Espera que se repete

Pai que viveu jejum após o Tri revive sensação com o filho

Shilon e Ravi Zygiel
Shilon e Ravi Zygiel -

A seleção brasileira desembarcou na América do Norte com o peso de viver novamente seu maior jejum de títulos na Copa do Mundo. Após faturar o Tri em 1970, o Brasil fez uma geração esperar muito tempo para soltar o grito de campeão, já que o tetra veio apenas em 1994. Agora, uma nova vive os mesmos 24 anos sem levantar a taça. Afinal, a última conquista veio em 2002.

Shilon Zygiel, que nasceu em maio de 1972, viveu o primeiro grande jejum do Brasil em Copas. O músico e produtor cultural chegou ao mundo depois do histórico tricampeonato mundial e não viu Pelé e cia fazerem história no México, em 1970.

"O primeiro jejum foi mais tranquilo de passar porque eu ainda não tinha experimentado a sensação de ser campeão do mundo com a seleção brasileira. Assistia a muitos vídeos dos títulos anteriores, principalmente o Tri de 1970, que já veio pra mim em cores. Quando veio o título de 1994, foi uma sensação indescritível. Acho que não tem alegria maior para um torcedor", disse Shilon.

Ele também apontou semelhanças entre a seleção brasileira chegando para a Copa de 1994 e agora para o Mundial de 2026: "Além do jejum de 24 anos e da Copa também se realizar nos EUA, a seleção de 1994 também não saiu confiante do Brasil, principalmente pelo fracasso do futebol pragmático de 1990".

Shilon, de 54 anos, é pai de Ravi, que nasceu em agosto de 2002 e não viu o pentacampeonato conquistado no Japão. O jovem admite que o jejum incomoda, mas ponderou que a Copa do Mundo é um momento de união com a família e amigos, o que tornou as eliminações nas últimas edições menos frustrantes.

"É difícil dizer que não incomoda. Nasci logo após o Brasil ganhar seu último título, em 2002, então nunca vi o Brasil levantar nenhuma taça (em Copas do Mundo). Para mim, sempre foi sobre amizade, ver o jogo com pessoas que eu amo, reunir com a minha família. Então, apesar de ver várias eliminações e passar por momentos tristes, porque cada eliminação foi ficando cada vez mais triste, fui tomando consciência do que era perder uma Copa do Mundo. Pelo menos, eu estava com eles", afirmou Ravi, estudante de engenharia de produção e produtor executivo.

Reportagem de GABRIEL SALOTTI, JOÃO ALEXANDRE BORGES E RODRIGO SOUZA