O atual presidente da Federação Camaronesa de Futebol (Fecafoot) e ex-jogador Samuel Eto'o saiu em defesa de Gianni Infantino em meio à crise que envolve a alta cúpula da Fifa e seu líder.
Em entrevista à CNN, o antigo camisa 9 do Barcelona disse que o dirigente da entidade "não fez nada de errado" e que a situação de pressão está diretamente relacionada a interesses políticos.
As críticas que Infantino tem recebido partem principalmente do Fifa Forward Enterprise, proposta para garantir investimento privado em torneios da instituição, incluindo a Copa do Mundo.
O plano falhou, mas a rejeição à ideia, aliada à decisão de demissão de Kevin Lamour, diretor de operações da entidade após críticas à iniciativa, gerou movimentações de confederações contrárias à reeleição do suíço.
Com isso, Eto'o, que segue a posição da Confederação Africana de Futebol (CAF), que já declarou apoio ao atual presidente da Fifa, afirmou estar ao lado de Infantino.
"Não acho que o presidente Gianni Infantino tenha feito nada de errado. Acho que tudo isso aconteceu por causa das eleições que se aproximam", declarou o ex-jogador.
ETO'O COMENTA IMPORTÂNCIA DE PRESIDENTE PARA O FUTEBOL
Ao falar sobre a gestão de Infantino, Eto'o destacou principalmente as mudanças no formato das competições internacionais e o impacto delas para países africanos.
Para o ex-atacante, a ampliação do número de participantes abriu espaço para seleções que antes tinham menos chances de disputar a Copa do Mundo. "Ele deu oportunidades a nações que não tinham essas oportunidades de participar do torneio mais bonito, a Copa do Mundo. Ele possibilitou que nações menores conseguissem vagas nessas competições", afirmou.
O camaronês também citou os efeitos da gestão para o desenvolvimento do futebol no continente. Segundo Eto'o, as federações africanas passaram a ter mais condições para avançar e, por isso, os dirigentes da região deveriam reconhecer o trabalho realizado pelo presidente da Fifa.
"Ele ajudou o nosso continente. Ajudou as nossas federações a desenvolverem-se muito mais rapidamente, e precisamos de reconhecer isso", declarou.
CONFEDERAÇÕES SE DIVIDEM SOBRE PERMANÊNCIA DE INFANTINO
A oposição a Gianni Infantino ganhou força principalmente na Europa e na América do Norte. Uefa e Concacaf declararam ter perdido a confiança no presidente da Fifa após o fracasso do projeto Fifa Forward Enterprise, enquanto a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também passou a discutir medidas contra o dirigente.
As três confederações avaliam a possibilidade de apoiar um voto de desconfiança contra Infantino.
Do outro lado, CAF e Conmebol seguem entre os blocos que demonstraram apoio ao suíço. O cenário, porém, ainda pode mudar até a eleição para a presidência da Fifa, marcada para 18 de março de 2027, em Rabat, no Marrocos.

