Mbappé explica gesto com camisa em apoio a Ceuta: 'Antes de jogador, sou humano'

Mbappé, Vini Jr. e Konaté chamaram a atenção momentos antes do início da partida entre Real Madrid e Elche nesta terça-feira, 15, pela La Liga. Os três optaram por entrar em campo com as camisas de apoio a Ceuta, cidade autônoma espanhola localizada no norte da África e que vem vivendo uma grave crise migratória, dobradas. A atitude contrastou com a dos outros atletas na partida, que vestiam a peça por completo antes do apito inicial. As camisas traziam a frase "Todos somos caballas", em referência aos moradores de Ceuta, além de uma mensagem de apoio à cidade. Em entrevista ao jornal "As", da Espanha, Mbappé explicou o gesto.

"Foi uma decisão dos clubes incluir a camisa, usá-la. Nós, jogadores, tivemos que usá-la. A primeira coisa que quero dizer é que tenho total solidariedade com Ceuta e todas as vítimas. Porque antes de ser jogador, sou humano. Mas também quis fazer um gesto e expressar meus pensamentos a todos os imigrantes que perderam suas vidas e que também vivem em condições difíceis", afirmou.

Ceuta vive, desde o fim de julho deste ano, uma crise migratória, quando cerca de 60 mil imigrantes tentaram entrar na cidade por mar e por terra. Entre as pessoas que fizeram a travessia para contornar a barreira marítima que separa Ceuta de Marrocos, aproximadamente 90 morreram afogadas ou pisoteadas.

O cenário também ampliou as tensões políticas em Ceuta, onde discursos contrários à imigração ganharam força após a chegada em massa de pessoas à cidade. Nesse contexto, a expressão "caballas" passou a ser usada não apenas como referência aos moradores locais, mas também em manifestações de defesa da identidade espanhola do território.

Ceuta é uma cidade autônoma da Espanha, mas está localizada no norte da África e faz fronteira terrestre com Marrocos. A posição geográfica faz do local um dos principais pontos de entrada de imigrantes no território espanhol e coloca a cidade no centro de uma relação historicamente delicada entre os dois países. A soberania espanhola sobre Ceuta é reconhecida internacionalmente, embora Marrocos reivindique o território.

Foi nesse contexto que a mensagem estampada nas camisas ganhou uma dimensão que ultrapassou o futebol. A peça trazia a frase "Todos somos caballas. Nossa cidade, nossa pátria", em referência à população de Ceuta e à identificação dos moradores com o território espanhol.

Mbappé explicou que sua decisão de manter a camisa dobrada não significava falta de solidariedade com os moradores de Ceuta. O francês afirmou que também quis demonstrar apoio aos imigrantes que morreram durante as tentativas de entrada na cidade e aos que ainda vivem em condições difíceis.

"Não foi uma posição fácil, foi difícil, porque no fim das contas as pessoas podem pensar que sou contra o povo de Ceuta, mas não, absolutamente não. Não tenho nada contra eles e os apoio 100%. Mas também queria pensar em todas as pessoas que estão sofrendo, porque no fim das contas sou humano e não quero priorizar o sofrimento", afirmou.

O atacante ainda disse que sua intenção era transmitir uma mensagem de paz e positividade e que espera uma solução rápida para a situação.

A iniciativa da ação partiu do Elche, que propôs a ação ao Real Madrid antes da partida, e foi aceita pelo clube. A equipe merengue, no entanto, respeitou a decisão individual dos jogadores sobre a forma de utilizar a peça. A mesma campanha também foi adotada em outros jogos da rodada do Campeonato Espanhol.