A morte foi confirmada pela Secretaria Municipal de Saúde. Em nota, a direção do hospital informou que, apesar dos esforços da equipe médica, a paciente não resistiu.
Rie foi resgatada desacordada pelo Corpo de Bombeiros depois de cair na água. Segundo relatos de testemunhas, ela foi arrastada pela correnteza. A atleta precisou ser retirada do mar com o auxílio de um helicóptero e encaminhada à unidade de saúde. Ainda não há informações sobre velório e sepultamento.
Além de competir em alto nível, Rie dedicava a rotina ao ensino da modalidade. Ela fundou a escola Barra Va’a, na Barra da Tijuca, e o Projeto Somar, voltado à prática esportiva. A Confederação Brasileira de Va’a lamentou a morte da atleta, também conhecida como Japa, e destacou sua dedicação ao esporte e a relação próxima com alunos e colegas.
Do acidente à conquista de dois ouros
A trajetória de Rie na canoa havaiana começou após um acidente sofrido em 2017, quando descia de skate uma rampa em Petrópolis e precisou desviar de um ônibus. Ela fraturou o tornozelo e, durante a recuperação, percebeu que não conseguia mais permanecer muito tempo em pé sobre uma prancha de stand up paddle.
Por orientação médica, procurou uma modalidade em que pudesse remar sentada. A canoa havaiana passou a fazer parte de sua vida e, a partir de 2022, ela começou a competir.
Em 2025, Rie conquistou duas medalhas de ouro representando o Brasil no Pan-Americano de Va’a, realizado na Ilha de Páscoa, território chileno no Oceano Pacífico. Ela venceu nas categorias V6 Master, em uma canoa para seis remadores destinada a atletas acima de 40 anos, e V3 Open, disputada em embarcações para três pessoas.
A atleta também havia conquistado uma medalha de bronze no Campeonato Mundial, na categoria sprint, além de títulos brasileiros que garantiram sua participação em competições internacionais.
Sem patrocínio para custear a viagem ao Pan, Rie chegou a organizar uma campanha de arrecadação nas redes sociais para conseguir representar o país.
Fora das competições, a remadora dava aulas para dezenas de alunos em suas bases de treinamento. Parte das atividades oferecia condições especiais para pessoas com deficiência, incluindo paratletas amputados e pessoas com deficiência visual, além de alunos autistas.
A Confederação Brasileira de Va’a manifestou solidariedade à família, aos amigos e aos alunos da atleta. Em nota, a entidade ressaltou que a paixão de Rie pela modalidade e seu trabalho marcaram a trajetória de muitas pessoas que tiveram a oportunidade de conviver e remar com ela.

