O São Paulo apresentou nesta terça-feira a peça tão pedida por Dorival Júnior para reforçar o questionado ataque: Victor Sá, de 32 anos. O reforço assinou contrato até dezembro de 2029 e não segurou as lágrimas na apresentação. Torcedor do clube desde a infância e sempre presente no MorumBis incentivado pelo fanático pai, seu Fernando, o jogador se emocionou ao falar da ajuda da família para se tornar profissional e vestiu a camisa 27, em homenagem ao irmão Rafael, seu grande incentivador.
Victor Sá recebeu as boas-vindas de executivo de futebol Rafinha, que mostrou confiança em muitos gols do reforço, e lhe entregou a camisa de número 27, uma homenagem a seu irmão que o acompanhava de um cantinho da sala de imprensa - o clube o chamou para tirar fotos ao lado do irmão.
"Boa tarde, quero agradecer muito as palavras do Rafinha, a confiança do São Paulo e de toda a diretoria, do esforço que fizeram para eu estar aqui. (Estou) Muito feliz, realmente é a realização de um sonho", iniciou sua coletiva o ex-atacante do Botafogo e que estava no Krasnodar, da Rússia.
"O São Paulo, por si só, já diz porque todo atleta quer vestir essa camiseta. É uma honra estar aqui e toda conversa com a diretoria me empolgou ainda mais. Um atleta que vem para o São Paulo e se dá bem, isso é um marco para o resto da vida e pode ficar escrito na história de todo clube. Por isso a escolha", disse, antes de se emocionar ao falar da influência da família pelo acordo.
"Torço pelo time desde pequeno, graças ao meu pai, são-paulino fanático, que não pôde estar aqui por alguns assuntos particulares, infelizmente, mas seria um momento especial para ele. Cresci vindo no Morumbi, meu pai me ensinando tudo. A gente vira profissional e perde esse contato, mas em casa sempre foi algo muito motivacional", afirmou, orgulhoso por realizar o sonho de seu Fernando.
"Quando apareceu a oportunidade, meu pai conversou comigo, chorou bastante", revelou, também sem segurar a emoção e já com a voz embargada. "Lembrei de mim aqui no Morumbi, e agora ele estará me assistindo. Quando entrei no CT, passou um filme do quanto foi difícil estar aqui, meu irmão fez de tudo para eu estar aqui e tenho de agradecer muito a Deus e dar meu melhor ao São Paulo."
O irmão é amigo de Casemiro e um papo com o volante serviu de empurrão para o acerto. Rafael também sempre deu apoio para que Victor Sá se transformasse em jogador. Ele relembrou de duelos importantes que acompanhou no agora MorumBis, como os 3 a 1 sobre o Cobreloa, com show de Luis Fabiano, e o 1 a 1 com o Athletico-PR no título do Brasileirão de 2006.
"Não quero prolongar (o papo sobre a família) para não fazer um chororô, mas meu irmão sempre acreditou muito mais que eu, eu sem forças e ele estava comigo", disse. Após respirar fundo, prosseguiu. "É difícil acreditar, a gente passa por certas coisas e a família está do nosso lado, fazem coisas por você, só tenho gratidão a ele, a meus pais, minha avó que se foi. Só agradecer muito."
Versátil, o atacante ambidestro revelou como deve se adaptar ao esquema de Dorival Júnior e onde pretendo jogar. "Acredito que nas pontas é onde costumo jogar mais, pela esquerda, mas sou um cara muito coletivo e vou fazer de tudo para poder ajudar o São Paulo onde for preciso", destacou. "Tenho velocidade, ataco a profundidade, então pela esquerda ou pela direita, seria onde encaixo melhor e vou procurar me adaptar o mais rápido possível para ajudar o clube."
O reforço ainda revelou os tons das conversas com o comandante tricolor. "Conversei bastante com a comissão do Dorival, eles explicaram o estilo de jogo, como gostariam que eu jogasse. Dorival sempre fez grandes trabalhos e explicou a recomposição, meu posicionamento e pediu para me adaptar o quanto antes", continuou. "Esse período de treinos tem me ajudando bastante para entender o estilo dele, a reação pós perda de bola. Todo mundo está facilitando minha vida para eu entrar dentro de campo e fazer meu papel."
Victor Sá ainda garantiu estar pronto para a pressão pela qual o clube vem passando após irregularidade no Brasileirão e série de tropeços. Em uma instituição tão grande quando o São Paulo é normal a cobrança torcida o tempo todo, pois é um clube acostumado a ganhar", minimizou. "É fazer o melhor papel, trabalhar dia a dia muito e colocar o São Paulo nas melhores colocações possíveis, lá em cima, para buscar os objetivos. Estou focado para colocar o São Paulo onde merece."

