A 2ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou, nesta quinta-feira, 29, a denúncia do Ministério Público (MP-SP) contra Osmar Stábile, presidente do Corinthians, por suposta apropriação indébita em caso relacionado à contratação da empresa de segurança Bear Security.
A juíza Daniela Martins de Castro Mariani Cavallanti entendeu que a acusação não apresentava indícios mínimos que comprovassem a ocorrência de crime. Segundo a magistrada, os documentos do processo mostram que a contratação seguiu os procedimentos internos do Corinthians, foi de conhecimento do clube e teve os serviços efetivamente prestados.
Na decisão, a magistrada afirmou não haver elementos suficientes para sustentar que o presidente tenha incorporado patrimônio ou utilizado recursos da entidade de maneira clandestina.
A investigação do MP-SP foi aberta no começo de agosto para apurar o uso de recursos do Corinthians na contratação da empresa, que faria a segurança privada de Stábile. Quando o caso veio à tona, em junho, o clube afirmou que Stabile "solicitou a contratação da empresa por relação de confiança nos profissionais" e que o contrato "passou pelo sistema de compliance", o que é cobrado agora pelo MP-SP.
Na época, o promotor Cássio Roberto Conserino, que também investiga os ex-presidentes Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves, afirmou que a situação "é similar àquela dos cartões corporativos - já judicializada -, pois o presidente da entidade desportiva está auferindo remuneração direta com o pagamento das despesas da empresa de segurança pelo SCCP".
Fundada em janeiro de 2025, a Bear Security tem registros de serviços prestados apenas ao clube, no valor de R$ 586.987,65, como mostrou reportagem do Sport Insider, em junho. Sediada no bairro do Realengo, no Rio, a empresa tem em seu quadro dois profissionais que foram policiais militares e trabalharam para Stábile e familiares antes da posse. Em outubro de 2024, os dois viajaram ao Nordeste com Stabile, à época vice-presidente de Augusto Melo, para um casamento.
Segundo a Promotoria, a situação viola o estatuto do clube e pode configurar crimes de apropriação indébita ou estelionato. O promotor determinou que o clube e seus conselhos prestassemm esclarecimentos imediatos sobre o fluxo desses pagamentos e a legitimidade da contratação.

