Os clubes brasileiros precisaram se reajustar em relação aos seus patrocinadores do setor das bets. Após a publicação da MP que proibiu as casas de apostas no País, as equipes têm até 5 de outubro para retirar as marcas das empresas de suas camisas e publicidades. A situação não é exclusiva do Brasil. Algumas das grandes ligas europeias passaram por restrições ainda antes do cenário vivido pelo futebol brasileiro.
O caso mais recente é o da Inglaterra. Na Premier League, os clubes concordaram com a retirada dos patrocínios de casas de apostas da parte frontal das camisas a partir da temporada 2026/2027. Com a mudança, as equipes tiveram de reorganizar o espaço mais valioso do uniforme e buscar novas opções no mercado.
Antes da mudança, as bets estavam presentes em 11 dos 20 clubes da Premier League. Com a saída dessas empresas, outros segmentos passaram a ocupar o espaço frontal das camisas. Hoje, o setor financeiro é o maior entre os patrocinadores máster do Campeonato Inglês.
Entre os clubes que precisaram substituir uma bet, empresas de turismo, seguros, recrutamento, tecnologia e serviços financeiros ocuparam as vagas.
Em outros casos, como o da Itália e da Espanha, as casas de apostas não podem, por lei, patrocinar clubes. Os dois países adotaram restrições à publicidade e ao patrocínio das bets, o que obrigou as equipes a buscar alternativas no mercado. Na Itália, marcas de alimentos, bebidas e turismo têm forte presença nos uniformes. Já na Espanha, o cenário é mais dividido entre companhias aéreas, bebidas, empresas financeiras e de tecnologia.
Fora as exceções ligadas às apostas, os clubes da Serie A encontraram alternativas em diferentes setores para ocupar o espaço principal das camisas. Marcas de alimentos e bebidas, turismo, serviços financeiros, tecnologia e energia estão entre os segmentos presentes nos principais acordos atuais.
SERIE A ENCONTRA BRECHAS PARA MARCAS LIGADAS ÀS BETS
Na liga italiana, mesmo com a proibição estabelecida por decreto em 2018, alguns clubes encontraram formas de manter empresas ligadas ao mercado de apostas em seus uniformes. Inter de Milão, Roma e Monza possuem atualmente acordos com marcas associadas ao setor, mas apresentadas de outra maneira nos contratos.
A estratégia adotada pelas equipes foi levar para as camisas empresas ligadas aos grupos de apostas, mas voltadas a conteúdo, informação e entretenimento esportivo. A Inter, por exemplo, estampa a Betsson Sport, definida pela própria empresa como uma plataforma de sport infotainment (infotenimento esportivo). A Roma utiliza a Eurobet.live, site que oferece resultados, estatísticas, podcasts e outros conteúdos esportivos, sem exibir diretamente a marca de apostas Eurobet no uniforme.
O Monza seguiu caminho semelhante na temporada 2026/27 ao fechar com a DAZN Bet Club. Embora a empresa tenha ligação com o mercado de apostas, clube e marca apresentam a parceria como uma iniciativa voltada ao entretenimento e à relação com os torcedores.
LA LIGA TEM RAMO FINANCEIRO COMO PRINCIPAL ALTERNATIVA
Na Espanha, a proibição de patrocínios de casas de apostas em camisas e uniformes está em vigor desde 2020. Com a restrição, os clubes passaram a buscar empresas de outros segmentos para ocupar o espaço mais valorizado das equipes.
Na temporada 2026/27, o setor financeiro é o mais representado entre os patrocinadores máster das duas principais divisões espanholas, com cinco clubes. Outros segmentos também ocupam espaço nos uniformes, como entretenimento, turismo e telecomunicações.
Entre os principais exemplos da primeira divisão estão o Kutxabank, no Athletic Bilbao, o Baghdadi Capital, na Real Sociedad, e a Emirates, no Real Madrid. O Barcelona mantém o Spotify como patrocinador máster, enquanto o Rayo Vallecano tem a Digi no espaço principal da camisa.
SITUAÇÃO NO BRASIL AINDA NÃO É DEFINITIVA
Dos 20 clubes da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, 14 possuem patrocínios máster de casas de apostas. Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Corinthians têm acordos superiores a R$ 100 milhões por ano. Com a publicação da MP, todas essas equipes terão de reorganizar seus principais espaços de patrocínio.
A situação ainda pode mudar porque a medida provisória, embora já esteja em vigor, precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. Enquanto isso, os clubes terão de retirar de suas propriedades os materiais publicitários e sinais de patrocínio ligados às bets até 5 de outubro. Cada equipe terá de definir como lidar com os contratos firmados com as empresas.
O Santos foi o primeiro clube brasileiro a suspender o vínculo com uma empresa do setor. A equipe decidiu retirar a Novibet da camisa e de suas ações publicitárias, mas não rescindiu o contrato e mantém a parceria suspensa enquanto aguarda os próximos desdobramentos.

