A proibição das bets no Brasil não tira o esporte brasileiro das casas de apostas. Ainda será possível, no exterior, apostar em jogos, eventos esportivos e atletas do País. Isso faz com que a medida do governo federal não afaste efetivamente o risco de manipulação de resultados.
É o mesmo mecanismo do chamado "mercado de previsões", que permite apostar em eventos além do esporte, como eleições. A Polymarket, por exemplo, proibida de operar no Brasil desde abril, oferece 40 tipos de apostas nos resultados das eleições 2026.
No esporte, há precedente para suspeitas de manipulação de diferentes países. Um exemplo é o do brasileiro Lucas Paquetá, julgado na Inglaterra, quando defendia o West Ham. A investigação partiu de um alto volume de apostas feitas a partir da Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, local de origem do atleta. O meia acabou inocentado pela Football Association (FA).
Alertas como esse costumam ser feitos pela International Betting Integrity Association (Ibia), especialista em regulamentação de apostas esportivas no mundo. A CBF e a Fifa têm parcerias com a Sportradar, empresa suíça que também atua no monitoramento.
Foi a Ibia que notificou a Polícia Federal e a CBF sobre a suspeita contra Bruno Henrique, do Flamengo. Em 2023, durante uma partida contra o Santos, o jogador recebeu um cartão amarelo, ao mesmo tempo em que familiares e amigos apostaram que isso aconteceria.
No Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o atacante foi condenado a 12 jogos de suspensão e multa de R$ 60 mil por manipulação. Dois meses depois, em novembro de 2025, o tribunal pleno reverteu a pena de suspensão por entender que não ficou configurada a manipulação para alterar o resultado esportivo, mantendo apenas a multa e liberando o atleta para jogar.
Na Justiça comum, Bruno Henrique é réu por estelionato e fraude esportiva, em processo que corre no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).
Em abril, o atacante Ênio também virou réu após ser investigado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) por manipulação de apostas esportivas e lavagem de dinheiro. As suspeitas são de cartões forçados pelo jogador quando ele atuava pelo Juventude.
Ele ainda tem vínculo com o time gaúcho, mas estava emprestado à Chapecoense em 2025. Nesta semana, ele foi anunciado e apresentado pelo Al-Jabalain, da segunda divisão da Arábia Saudita, por empréstimo de 10 meses.
A maior investigação recente sobre manipulação em apostas esportivas aconteceu em 2023. A Operação Penalidade Máxima, conduzida pelo Ministério Público de Goiás, foi responsável por denunciar 17 jogadores na época. Cinco chegaram a ser banidos definitivamente do futebol pela Fifa.
Mais recentemente, um cartão amarelo para Lucho Acosta, do Fluminense, gerou um alerta, depois de um volume anormal de apostas em partida realizada em 17 de julho. O prazo de punibilidade, de 60 dias, expirou sem que o STJD denunciasse o argentino.

