74 derrotas. O português é o único a conquistar ao menos um título estadual, um nacional e um internacional pelo clube. Apenas ele registrou mais de uma vez a marca de três títulos em uma mesma temporada.
Com a estreia diante da Lusa, Abel será o primeiro treinador a dirigir o Palmeiras em Campeonato Paulista por seis anos seguidos, superando justamente Oswaldo Brandão, com quatro (de 1972 a 1975). Ele deve, porém, poupar titulares.
"Não me parece sensato e bom para a saúde dos jogadores ao final de uma semana ter o primeiro jogo oficial quando há outros clubes que estão a preparar-se desde novembro e dezembro", reclama. "Não acho que seja justo, devemos pensar e refletir. Mas o Palmeiras também vai fazer como sempre faz, usar todos os recursos que tem."
Com Copa do Mundo no meio do ano, o calendário ficou ainda mais apertado. E como o Palmeiras vinha de temporada longa em 2025, o técnico vai largar no ano com equipe alternativa para evitar lesões.
"Sabemos que os jogadores vêm de um período de férias de 30 dias. É importante, após 11 meses de alta competição, intensidade, risco e viagens, poder desligar para recuperar baterias e dedicar tempo à família", lembra. "Normalmente se dá três a quatro semanas para preparar o primeiro jogo oficial. De qualquer maneira, temos de nos adaptar, arranjar soluções e aproveitar este período para dar oportunidade a todos os jogadores porque vai ser humanamente impossível escolher uma equipe e começar já a estourá-la no começo de uma época longa e desgastante", lamenta. "Vamos encarar esta competição como sempre fazemos, prepará-la também no sentido de carregar as baterias aos nossos jogadores e entrar em todos os jogos com a mentalidade de jogar para ganhar até até o último segundo."

