O Conselho Deliberativo do Corinthians aprovou na noite desta segunda-feira, 4, a possibilidade de o presidente Osmar Stábile concorrer à reeleição. O tema fez parte da reunião para discutir temas da reforma do estatuto do clube. Ao todo, 76 dos 81 conselheiros se reuniram no salão nobre do Parque São Jorge para a votação.
A dúvida sobre a possibilidade de Stábile concorrer à presidência pairava no Corinthians desde quando ele assumiu mandato tampão após o impeachment de Augusto Melo. A controvérsia se apoiava justamente na interpretação do artigo 103 do estatuto, que, ao mesmo tempo em que veta a reeleição, abre brecha para dirigentes que assumiram o cargo em caráter excepcional.
Assim, a discussão sobre o tempo efetivo de permanência de Stábile, se considerado desde o período interino ou apenas após a efetivação, se tornou o ponto central do debate, agora parcialmente esclarecido com a aprovação do Conselho Deliberativo. A votação apontou 46 conselheiros a favor e 30 contra.
Na prática, o entendimento que prevaleceu entre os conselheiros foi o de que o período como presidente interino não deve ser contabilizado para efeito do limite de 18 meses previsto no estatuto. Com isso, a contagem passaria a valer apenas a partir de sua aclamação definitiva no cargo, em agosto de 2025, o que, dentro dessa leitura, manteria Stábile apto a disputar a eleição deste ano.
Ainda assim, o tema segue sensível nos bastidores do clube e deve continuar gerando debate até a deliberação final na assembleia geral. Em abril, um grupo de conselheiros e associados protocolou um pedido de impeachment contra Stábile. O caso está sendo analisado pela Comissão de Ética.
Na última semana, o Conselho Deliberativo do Corinthians rejeitou o texto-base da proposta de reforma do estatuto, mas deu aval à inclusão do direito de voto ao Fiel Torcedor nas eleições presidenciais do clube. Todas as decisões ainda precisam ser referendadas na assembleia de associados, que deve ser convocada nas próximas semanas.
SAF BARRADA
O Conselho Deliberativos também recusou as duas propostas apresentadas no projeta da forma que abriam a possibilidade da instituição de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Quarenta membros votaram para manter a gestão do futebol com o clube.
A primeira proposta, que recebeu 26 votos, previa controle institucional e poder de veto sobre pontos estratégicos definidas no acordo com os acionistas. A segunda, mais flexível à entrada de investidores, previa o mínimo de 10% das ações da SAF para o clube, mas recebeu somente 10 votos.

