O jogador tem habilidades para o mundo corporativo, mas não sabe nomeá-las, diz Paulo André

O ex-zagueiro Paulo André se preparou para o fim da carreira em campo e defende que todo jogador faça o mesmo. Sócio-fundador da Dolimita Sports, empresa de consultoria e agenciamento esportivo, o campeão da Libertadores pelo Corinthians falou sobre o pós-carreira do atleta, ao participar de painel do São Paulo Innovation Week (SPIW), maior festival global de tecnologia e inovação, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap. Ele destacou o quanto os jogadores de futebol não percebem o próprio potencial para desenvolver uma trajetória em nova área de atuação depois da aposentadoria.

"O ex-jogador troca de rótulo. Eu era jogador, agora sou empresário, comentarista, gerente de futebol. Mas ele não se conecta com sua própria essência para entender quais os valores, o propósito de fazer isso. Muitas vezes é troca de rótulo e não expansão de repertório", avalia. "Qualquer um de nós que trabalhou em ambientes de alta pressão tem características de habilidades fortíssimas para o mundo corporativo e para empreender. O jogador pode não saber nomear essas habilidades, mas ele tem."

Em seus últimos anos como atleta profissional, Paulo André fazia contratos com duração de um ano com o Athletico-PR, para, ao final de cada temporada, reavaliar se continuaria ou não atuando. Passados quatro anos, decidiu encerrar a carreira, em um momento no qual já dividia a função de jogador e dirigente, convidado para atuar nos bastidores pelo presidente athleticano Mario Celso Petraglia.

"Depois de um ano e meio, comecei a gostar mais de ir para o escritório do que de jogar futebol, e decidi encerrar a carreira", lembra o ex-jogador, que também já foi dirigente do Valladolid e do Cruzeiro. "Na maioria dos casos, o jogador só se reconhece ou é reconhecido quando performa. O eu interno está sempre esperando uma validação. De uma hora para outra, você não tem mais o jogo, você tem um buraco, um grande vazio."

Ao lado do ex-zagueiro no SPIW, o ex-meia Elano Blumer, atualmente diretor da base do Santos, também compartilhou sua experiência de transição dos gramados para um cargo diretivo. Ele experimentou trabalhar na televisão e chegou a treinar clubes como Inter de Limeira e Náutico, mas desanimou-se frente à impaciência típica do futebol brasileiro com a falta de resultados. Então, tirou dois anos para estudar e fez curso de gestão na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

"Eu fui comentarista, tentei ser treinador, mas chega um momento em que a gente precisa entender o que a gente quer e o que a gente é. É gostoso trabalhar na televisão, ser reconhecido, mas o mais gostoso é se reconhecer no que você está fazendo. No futebol, nós aprendemos a perder, por isso você fica mais forte", comentou.

SÃO PAULO INNOVATION WEEK

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até esta sexta-feira. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

No fim de semana, o festival leva uma série de eventos paralelos (side events) gratuitos para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) da cidade, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar). Não é necessário fazer inscrição; o acesso será por ordem de chegada, sujeito à lotação dos espaços. A programação gratuita reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas.