Botafogo acompanha o Flamengo e vai ao STF pela derrubada da MP das bets

Clube sustenta que a supressão imediata do mercado de apostas 'compromete severamente as receitas de patrocínio essenciais'

Plano de recuperação judicial da SAF do Botafogo deve ser concluído até 20 de agosto
Plano de recuperação judicial da SAF do Botafogo deve ser concluído até 20 de agosto -

O Botafogo é mais um clube que recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela derrubada da Medida Provisória que proibiu as bets no Brasil. Antes, o Flamengo já havia ingressado em uma ação que corre na Corte.

O processo que o alvinegro pediu para ingressar como amicus curiae é a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, movida pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), ainda sem relator definido. É a mesma que a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) requisitou entrar também nesta quinta-feira. O Flamengo também tem um pedido.

No pedido, o Botafogo sustenta que a supressão imediata do mercado de apostas "compromete severamente as receitas de patrocínio essenciais para o fomento do esporte nacional". O clube também cita a importância da manutenção de suas obrigações financeiras em recuperação judicial, caso da SAF botafoguense.

Até o momento, há três ADIs que envolvem a MP. O ministro Luiz Fux é relator da mais antiga, a ADI 7721. Foi neste processo que a entrada do Flamengo já foi deferida.

Essa ação foi aberta ainda em 2024, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), contra a regulamentação das bets, promulgada em 2023. A discussão incluiu a MP depois de sua publicação. O Fluminense é outro clube que já era parte interessada no processo.

Há ainda a ADI 8024, movida pela Associação Nacional pela Segurança Jurídica dos Jogos e Apostas (Anseja), também pela derrubada da MP e sem relatoria definida. Até o momento, não há clubes interessados neste processo.

Mais equipes brasileiras devem acompanhar os clubes cariocas e ingressar nas ações. Em 2025, os patrocínios de bets representaram R$ 1 bilhão em receita aos clubes da Série A, 7,9% das receitas totais dos 20 times. As empresas ainda injetavam verba publicitária em naming rights de campeonatos, placas de publicidade e inserções de TV.

A MP definiu o prazo de 5 de outubro para a retirada dos sinais de patrocínio e publicidade de bets. Movimentações dos dois lados já seguiram. O Santos e a Novibet suspenderam o contrato. Já a 7k notificou o Vitória pela rescisão. 

O Botafogo já retirou a Vbet dos uniformes de treinos e exibições da marca nas redes sociais. Foi também o que o Flamengo fez em relação à Betano. Não há confirmação de suspensão de contratos. O Congresso Nacional tem 120 dias para analisar a MP do governo federal.