Líder da seleção brasileira feminina, Gabi Guimarães se manifestou na noite deste domingo a respeito da polêmica decisão da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que pode impedir Tiffany Abreu de atuar na Superliga feminina pelo Osasco por ser uma mulher trans.
Mais cedo nesta semana, Tiffany recebeu com consternação a notícia que poderia desfalcar sua equipe nas principais competições que disputa. Com isso, Gabi usou suas redes sociais para questionar a decisão da CBV e levantar a questão: "A mudança foi planejada ou pensada por quem? Defendendo os interesses de quem?", escreveu em seu Instagram.
Gabi ressaltou ainda que o vôlei é um esporte de inclusão e que tais questões devem ser levadas a sério. "É muito lindo ver no mês de junho todo mundo colocando arco-íris pra jogo e ganhando notoriedade com a causa. Mas o mês de junho passa e quem fica na guerra ao seu lado? Quem fica quando os homofóbicos destilam seu preconceito? Quem te dá a mão e te defende? Quase ninguém, né?"
Por falar em desigualdade, Gabi ainda trouxe a reflexão sobre uma importante causa - a de que não basta não ser preconceituoso, mas é preciso combater o preconceito. "Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista. É preciso se posicionar sempre. É preciso enxergar além do superficial para ver o que realmente importa."
Indo na contramão da decisão da CBV, Tiffany ao menos recebeu a boa notícia de que pode participar do Campeonato Paulista de vôlei, já que a Federação decidiu manter as regras vigentes quando a competição começou, em 13 de agosto.
ENTENDA O CASO
Nesta semana, a CBV anunciou uma nova política de elegibilidade para competições femininas, exigindo que atletas tenham sexo biológico feminino. A medida, alinhada com o COI e FIVB, impede Tifanny Abreu, jogadora transexual do Osasco, de competir a partir deste ano.
O Osasco mostrou todo seu apoio à atleta e já acionou seu departamento jurídico. A política será aplicada em torneios como a Supercopa 2026 e Copa Brasil 2027, visando equiparar os campeonatos nacionais aos internacionais.
Apesar da decisão da CBV, Tifanny foi autorizada pela Federação Paulista de Vôlei (FPV) a disputar o Campeonato Paulista Feminino. A decisão da entidade se baseia no fato de o torneio já estar em andamento. Tifanny poderá jogar no Estadual, mas ficará impedida de participar da Superliga 2026/27 e outras competições nacionais.

