Antes de se tornar uma das figuras mais influentes do futebol mundial, Gianni Infantino construiu uma trajetória longe dos gramados e dos grandes holofotes. Formado em Direito e especializado em direito esportivo, o suíço começou a carreira como consultor jurídico e passou pelo Centro Internacional de Estudos do Desporto (CIES) antes de ingressar na Uefa, onde rapidamente subiu na hierarquia até assumir a secretaria-geral da entidade.
A chegada ao comando da Fifa aconteceu em meio à maior crise institucional da história recente da organização. Após a queda de Joseph Blatter e a suspensão de Michel Platini, Infantino surgiu como candidato apoiado pela estrutura do futebol europeu e articulou uma ampla coalizão que envolveu Uefa, Conmebol e outras federações.
Em 26 de fevereiro de 2016, venceu a eleição no segundo turno e iniciou uma gestão que vem sendo marcada pela expansão das principais competições da entidade e pelo fortalecimento de sua influência no cenário internacional.
DE ONDE VEIO GIANNI INFANTINO?
Gianni Infantino nasceu em 23 de março de 1970, em Brig, na Suíça. Filho de imigrantes italianos, cresceu em um ambiente familiar ligado às duas culturas e desenvolveu, ao longo da carreira, domínio de diversos idiomas - uma característica que também contribuiu para sua atuação no cenário esportivo internacional.
Infantino estudou Direito na Universidade de Friburgo e se especializou na área esportiva. Antes de chegar às grandes entidades do futebol, trabalhou como consultor jurídico de clubes e também ocupou o cargo de secretário-geral do CIES, ligado à Universidade de Neuchâtel.
A experiência no direito desportivo abriu caminho para sua entrada na Uefa, em 2000. Foi a partir dali que Infantino começou a ganhar espaço nos bastidores do futebol europeu.
A ASCENSÃO DENTRO DA UEFA
Infantino ingressou no departamento jurídico da Uefa e, em poucos anos, passou a ocupar funções de maior responsabilidade. Em 2009, tornou-se secretário-geral da entidade, durante a gestão do francês Michel Platini.
Foi nesse período que seu nome ganhou maior projeção internacional. Infantino se tornou uma figura conhecida do público por participar dos tradicionais sorteios das competições europeias, especialmente da Liga dos Campeões.
Nos bastidores, também ganhou reconhecimento pela condução administrativa da Uefa e pelo crescimento das receitas da entidade. A proximidade com Platini, então uma das figuras mais influentes do futebol mundial, ajudou a consolidar sua posição dentro da estrutura da organização.
A relação entre os dois, porém, também teria impacto no momento seguinte da carreira de Infantino. Em 2015, Platini foi suspenso pelo Comitê de Ética da Fifa em meio à crise que atingiu a entidade e acabou impedido de disputar a eleição presidencial.
Com a saída de cena do principal nome europeu para a sucessão de Joseph Blatter, Infantino passou a ser o candidato apoiado pela Uefa.
O CAMINHO ATÉ A PRESIDÊNCIA DA FIFA
A eleição de 2016 aconteceu em um dos momentos mais turbulentos da história da Fifa. Blatter havia deixado a presidência após uma série de escândalos de corrupção que atingiram a entidade e dirigentes ligados ao futebol internacional.
Inicialmente, Infantino não era considerado o principal candidato à sucessão. Sua candidatura ganhou força após a suspensão de Platini e passou a ser tratada como uma alternativa da estrutura europeia para manter influência no comando da Fifa.
A campanha também foi marcada pela construção de alianças entre diferentes confederações. A Uefa fechou apoio ao suíço, enquanto a Conmebol também se alinhou à candidatura. Na América do Norte, Central e Caribe, Infantino conquistou apoio significativo na reta final da disputa.
O cenário se consolidou no Congresso Extraordinário da Fifa, realizado em 26 de fevereiro de 2016, em Zurique. No primeiro turno, nenhum candidato alcançou a maioria necessária. Na segunda votação, Infantino recebeu 115 dos 207 votos válidos e derrotou o xeque Salman bin Ibrahim Al Khalifa, que terminou com 88.
A vitória transformou o então secretário-geral da Uefa no novo presidente da Fifa.
QUEM APOIOU INFANTINO?
A chegada de Infantino ao cargo foi construída principalmente a partir de uma articulação entre federações e confederações.
A Uefa foi o principal ponto de partida da candidatura. O apoio europeu deu ao suíço uma base sólida para a eleição, com federações importantes do continente declarando preferência por seu nome.
Na América do Sul, a Conmebol também se tornou uma aliada importante. O apoio da confederação ajudou Infantino a ampliar sua base eleitoral em um continente historicamente influente nas decisões da FIFA.
A Concacaf foi outro bloco relevante na reta final da disputa. Além do apoio de federações da região, a mudança de posição da federação dos Estados Unidos teve peso na votação decisiva. Inicialmente alinhada ao príncipe Ali da Jordânia, a U.S. Soccer acabou votando em Infantino no segundo turno.
Na África e na Ásia, o cenário foi mais dividido. As confederações continentais apoiavam oficialmente o xeque Salman, principal adversário de Infantino, mas o suíço conseguiu conquistar votos individuais de federações desses continentes. Entre suas propostas estavam o aumento da distribuição de recursos e a ampliação da Copa do Mundo.
A campanha também contou com o apoio público de nomes conhecidos do futebol. Ex-jogadores como Luís Figo, Zico e Diego Maradona apareceram associados à candidatura e ajudaram a dar visibilidade ao projeto de Infantino em um momento no qual a Fifa tentava reconstruir sua imagem após os escândalos de corrupção.
O PROJETO DE INFANTINO PARA A FIFA
Eleito em 2016, Infantino assumiu a presidência com a promessa de reformular a Fifa e ampliar a participação de diferentes regiões no futebol mundial.
Uma das principais bandeiras de sua gestão foi a expansão da Copa do Mundo. A partir de 2026, o torneio passou de 32 para 48 seleções, aumentando o número de vagas disponíveis para as confederações.
Outro projeto de grande impacto foi a reformulação da Copa do Mundo de Clubes, que passou a contar com 32 equipes e um formato ampliado.
Ao longo de sua presidência, Infantino também tem fortalecido a presença da Fifa em diferentes mercados e ampliado sua influência política no futebol internacional. A relação construída com dirigentes de diversas confederações tem sido fundamental para sua permanência no poder.

