MP investiga uso de recursos do Corinthians para bancar segurança privada de Osmar Stabile

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu, nesta terça-feira, 11, uma investigação para apurar o uso de recursos do Corinthians para contratar serviços de segurança privada para Osmar Stabile, presidente do clube, conforme noticiado inicialmente pelo GE confirmado pelo Estadão.

A Bear Security, empresa em questão contratada pelo dirigente, estaria irregular junto à Polícia Federal e operava dentro do Parque São Jorge. A regularidade e a finalidade dessa contratação são o objeto central da investigação, que busca esclarecer se o acordo foi feito para prestação de serviços de segurança em benefício privado do Stabile ou para o clube como um todo.

Quando o caso veio à tona, em junho, o Corinthians afirmou que Stabile "solicitou a contratação da empresa por relação de confiança nos profissionais" e que o contrato "passou pelo sistema de compliance".

Na portaria, o promotor Cássio Conserino, que também investiga os ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves, afirma que "situação é similar àquela dos cartões corporativos - já judicializada - pois o presidente da entidade desportiva está auferindo remuneração direta com o pagamento das despesas da empresa de segurança pelo SCCP". Ao justificar, cita o artigo do estatuto do clube que determina a não remuneração a dirigentes.

Fundada em janeiro de 2025, a Bear Security tem registros de serviços prestados apenas ao clube, no valor de R$ 586.987,65, como mostrou reportagem do Sport Insider, em junho. Sediada no bairro do Realengo, a empresa tem em seu quadro dois profissionais que foram policiais militares e trabalharam para Stabile e familiares antes da posse. Em outubro de 2024, os dois viajaram ao Nordeste com Stabile, à época vice-presidente de Augusto Melo, para um casamento.

Segundo Conserino, a situação viola o estatuto do club e pode configurar crimes de apropriação indébita ou estelionato. O promotor determinou que o clube e seus conselhos prestem esclarecimentos imediatos sobre o fluxo desses pagamentos e a legitimidade da contratação. Caso as suspeitas se confirmem, o benefício patrimonial direto ao dirigente pode ameaçar inclusive as isenções fiscais da instituição desportiva.